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Márcia Luz
Gabriela Cruz
Publicado em 21 de fevereiro de 2026 às 08:37
Durante décadas, a Coreia do Sul foi reconhecida por sua força industrial e tecnológica. Hoje, porém, um de seus ativos mais estratégicos é intangível: sua indústria cultural. O K-drama tornou-se um dos pilares centrais da chamada Hallyu, a ‘onda coreana’, e desempenha papel determinante na consolidação do país como potência criativa global.>
Nos últimos anos, produções coreanas passaram a figurar de maneira recorrente entre os conteúdos mais assistidos em plataformas como Netflix, Viki e Disney+. Séries como Squid Game, Pousando no Amor e Se a Vida te der Tangerinas, ultrapassaram barreiras linguísticas e culturais, provando que o melodrama, o thriller psicológico, o romance contemporâneo e até narrativas jurídicas podem dialogar com públicos de contextos completamente distintos. O audiovisual sul-coreano não apenas exporta séries: exporta estética, comportamento, moda, trilhas sonoras, tendências de beleza e turismo.>
Nesse ecossistema, as atrizes ocupam um papel central. São elas que encarnam as tensões sociais, os dilemas contemporâneos e as transformações geracionais que o K-drama vem retratando com sofisticação crescente. A seguir, um panorama de 15 atrizes de diferentes gerações que vêm se destacando nesse universo, seja pela força dramática, pelo impacto internacional ou pela capacidade de transitar entre televisão, cinema e moda.>
Atrizes sul-coreanas
Youn Yuh-jung>
Youn Yuh-jung é uma das figuras mais respeitadas do audiovisual sul-coreano, com carreira iniciada nos anos 1960 e consolidada internacionalmente após vencer o Oscar por “Minari”. Nos últimos anos, ampliou ainda mais sua projeção global ao integrar o elenco de “Pachinko”, série de duas temporadas da Apple TV+ baseada no best-seller homônimo, que acompanha a trajetória de uma família coreana ao longo de gerações entre a Coreia e o Japão. Na produção, Youn interpreta a versão mais velha de Sunja, personagem central da narrativa. Conhecida por dar vida a mulheres fortes, irônicas e moralmente complexas, Youn atravessa cinema, televisão e streaming com a mesma autoridade. Em 2026, voltou ao centro do debate cultural ao estampar a capa da Vogue Korea, reafirmando seu status como ícone geracional. >
Song Hye-kyo>
Song Hye-kyo é um dos rostos mais emblemáticos da Hallyu e ajudou a consolidar o K-drama como produto de exportação cultural desde os anos 2000. A atriz reforçou esse status com “Descendentes do Sol”, fenômeno que ampliou o alcance internacional do gênero e a transformou em referência global de protagonista romântica. Nos últimos anos, porém, Song reposicionou sua imagem com uma guinada mais sombria e psicológica em “A Lição”, série em que interpreta uma mulher marcada pela violência escolar e movida por um plano de vingança meticuloso. O papel exigiu contenção, densidade emocional e um tipo de presença em cena menos idealizada, sinal claro de uma transição estratégica para personagens mais adultas, complexas e alinhadas ao momento atual do K-drama, que tem explorado com mais força temas como trauma, poder e reparação.>
Kim Go-eun>
Kim Go-eun ganhou projeção global com “Goblin”, mas sua carreira vai além do romance fantástico. Em “O Preço da Confissão”, mostrou habilidade em narrativas de suspense social, reforçando seu domínio técnico e emocional. Com sólida formação cinematográfica, transita entre o mainstream televisivo e o cinema autoral – vale assistir “Sintonizada em Você” (Netflix), sendo vista como uma atriz de longo prazo, alguém cuja maturidade artística deve acompanhar o crescimento qualitativo do próprio K-drama. >
IU >
IU (Lee Ji-eun) é um caso raro de artista que chega ao topo da música e, ainda assim, conquista respeito como atriz em papéis exigentes. “My Mister” já havia mostrado seu potencial dramático; mais recentemente, ela viveu um de seus momentos de maior projeção mundial com “Se a Vida te Der Tangerinas”, minissérie da Netflix que virou um dos trabalhos mais comentados da fase recente do K-drama e reforçou sua capacidade de atuar com delicadeza e densidade emocional ao lado de outro ídolo sul-coreano, o ator Park Bo-gum. >
Bae Suzy>
