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Best-seller de Pedro Bandeira ensina a entender e valorizar a democracia

Clássico A Droga da Obediência ganha reedição atualizada e versão em quadrinhos

  • Foto do(a) author(a) Doris Miranda
  • Foto do(a) author(a) Estadão
  • Doris Miranda

  • Estadão

Publicado em 8 de dezembro de 2025 às 06:00

Aos 83 anos, Pedro Bandeira tem mais de 100 livros publicados
Aos 83 anos, Pedro Bandeira tem mais de 100 livros publicados Crédito: divulgação

Pedro Bandeira está sempre sorrindo. É uma marca dele (a outra é o bigode). Mas não foi sempre assim. “Hoje vivo de bem com o futuro do meu país e do mundo. Entre 1964 e 1985, eu não conseguia sorrir”, diz ele. Aos 83 anos, este santista que escolheu viver em um sítio, que já trabalhou com teatro e jornalismo e se tornou um dos autores brasileiros mais vendidos do Brasil, volta agora aos tempos em que não havia motivo para sorrir e se reencontra com seu primeiro livro, o clássico A Droga da Obediência.

Nascida justamente naquele contexto de regime militar, a obra foi revisada pelo autor, que também reescreveu algumas passagem de seu maior best-seller para garantir que a nova geração vai entender seu recado. Um recado que ele já passou para os pais, tios e professores desses novos jovens leitores - afinal, quem cresceu no Brasil de 1984, quando o livro foi lançado, para cá, certamente conhece Os Karas.

Versão em quadrinhos de A Droga da Obediência por divulgação

Miguel, Calu, Crânio, Magrí e Chumbinho, cinco estudantes se veem diante de uma conspiração internacional liderada pelo Doutor Q.I., que quer subjugar a humanidade por meio de uma droga que acaba com a vontade própria. Quando a turma descobre isso, a tal droga já está sendo usada por estudantes de escolas de elite de São Paulo. Esse é o enredo de A Droga da Obediência, o livro que inaugurou a série Os Karas e que ganha desdobramentos a partir de agora.

O lançamento da nova edição, com projeto gráfico renovado, novas ilustrações, trechos reescritos e uma tiragem limitada em capa dura, chega às vésperas de outro lançamento: A Droga da Obediência em Quadrinhos. A HQ, fruto do trabalho de Felipe Pan, Olavo Costa e Mariane Gusmão, foi apresentado neste domingo (7) na CCXP, em São Paulo. E, conforme já tinha sido anunciado, a série Os Karas vai ser adaptada para produções audiovisuais, incluindo um filme que, segundo o autor, já em fase de pré-produção.

O que muda

Quem leu o livro décadas atrás não deve ter guardado os detalhes da história, mas provavelmente se lembra de procurar algum número nas enormes listas telefônicas. Foi numa lista dessas que o bioquímico Márius Caspérides foi encontrado em A Droga da Obediência. Agora, para chegar até ele, os personagens simplesmente fizeram uma pesquisa no Google.

Outro trecho alterado pelo autor nesta nova edição mostra como a vida ficou mais simples - pelo menos no que diz respeito à comunicação. Nas edições passadas, o leitor encontrava o seguinte parágrafo: “Miguel sentia-se cansado e faminto quando desceu do ônibus e procurou um telefone público. O único que encontrou estava depredado por algum vândalo, como há tantos em São Paulo. Acabou entrando em uma lanchonete e pediu para telefonar. Procurou na lista o telefone do Chumbinho, pelo sobrenome do garoto. O sobrenome era meio raro e só havia um na lista”.

Hoje está assim: “Miguel sentia-se cansado e faminto quando desceu do ônibus e logo ligou para a casa de Chumbinho”. Pedro Bandeira explica: “Revisitei o texto integralmente, substituindo referências que ficaram no passado e ajustando detalhes de continuidade, mas sem abrir mão da essência do livro”.

Uma essência que é de amizade, de aventura, de enfrentamento. “Escrevi A Droga da Obediência em 1982, no finzinho da ditadura. Eu tinha 20 anos quando derrubaram o arremedo de democracia que tínhamos e já tinha 40 quando a ditadura foi embora. Assim, toda minha vida profissional, quer como jornalista quer como ator de teatro, foi perseguida pela censura. Tive peças proibidas às vésperas da estreia e fui censurado algumas vezes como jornalista e redator”, conta ele, que foi contemporâneo e conterrâneo de Plínio Marcos e de Pagu.

Liberdade de expressão

Apesar de ser uma história de investigação escrita sobre (e para) crianças que viviam num mundo analógico - e para quem a ideia de modernidade, de um futuro tecnológico, era sonhada diante da TV com os Jetsons, a obra é atual. E este é o recado que o autor tem dado a todas essas gerações que leram e tornaram A Droga da Obediência um sucesso com 4 milhões de exemplares vendidos.

“A desobediência é o berço da democracia, da igualdade de direitos, da liberdade de palavra e da imprensa. O Brasil só tem isso desde a redemocratização do final dos anos 80 do século passado. E, apesar de várias investidas dos autoritários, a democracia resiste no meu país. Não quero que os jovens de hoje passem pelo horror que já vivi”, afirma Pedro, que já lançou mais de 100 livros e vendeu um total de 20 milhões de exemplares.

Tags:

Literatura