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Felipe Sena
Publicado em 24 de outubro de 2025 às 19:20
Durante a mesa “Desafiar”, realizada no segundo dia da FLICA 205, a jornalista, política e ativista feminista Manuela d’Ávila, usou o momento para refletir sobre feminismo, igualdade de gênero, além da importância de transformar o espaço público em um lugra seguro e inclusivo para as mulheres. >
Cíntia Chagas
O momento acendeu ainda o debate entre a jornalista e a influenciadora digital e professora de Língua Portuguesa, Cíntia Chagas, que aconteceu nesta semana durante o GloboNews Debate.>
O debate casa justamente com o que foi defendido por Manuela d’Ávila durante o evento. Durante a discussão sobre linguagem neutra, Cíntia Chagas usou um dos momentos finais do debate para afirmar que acredita que a forma de se relacionar a pessoas não-binárias é uma “aberração linguística”.>
Segundo a influenciadora, que ficou conhecida nas redes sociais, por interpretar uma personagem elitista e classista, a Academia de Letras da França divulgou algo como: “frente a essa aberração linguística, a língua francesa corre perigo mortal”.>
Em contrapartida, Manuela d’Ávila rebateu que não é apenas uma questão de linguagem neutra. “O teu erro, é tu achares primeiro que a língua é a de Camões, porque de lá para cá, existiram diversas pessoas que fizeram da língua portuguesa, uma língua que nós utilizamos hoje, e 1,5% de pessoas que são as que mais morrem no nosso país, que tem uma expectativa de vida de 32 anos, podem ser ouvidos”, disse a política sobre a fala de Cíntia e citando dados por alto.>
Voltando para seu discurso na FLICA, Manuela destacou que a luta feminista necessitaser coletica e politizada. “É preciso transformar o feminismo num instrumento de luta política. Esse feminismo que nos engaja em um projeto de transformação radical, de emancipação de todas nós”, afirmou.>
Manuela ainda destacou as críticas que sofreu, e acredita que isso é fruto da caricatura construída sobre o feminismo e sobre mulheres públicas. “Nada do que nós fazemos é capaz de superar a violência que sofremos individualmente, porque ela é coletiva. É uma sacanagem parecer que é sobre uma de nós quando é sobre todas as mulheres. O meu feminismo não é para reafirmar quem eu sou. A nossa luta é para mudar o mundo e não para ser feliz só”, reforçou a ativista.>
Vale lembrar que a luta feminista é também atravessada pelas pautas relacionadas as dicussões recentes sobre a linguagem neutra. A forma de comunicação evita a marcação de gênero nas palavras para incluir pessoas não-binárias e outras identidades de gênero. Ela serve para um discurso mais inclusivo e respeitoso, substituindo o masculino genérico e usando alternativas como “todes” ou a omissão da marcação de gênero.>
Em seu discurso, Cíntia Chagas, que esteve envolvida em polêmicas após seu último casamento, quando ela acusou o ex de agressão doméstica, pontua que a linguagem se trata, na verdade, de uma “pseudo inclusão”, e exclui “os surdos, os disléxicos e os autistas”.>
No entanto, num país como o Brasil em que os índices de feminicídio e violência contras pessoas LGBTQIAPN+ só cresce, não se trata apenas da linguagem, de acordo com Manuela, mas do respeito para pessoas constantemente rechaçadas, o que muitas vezes, nem isso lhes é considerado de direito socialmente.>