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Agência Correio
Publicado em 27 de fevereiro de 2026 às 14:00
Um exame de sangue capaz de identificar sinais do Alzheimer antes que a perda de memória se agrave está ganhando validação científica. >
A principal novidade é a medição da proteína p-tau217, ligada às alterações cerebrais típicas da doença, que pode indicar o problema com alto grau de precisão sem a necessidade de exames caros ou invasivos, como a punção lombar ou o PET cerebral.>
Veja sintomas do Alzheimer
Atualmente, o Alzheimer é a principal causa de demência no mundo, representando entre 60% e 70% dos casos.>
A Organização Mundial da Saúde estima que 57 milhões de pessoas vivam com demência e projeta que esse número pode chegar a 139 milhões até 2050, o que amplia a pressão sobre sistemas de saúde e famílias.>
A eficácia do novo exame foi testada na Espanha em um estudo com 200 pacientes acima de 50 anos que já apresentavam sintomas cognitivos.>
A pesquisa foi liderada por Jordi A. Matías-Guiu, da Universidade Complutense de Madrid, e publicada no Journal of Neurology em 10 de fevereiro de 2026.>
Os cientistas analisaram a presença da proteína p-tau217 no sangue. Essa proteína é um biomarcador, termo usado para definir substâncias do organismo que indicam processos biológicos anormais.>
No Alzheimer, ela está relacionada ao acúmulo de proteínas que danificam os neurônios.>
Com base apenas na avaliação clínica, a taxa de acerto dos médicos era de 75,5%. Quando o resultado do exame foi incluído, a precisão subiu para 94,5%. O diagnóstico mudou em cerca de um a cada quatro pacientes avaliados.>
Em parte dos casos, suspeitas de Alzheimer foram descartadas. Em outros, o exame identificou a doença onde se acreditava haver apenas envelhecimento comum. >
A confiança dos profissionais com o diagnóstico também aumentou, passando de 6,90 para 8,49 em uma escala de 10 pontos.>
Dias antes da divulgação do estudo espanhol, a revista Nature publicou uma revisão ampla sobre biomarcadores sanguíneos no Alzheimer. >
O trabalho foi conduzido por Henrik Zetterberg, da Universidade de Gotemburgo, e por Barbara Bendlin, da Universidade de Wisconsin-Madison.>
A análise concluiu que a p-tau217 medida no plasma reflete com precisão processos neurodegenerativos ligados à doença. >
O plasma é a parte líquida do sangue, onde essas proteínas circulam e podem ser detectadas em concentrações muito baixas com técnicas laboratoriais atuais.>
Embora independentes, os dois trabalhos caminham na mesma direção: a medição da p-tau217 pode permitir a identificação de alterações cerebrais antes das fases mais avançadas do declínio cognitivo.>
No caso do Alzheimer, os biomarcadores ajudam a identificar a doença em fases iniciais, acompanhar sua progressão e avaliar se um tratamento está funcionando. >
Na prática, isso permite decisões mais seguras e ajustadas ao perfil de cada paciente.>
Segundo especialistas, a ampliação de exames baseados em uma simples amostra de sangue também pode tornar o diagnóstico mais acessível e menos invasivo.>