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Saúde mental em jogo: 41% dos atletas profissionais enfrentam transtornos e falta de apoio nos clubes

Consequências de longo prazo para quem não recebe acompanhamento

  • Foto do(a) author(a) Agência Correio
  • Agência Correio

Publicado em 11 de outubro de 2025 às 16:00

Rebeca Andrade
Rebeca Andrade sempre fala sobre importância da saúde mental Crédito: Reprodução

A saúde mental no esporte vem se mostrando um desafio crítico: estudo da PUC do Rio Grande do Sul, em parceria com o Comitê Olímpico do Brasil (COB), aponta que 41% dos atletas de alto rendimento no país enfrentam algum tipo de transtorno psicológico.

Um homem que viveu 31 anos consecutivos em um único episódio depressivo, sem qualquer período de remissão, voltou a sentir alegria por Shutterstock

Entre os problemas mais comuns estão insônia, depressão, ansiedade e uso de álcool, demonstrando que o cuidado com a mente deve ter a mesma prioridade que o preparo físico.

Além disso, o levantamento evidencia que muitos clubes ainda não possuem suporte psicológico estruturado. Especialistas reforçam que o acompanhamento da saúde mental deveria começar já nas categorias de base, prevenindo problemas futuros e garantindo o bem-estar dos atletas ao longo de toda a carreira.

Um homem que viveu 31 anos consecutivos em um único episódio depressivo, sem qualquer período de remissão, voltou a sentir alegria por Shutterstock

Pressões e transtornos enfrentados pelos atletas

Segundo o estudo, 23% dos atletas relatam dificuldade para dormir, 14,6% convivem com episódios de depressão e 13,5% sofrem com ansiedade. Outros problemas identificados incluem o uso de álcool (15%) e drogas (5%). Esses dados mostram que, além das exigências físicas e de desempenho, os atletas lidam com impactos significativos em sua saúde mental.

Os transtornos alimentares também aparecem com relevância, evidenciando a complexa relação entre corpo, imagem, alimentação e desempenho esportivo. Esses problemas vão muito além de estresse momentâneo, afetando sono, hábitos, equilíbrio emocional e até o uso de substâncias, impactando diretamente rendimento e qualidade de vida.

Falta de apoio psicológico nos clubes

A pesquisa revela que seis dos 20 clubes da Série A do Campeonato Brasileiro não contam com departamento de psicologia. Isso deixa os atletas vulneráveis a pressões externas, lesões e oscilações de desempenho sem acompanhamento profissional para gerenciar ansiedade, frustrações e desmotivação.

Psicólogos esportivos reforçam que a assistência deve ser contínua, desde as categorias de base, para fortalecer resiliência, autoestima e capacidade de lidar com obstáculos. Sem esse suporte, há maior risco de agravamento dos transtornos mentais, prejudicando tanto a carreira quanto a vida pessoal dos atletas.

Exemplos e iniciativas de conscientização

Entre as ações de destaque, Raphael Veiga utilizou o número “188” — telefone do Centro de Valorização da Vida (CVV) — em partida do Brasileirão para alertar sobre a importância da saúde mental. A iniciativa teve grande repercussão, alcançando torcedores, mídia e redes sociais, e reforçou a visibilidade da causa.

Em clubes de base, psicólogos promovem atividades coletivas para desenvolver habilidades socioemocionais, preparando jovens atletas para lidar com pressão, frustração e incertezas. O objetivo é formar não apenas atletas tecnicamente qualificados, mas também emocionalmente preparados.

Consequências duradouras e necessidade de acompanhamento contínuo

A falta de suporte psicológico consistente pode gerar efeitos prolongados: distúrbios do sono, depressão, ansiedade, dependência de substâncias e transtornos alimentares tendem a se perpetuar sem tratamento adequado. Para o atleta, isso afeta tanto a performance quanto a vida pessoal, prejudicando relacionamentos e recuperação física.

Especialistas ressaltam que a saúde mental deve ser prioridade permanente, incorporada à rotina do atleta e dos clubes. Ações como acompanhamento psicológico contínuo, práticas de relaxamento, metas realistas e preparo emocional são essenciais para manter equilíbrio, rendimento e qualidade de vida.