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Agência Correio
Luiz Dias
Publicado em 13 de março de 2026 às 07:00
A busca por resultado rápido na academia ganhou um empurrão das redes sociais e do marketing dos suplementos. Latas de energético e potes de pré-treino viraram parte da rotina de muitos jovens, como se fossem um atalho obrigatório para treinar melhor. >
O problema é que essa combinação pode cobrar caro. Médicos e estudos recentes associam o excesso de cafeína e estimulantes a palpitações, ansiedade, tremores, insônia, elevação da pressão e, em casos extremos, eventos cardiovasculares graves.>
A cafeína tem efeito ergogênico e pode melhorar foco e desempenho em situações específicas. Mas isso não significa que qualquer pessoa precise de uma dose alta antes de um treino comum de musculação, corrida leve ou aula funcional.>
Para quem treina por lazer, o ganho costuma ser pequeno perto do risco de exagerar. Em muitos casos, o corpo responde melhor a constância, alimentação adequada e descanso do que a uma descarga rápida de estímulo químico.>
Outro ponto é que vários produtos reúnem cafeína, taurina, guaraná e outros compostos na mesma fórmula. Essa soma de doses elevadas de cafeína e outras substâncias estimulantes pode mascarar o cansaço e aumentar a carga sobre o coração.>
Para a maioria dos adultos saudáveis, a referência mais usada é de até 400 mg de cafeína por dia. O ponto crítico é que muita gente calcula apenas o energético ou o pré-treino e esquece o café, o chá, o refrigerante e até outras fontes espalhadas ao longo do dia.>
Na prática, é fácil estourar esse teto. Um café coado pode ter cerca de 100 mg, uma lata de energético costuma variar bastante e pode passar de 200 mg, e alguns pré-treinos chegam perto de 300 mg por dose.>
Quando o consumo fica concentrado em poucas horas, o impacto tende a ser ainda mais intenso. A sobrecarga aparece em forma de coração acelerado, pressão mais alta, inquietação, suor excessivo e dificuldade para dormir.>
Os efeitos mais comuns são insônia, taquicardia, tremores, irritabilidade, dor de cabeça, enjoo e piora da ansiedade. Em quem já tem predisposição, hipertensão ou arritmia, o risco fica maior.>
Casos recentes ajudam a mostrar que o problema não é teórico. Um homem de 54 anos sofreu AVC depois de consumir oito energéticos por dia, com ingestão estimada entre 1.200 mg e 1.300 mg de cafeína, muito acima do limite considerado seguro.>
A literatura científica também vem reforçando o alerta. Revisão publicada em 2025 encontrou aumento recorrente da frequência cardíaca, pressão arterial e alterações elétricas do coração após o consumo de energéticos.>
Quem quer render melhor no treino não precisa transformar o próprio corpo em laboratório. Um lanche leve com carboidrato e proteína, hidratação antes e depois da atividade e um horário de treino compatível com o sono costumam trazer mais resultado no médio prazo.>
Também vale rever a rotina. Muitas vezes, a falta de energia não pede um estimulante mais forte, mas sim correção de hábito. Sono, alimentação e hidratação sustentam qualquer evolução consistente, inclusive para quem quer ganhar força, perder gordura ou simplesmente treinar melhor.>
Se houver palpitação, dor no peito, falta de ar, tontura ou mal-estar após o energético ou pré-treino, o mais seguro é interromper o uso e procurar avaliação médica. Em saúde, atalho nem sempre é avanço, e às vezes é o começo do problema.>
Outra prática que acendeu um alerta entre médicos é o dry scooping, quando a pessoa joga o pré-treino seco na boca e só depois tenta misturar com água. Segundo a Cleveland Clinic, esse hábito pode causar engasgo e aspiração do pó para as vias respiratórias, com risco até de pneumonia aspirativa.>
O problema não para aí. O National Capital Poison Center afirma que, sem diluição, o organismo recebe de uma vez uma carga alta de cafeína e outros estimulantes. Isso pode provocar palpitações, dor no peito, tremores, tontura e falta de ar, sobretudo em quem já tem problema cardíaco ou pulmonar.>