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Pesquisadores detectam pela 1ª vez microalga que produz toxinas em peixes e intoxicação grave em quem comer

Estudo confirma expansão de microalga associada à ciguatera no Mediterrâneo peninsular

  • Foto do(a) author(a) Agência Correio
  • Agência Correio

Publicado em 22 de janeiro de 2026 às 10:00

Pesquisa reforça importância do monitoramento de algas tóxicas para proteger a segurança alimentar.
Pesquisa reforça importância do monitoramento de algas tóxicas para proteger a segurança alimentar. Crédito: UNSPLASH

Equipes da Universidade de Alicante e da Universidade de Las Palmas de Gran Canaria registram pela primeira vez a presença de Gambierdiscus australes no Mediterrâneo peninsular. A microalga é associada à produção de ciguatoxinas em peixes.

As amostras foram recolhidas em diferentes pontos da costa de Dénia e Xàbia, no norte da província de Alicante. Os resultados revelam uma presença consistente da espécie ao longo de duas campanhas de amostragem em 2023.

Apesar do avanço científico, os pesquisadores destacam que as concentrações observadas ainda não configuram cenário de risco elevado. Os sistemas de vigilância permanecem como ferramenta central de prevenção.

Campanhas de campo e análise

O estudo foi desenvolvido a partir de duas campanhas realizadas em março e setembro de 2023. As coletas ocorreram em 12 estações distribuídas em seis áreas costeiras, incluindo pontos próximos e mais distantes da costa.

As abundâncias de Gambierdiscus australes variaram entre 20 e 140 células por litro. Esses dados foram reunidos no âmbito das rotinas de amostragem de fitoplâncton do Laboratório Marinho UA-Dénia.

Peixe-espada por Shutterstock

A descoberta foi corroborada pela revista Harmful Algae News, boletim da Comissão Oceanográfica Intergovernamental da UNESCO. A publicação é dedicada ao estudo de algas tóxicas e florações de algas em diferentes regiões do mundo.

O grupo de pesquisa conta com especialistas em ecologia marinha e ecofisiologia, ligados tanto à Universidade de Alicante quanto à Universidade de Las Palmas de Gran Canaria. A colaboração fortalece a robustez dos resultados.

Da microalga ao prato do consumidor

Segundo a Universidade de Alicante, o gênero Gambierdiscus inclui microalgas que geram ciguatoxinas. Essas substâncias podem se acumular em grande quantidade em determinadas espécies de peixes de consumo.

Quando esses peixes atingem o mercado sem controle adequado, o consumo pode provocar toxicidade em humanos. A ciguatera é justamente a forma de intoxicação associada a esse tipo de toxina marinha.

O pesquisador César Bordehore sublinha que, apesar da relevância da descoberta, “os consumidores podem ficar tranquilos”. Ele observa que as concentrações de células tóxicas encontradas “não são alarmantes”.

ilé de peixe grelhado com legumes (Imagem: KarepaStock | Shutterstock) por Imagem: KarepaStock | Shutterstock

Bordehore lembra ainda que a espécie austral, dentro do gênero Gambierdiscus, “não está entre as mais tóxicas”. A avaliação técnica é usada para orientar as decisões ligadas à segurança alimentar.

Aquecimento global e novos cenários

De acordo com o pesquisador, a presença da microalga no Mediterrâneo pode estar relacionada ao aumento da temperatura do mar. A espécie tem origem em águas tropicais quentes e encontra condições favoráveis na região em aquecimento.

Ele acrescenta que “para uma espécie marinha, um aumento de um grau na temperatura faz toda a diferença”. Essa mudança pode ser o fator decisivo para colonizar novas áreas que antes eram inacessíveis pela baixa temperatura da água.

Bordehore afirma que “devemos prestar muita atenção a esse monitoramento”. O objetivo da equipe é informar as autoridades competentes e apoiar a adoção de medidas necessárias para manter a segurança alimentar ao longo do tempo.

O trabalho confirma a expansão da distribuição de Gambierdiscus nas águas mediterrâneas da Península Ibérica. Com isso, reforça-se a necessidade de programas específicos de vigilância do fitoplâncton bentônico potencialmente tóxico.