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Agência Correio
Publicado em 23 de fevereiro de 2026 às 12:26
Você já apertou o botão 1,5x ou 2x para “ganhar tempo” ao assistir a um vídeo ou ouvir um áudio? O que parece um simples ajuste pode estar mudando a forma como seu cérebro funciona. >
Com a rotina cada vez mais corrida, acelerar conteúdos virou hábito. Plataformas de streaming, redes sociais e aplicativos de mensagens oferecem a opção de reprodução mais rápida como promessa de produtividade. >
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A ideia é clara: consumir mais em menos tempo. Mas o chamado speedwatching pode ter efeitos que vão além da economia de minutos.>
O fenômeno ganhou força à medida que a internet passou a concentrar um volume quase infinito de informações. Diante da sensação de que é impossível acompanhar tudo, usuários passaram a buscar atalhos.>
O YouTube foi o pioneiro ao lançar o controle de velocidade de reprodução, em 2010. Anos depois, em 2020, a Netflix incorporou a função ao seu catálogo, ampliando o alcance da prática. Em 2021, o WhatsApp também liberou a opção de acelerar áudios, o que ajudou a popularizar de vez o recurso.>
Hoje, assistir séries, aulas, entrevistas e até ouvir mensagens em velocidade acelerada virou rotina para muita gente.>
Segundo o psicólogo Mário Glória Filho, em entrevista ao Jornal da USP, quanto mais a pessoa acelera um conteúdo, maior a chance de se sentir entediada e insatisfeita. A experiência perde envolvimento e profundidade.>
Isso acontece porque o cérebro precisa processar uma quantidade maior de informações em menos tempo. Esse esforço extra pode gerar sobrecarga cognitiva. Entre as possíveis consequências estão:>
Quando esse padrão se repete com frequência, o cérebro começa a se adaptar à velocidade elevada. >
De acordo com a professora Flávia Marucci, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, essa adaptação pode dificultar a atenção em conteúdos mais lentos e prejudicar a memória.>
Em outras palavras, o cérebro passa a “esperar” estímulos rápidos e intensos. Quando eles não chegam nesse ritmo, surge a sensação de tédio ou dispersão.>
Assistir a um vídeo em 1,5x ou 2x de forma pontual dificilmente trará grandes prejuízos. O problema está no hábito constante, principalmente quando ele se soma a uma rotina já marcada por pressa, excesso de telas e múltiplas tarefas ao mesmo tempo.>
Consumir entretenimento e informação em ritmo acelerado pode parecer produtivo, mas nem sempre significa absorver melhor. Em alguns casos, o efeito é o oposto: menos compreensão, menos memória e mais cansaço.>
Antes de apertar o botão de acelerar, vale a pergunta: você está realmente ganhando tempo ou apenas treinando seu cérebro para nunca desacelerar?>