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O perigo silencioso dos energéticos e pré-treinos pode estar por trás das mortes precoces de jovens

Apesar de hiperdisseminado nas salas de musculação, o uso de pré-treino guarda diversas contraindicações

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  • Foto do(a) author(a) Luiz Dias
  • Agência Correio

  • Luiz Dias

Publicado em 13 de março de 2026 às 07:00

Consumo de bebidas à base de cafeína ou taurina se tornou
Consumo de bebidas à base de cafeína ou taurina se tornou Crédito: Oto Zapletal / Wikimedia Commons

A busca por resultado rápido na academia ganhou um empurrão das redes sociais e do marketing dos suplementos. Latas de energético e potes de pré-treino viraram parte da rotina de muitos jovens, como se fossem um atalho obrigatório para treinar melhor.

O problema é que essa combinação pode cobrar caro. Médicos e estudos recentes associam o excesso de cafeína e estimulantes a palpitações, ansiedade, tremores, insônia, elevação da pressão e, em casos extremos, eventos cardiovasculares graves.

A ilusão do pré-treino para amadores

A cafeína tem efeito ergogênico e pode melhorar foco e desempenho em situações específicas. Mas isso não significa que qualquer pessoa precise de uma dose alta antes de um treino comum de musculação, corrida leve ou aula funcional.

Para quem treina por lazer, o ganho costuma ser pequeno perto do risco de exagerar. Em muitos casos, o corpo responde melhor a constância, alimentação adequada e descanso do que a uma descarga rápida de estímulo químico.

Outro ponto é que vários produtos reúnem cafeína, taurina, guaraná e outros compostos na mesma fórmula. Essa soma de doses elevadas de cafeína e outras substâncias estimulantes pode mascarar o cansaço e aumentar a carga sobre o coração.

O limite perigoso da cafeína

Para a maioria dos adultos saudáveis, a referência mais usada é de até 400 mg de cafeína por dia. O ponto crítico é que muita gente calcula apenas o energético ou o pré-treino e esquece o café, o chá, o refrigerante e até outras fontes espalhadas ao longo do dia.

Na prática, é fácil estourar esse teto. Um café coado pode ter cerca de 100 mg, uma lata de energético costuma variar bastante e pode passar de 200 mg, e alguns pré-treinos chegam perto de 300 mg por dose.

Quando o consumo fica concentrado em poucas horas, o impacto tende a ser ainda mais intenso. A sobrecarga aparece em forma de coração acelerado, pressão mais alta, inquietação, suor excessivo e dificuldade para dormir.

Efeitos colaterais e casos extremos

Os efeitos mais comuns são insônia, taquicardia, tremores, irritabilidade, dor de cabeça, enjoo e piora da ansiedade. Em quem já tem predisposição, hipertensão ou arritmia, o risco fica maior.

Casos recentes ajudam a mostrar que o problema não é teórico. Um homem de 54 anos sofreu AVC depois de consumir oito energéticos por dia, com ingestão estimada entre 1.200 mg e 1.300 mg de cafeína, muito acima do limite considerado seguro.

A literatura científica também vem reforçando o alerta. Revisão publicada em 2025 encontrou aumento recorrente da frequência cardíaca, pressão arterial e alterações elétricas do coração após o consumo de energéticos.

Como ter energia de forma segura

Quem quer render melhor no treino não precisa transformar o próprio corpo em laboratório. Um lanche leve com carboidrato e proteína, hidratação antes e depois da atividade e um horário de treino compatível com o sono costumam trazer mais resultado no médio prazo.

Também vale rever a rotina. Muitas vezes, a falta de energia não pede um estimulante mais forte, mas sim correção de hábito. Sono, alimentação e hidratação sustentam qualquer evolução consistente, inclusive para quem quer ganhar força, perder gordura ou simplesmente treinar melhor.

Se houver palpitação, dor no peito, falta de ar, tontura ou mal-estar após o energético ou pré-treino, o mais seguro é interromper o uso e procurar avaliação médica. Em saúde, atalho nem sempre é avanço, e às vezes é o começo do problema.

O risco do dry scooping

Outra prática que acendeu um alerta entre médicos é o dry scooping, quando a pessoa joga o pré-treino seco na boca e só depois tenta misturar com água. Segundo a Cleveland Clinic, esse hábito pode causar engasgo e aspiração do pó para as vias respiratórias, com risco até de pneumonia aspirativa.

O problema não para aí. O National Capital Poison Center afirma que, sem diluição, o organismo recebe de uma vez uma carga alta de cafeína e outros estimulantes. Isso pode provocar palpitações, dor no peito, tremores, tontura e falta de ar, sobretudo em quem já tem problema cardíaco ou pulmonar.

Tags:

Saúde Fitness Energético