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Ana Beatriz Sousa
Publicado em 16 de abril de 2026 às 12:28
Se você convive com crianças ou adolescentes, ou usa as redes sociais, certamente já ouviu um 'six-seven' (ou 'meia-sete') dito de forma cantada, acompanhado de um movimento de mãos que parece carregar algum objeto invisível. O que para os adultos pode soar como algo sem sentido, para a Geração Alfa é o ápice do humor. O fenômeno é tão grande que o número foi eleito a "palavra do ano" de 2025 pelo Dictionary.com. >
O meme surgiu na música 'Doot Doot', do rapper norte-americano Skrilla. Na letra, a repetição do numeral "6-7" faz referência a uma rua da Filadélfia. Porém, como acontece com quase tudo nas redes sociais, o TikTok viralizou o áudio e deu a ele um sentido completamente novo.>
Meme "6 7" viralizou em todo o mundo
A popularidade veio através do basquete. Primeiro, com edições de vídeo do astro da NBA LaMelo Ball que, por coincidência, mede exatamente 6 pés e 7 polegadas (cerca de 2,01m). Depois, o vídeo de um menino comemorando um ponto em uma partida escolar com a dancinha característica alavancou o meme.>
O "six-seven" se tornou um teste de paciência para educadores no Brasil. Basta um professor pedir para abrir o livro na página 67 ou citar o número seis em uma conta de matemática para que a explicação seja interrompida por coreografias e sussurros sincronizados.>
Para Paulo Carvalho, assessor pedagógico do Currículo Be, o meme é um desafio de gestão. "Se o educador não souber administrar e usar isso como estratégia de relacionamento, a aula trava", explicou ao jornal O Globo. O que assusta é a longevidade da trend. Enquanto a maioria dos virais dura semanas, o "67" já faz barulho há meses, migrando dos adolescentes do Fundamental 2 para crianças de apenas 6 anos no Fundamental 1.>
O meme é classificado como "brain rot" (cérebro podre), um tipo de conteúdo hiperestimulante, repetitivo e sem sentido lógico. Embora pareça inofensivo, especialistas acendem o alerta. Muitas vezes, o áudio original ou os vídeos relacionados (como os de frutas falantes que circulam na rede) escondem mensagens pesadas sobre violência e comportamentos tóxicos que acabam sendo normalizados pelas crianças através da repetição robótica.>
Além disso, a "robotização" dos estudantes preocupa quem estuda alfabetização. O acesso desenfreado às telas está moldando uma geração que se comunica por códigos virais, dificultando a concentração e a conexão profunda com o aprendizado tradicional. No Brasil, o sucesso é tanto que já inspirou até músicas próprias, como o hit de Laurinha Costa, que narra justamente uma equação escolar cujo resultado é o fatídico número.>