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Felipe Sena
Publicado em 16 de março de 2026 às 20:55
Um vídeo de 1987, do ator Wagner Moura, com apenas 11 anos, viralizou nas redes sociais e virou até gancho para propaganda de banco, com a presença do ator. A vitória do baiano com o prêmio de Melhor Ator no Festival de Cannes, na França, gerou comoção online e levou internautas a resgatarem um vídeo raro do artista ainda criança, o que aumentou ainda mais a comoção. >
O registro mostrava o ator em Rodelas, cidade do interior da Bahia onde nasceu. Na ocasião, Wagner comentava sobre a possível remoção da comunidade por causa da construção de uma garagem. "Tenho vontade de mudar não. Aqui é o lugar que a gente brinca, sempre se diverte, tem as coisas tudo aqui. Lá é tudo estranho para a gente", disse, em tom sincero e emocionado.>
Wagner Moura da vida real
A gravação, na época, foi feita para uma reportagem, quando o antigo município de Rodelas foi inundado no fim da década de 1980 após a construção de uma hidrelétrica no Rio São Francisco.>
A antiga cidade de Rodelas ficava a cerca de 500 quilômetros de Salvador. O município foi inundado após a construção da Usina Hidrelétrica de Luiz Gonzaga, conhecida anteriormente como Usina de Itaparica.>
Com o fechamento da comporta da barragem, concluída em 1988, a região foi alagada para a formação de um reservatório. Com isso, a população precisou deixar a cidade original e foi transferida para uma nova área. Assim surgiu a Nova Rodelas, construída em um ponto mais elevado próximo ao antigo centro urbano.>
Da cidade original, hoje restou apenas a caixa-d’água, que permanece visível acima do lago e se tornou símbolo da antiga comunidade. A formação do reservatório da hidrelétrica também provocou o alagamento de outras áreas da região.>
Entre os municípios afetados estão Barra do Tarrachil, na Bahia; Petrolândia, em Pernambuco e Itacuruba, também em Pernambuco. A história da antiga Rodelas e das cidades inundadas se tornou símbolo das transformações provocadas pelas grandes obras no Rio São Francisco.>
Em Rodelas, Wagner Moura teve os primeiros contatos com o teatro, ainda criança, em 1987. O ator participou de apresentações do grupo amador Guterchaplin, que segue ativo na cidade. A estreia aconteceu na peça “A Profecia”, um auto de Natal encenado nas ruas do município.>
Wagner ainda participou da montagem “A Estrela”, antes de se mudar para Salvador no início de 1990.>
Quando se mudou para a capital baiana, Wagner aprofundou o conhecimento pelas artes cênicas, e aos 16 anos, começou a atuar em produções teatrais locais. Pouco tempo depois, recebeu o Prêmio Braskem de Teatro na categoria revelação. O artista ainda se destacou pela atuação na peça “Abismo de Rosas”, dirigida por Fernando Guerreiro.>
Lázaro Ramos e Wagner Moura
Ainda em Salvador, Wagner se formou em jornalismo na Faculdade de Comunicação da UFBA, e chegou a trabalhar com repórter na TV antes de consolidar sua carreira nos palcos. O reconhecimento veio em 2000, com a peça “A Máquina”, de Adriana Falcão e João Falcão, quando dividiu palco com Lázaro Ramos, um dos seus melhores amigos.>
Wagner também se destacou por produções como os filmes “Tropa de Elite”, “Saneamento Básico”, “Carandiru”, “Cidade Baixa” e “Ó, Paí, Ó”, além da novela “Paraíso Tropical”, onde ver par romântico com Camila Pitanga, como o icônico casal Olavo e Bebel.>