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Fernanda Varela
Publicado em 19 de maio de 2026 às 14:42
Um estrondo tão poderoso que atravessou oceanos, foi ouvido a quase 5 mil quilômetros de distância e fez a própria atmosfera vibrar por dias. Parece roteiro de filme apocalíptico, mas aconteceu de verdade. Em 27 de agosto de 1883, o vulcão Krakatoa protagonizou a explosão considerada até hoje o som mais alto já registrado na história moderna da Terra. >
Vulcão Krakatoa
Localizado no Estreito de Sunda, entre as ilhas de Java e Sumatra, na Indonésia, o vulcão entrou em erupção de forma tão violenta que especialistas estimam que o som tenha alcançado impressionantes 310 decibéis. Para comparação, uma conversa comum tem cerca de 60 dB, um show de rock chega a 120 dB e o rompimento do tímpano humano acontece acima dos 160 dB. Até a bomba atômica de Hiroshima teria atingido cerca de 240 dB. >
O número é tão extremo que ultrapassa os próprios limites físicos da acústica tradicional. Cientistas explicam que, acima de 194 decibéis, o som deixa de existir como conhecemos e passa a se comportar como uma verdadeira parede de ar comprimido, uma onda de choque atmosférica. Por isso, os 310 dB atribuídos ao Krakatoa são uma estimativa baseada na pressão colossal gerada no epicentro da explosão. >
A propagação do estrondo também impressiona até hoje. Relatos históricos indicam que o barulho foi ouvido a cerca de 4.800 quilômetros de distância, incluindo na ilha de Rodrigues, no Oceano Índico. Especialistas comparam a situação a alguém em São Paulo conseguir ouvir claramente uma explosão ocorrida em Manaus. >
Além do som devastador, a erupção provocou uma onda de pressão tão intensa que ela deu entre três e quatro voltas completas ao redor da Terra. Instrumentos meteorológicos da época registraram pulsos atmosféricos durante quase cinco dias seguidos. Cada volta levava aproximadamente 36 horas para ser concluída. >
O desastre também deixou um saldo humano devastador. Mais de 36 mil pessoas morreram, a maioria vítima dos tsunamis gigantescos provocados pela explosão, alguns ultrapassando 40 metros de altura. >
As consequências foram sentidas até no clima mundial. A gigantesca nuvem de cinzas lançada na atmosfera bloqueou parte da luz solar e derrubou a temperatura média global em cerca de 0,8 °C. O ano de 1884 acabou ficando conhecido em partes do hemisfério norte como “o ano sem verão”. >
Mesmo mais de um século depois, o Krakatoa continua sendo monitorado por cientistas e órgãos internacionais. A região do Estreito de Sunda segue considerada estratégica para o comércio mundial, especialmente para transporte de petróleo, gás natural e outras commodities. Hoje, redes de satélites e boias da NOAA acompanham qualquer atividade vulcânica na área em tempo real. >