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País descobre tesouro subterrâneo e reacende corrida por minerais estratégicos: 'Não dependeremos mais da China'

Indícios de um megadepósito de terras raras perto de Minami Torishima aceleram a corrida por minerais estratégicos e podem reduzir a dependência japonesa da cadeia dominada pela China

  • Foto do(a) author(a) Agência Correio
  • Agência Correio

Publicado em 14 de fevereiro de 2026 às 15:00

Amostras coletadas a mais de 6.000 metros no Pacífico, perto de Minami Torishima, podem indicar um grande depósito de terras raras e reforçar a busca do Japão por independência da China
Amostras coletadas a mais de 6.000 metros no Pacífico, perto de Minami Torishima, podem indicar um grande depósito de terras raras e reforçar a busca do Japão por independência da China Crédito: Foto: Batholith/Wikimedia Commons

O Japão deu um passo incomum na corrida por minerais estratégicos ao recolher amostras em águas ultraprofundas, a mais de 6.000 metros, nas proximidades da remota ilha de Minami Torishima, no Pacífico.

As análises preliminares apontam para a possível existência de um depósito expressivo de terras raras, grupo de metais essencial para a indústria moderna.

Minerais foram encontrados perto da ilha de Minami Torishima, no Pacífico por Reprodução | Profile of the Minamitorishima Island

Se a presença e o volume forem confirmados, Tóquio pode ganhar uma carta valiosa em um momento de tensão geopolítica crescente.

A dependência japonesa da China, hoje dominante no processamento e na exportação desses materiais, é uma fragilidade conhecida para o país, especialmente quando a cadeia global de tecnologia sofre com disputas e oscilações de preço.

Por que terras raras viraram tema de poder

Chamadas de “terras raras”, essas matérias-primas entram no coração de produtos de alta tecnologia. Elas ajudam a viabilizar desde microchips até componentes de carros elétricos, além de aplicações em lasers e dispositivos eletrônicos.

Por isso, quem controla a extração e, principalmente, processamento desses minerais costuma influenciar negociações internacionais.

A China ocupa esse papel com vantagem, concentrando grande parte da capacidade industrial ligada a esses metais, mesmo com outros países possuindo reservas relevantes.

A posição do Japão na disputa regional

O assunto ganha ainda mais peso porque o Japão participa de articulações na Ásia para conter a expansão chinesa, como o Quad, ao lado de Estados Unidos, Índia e Austrália.

Ao mesmo tempo, o país mantém relações econômicas intensas com a própria China, o que torna a dependência de insumos estratégicos um ponto delicado.

Nesse cenário, um depósito dentro de uma área sob controle japonês representaria mais margem de manobra para o governo em Tóquio, reduzindo riscos de gargalos na indústria em caso de crise diplomática ou comercial.

A discussão também se conecta ao tabuleiro dos microchips avançados, hoje altamente sensível por causa de Taiwan. Qualquer ameaça de instabilidade na região amplia o valor de cadeias alternativas de suprimentos, inclusive de minerais críticos.

O que foi encontrado no fundo do mar

A coleta foi feita por um navio de perfuração em mar profundo perto de Minami Torishima.

As estimativas iniciais sugerem que a área pode abrigar até 16 milhões de toneladas métricas de materiais associados a terras raras, com destaque para elementos como diprósio e ítrio.

São componentes muito procurados por indústrias que dependem de desempenho e miniaturização, como a de celulares e eletrônicos, e por setores em expansão, como o de veículos elétricos.

Segundo o porta-voz do governo japonês, Kei Sato, o material recolhido ainda passará por checagens mais detalhadas.

“A amostra será submetida a uma análise detalhada, incluindo a quantidade precisa de elementos raros que contém [...] Uma conquista significativa em termos de segurança econômica e desenvolvimento de capacidades marítimas”, disse ao Le Monde.

Se os números se confirmarem, o Japão pode estar diante de uma mudança de patamar na disputa global por minerais críticos, com impacto direto na indústria, na diplomacia e no equilíbrio regional no Pacífico.