Bae Suzy iniciou a carreira como integrante do grupo feminino Miss A. A transição para a atuação começou com “Dream High” (2011) e ganhou força com “O Livro da Família Gu” (2013), que consolidou sua imagem como protagonista romântica. O alcance internacional veio com “Apaixonados Incontroláveis” (2016) e “Enquanto Você Dormia” (2017), títulos amplamente consumidos via streaming. Em Vagabond (2019), explorou um registro mais sério no thriller político distribuído globalmente pela Netflix. Logo vieram “Start-Up” (2020), um dos dramas coreanos mais assistidos da Netflix naquele ano, “Anna” (2022), papel mais psicológico e ambíguo, “Doona!” (2023), no qual vive uma ex-idol tentando levar uma vida longe dos holofotes, e “Gênio dos Desejos”, um romance de fantasia.>
Jisoo>
Depois de estrear como protagonista em “Snowdrop”, Jisoo segue ampliando seu caminho na atuação em um mercado que acompanha cada movimento seu com lupa, justamente por ela ser um dos rostos mais reconhecidos da cultura pop global via BLACKPINK. O próximo grande marco é “Namorado por Assinatura”, que estreia em 6 de março na Netflix. O que se espera dela é um ganho de maturidade interpretativa: escolhas que, com o tempo, façam o público reconhecer a atriz para além da cantora e ícone fashion.>
Park Eun-bin>
Park Eun-bin virou referência global recente por “Advogada Extraordinária”, que vai ganhar uma segunda temporada, fato incomum nas produções sul-coreanas. A força da atriz está em construir personagens com gestos pequenos e intenção clara, fazendo a emoção aparecer sem precisar de sublinhado. Ela tem histórico de televisão desde criança, e isso aparece no domínio de timing e na capacidade de sustentar cenas longas, sobretudo em dramas mais “de personagem” do que de ação. >
Park Min-young>
Park Min-young ajudou a estabelecer o “padrão” de comédia romântica elegante, com protagonista feminina assertiva e narrativa de trabalho/amor, como em “O que há de Errado com a Secretária Kim” e “A Esposa do Meu Marido”. O mérito da atriz está em saber equilibrar leveza com ritmo, mantendo o personagem vivo mesmo quando a história opera com convenções do gênero. >
Park So-dam>
Park So-dam carrega o prestígio de ter integrado o vencedor do Oscar “Parasita”, mas sua relevância para o ecossistema do K-drama está justamente no trânsito entre cinema e televisão. Ela tem um tipo de presença que funciona bem em narrativas com tensão social: personagens que parecem discretos, mas são essenciais para o retrato de classe e de ambição, como a maquiadora de “Passarela dos Sonhos”. A atriz passou um tempo fora das produções para tratar de um câncer na tireoide. >
Park Shin-hye>
Park Shin-hye é sinônimo de consistência. Ela atravessou fases distintas do K-drama, dos romances adolescentes aos dramas de maior apelo internacional, e construiu uma imagem de protagonista confiável, com forte reconhecimento fora da Coreia. Seu diferencial é a estabilidade: ela sustenta a jornada emocional do personagem e entrega “química” com elenco sem perder individualidade. Ela pode ser vista nos dramas “Herdeiros”, “Pinóquio”, “You’re Beautiful” e “Médicos em Colapso”.>
Kim Ji-won>
Kim Ji-won construiu uma trajetória sólida que vai do drama juvenil ao protagonismo absoluto em grandes produções. Ganhou visibilidade internacional com “Descendentes do Sol” e consolidou seu carisma romântico em “Lutando pelo meu Caminho”. O ponto de virada definitivo veio com “Rainha das Lágrimas”, um dos maiores sucessos recentes da televisão coreana e da Netflix globalmente. Hoje, a atriz ocupa posição central na indústria, consolidando-se como um dos nomes mais consistentes da sua geração no K-drama contemporâneo.>
Yoona>
Im Yoon-ah, conhecida artisticamente como Yoona, construiu uma das transições mais sólidas do K-pop para a dramaturgia. Integrante do icônico Girls' Generation, atua desde 2007, mas o sucesso global veio com “Sorriso Real”, fenômeno da Netflix que reforçou seu apelo nas comédias românticas. Em 2025, brilhou novamente em “Bon Appétit, Vossa Majestade”, interpretando uma chef premiada que viaja no tempo até a era Joseon, papel que exigiu preparação culinária e ampliou sua versatilidade em romances históricos com fantasia. >
Kim Da-mi>
Kim Da-mi representa uma geração de protagonistas menos idealizadas e mais psicológicas dentro do K-drama contemporâneo. Ela ganhou projeção internacional com “Itaewon Class”, no papel de Jo Yi-seo, influencer emocionalmente ambígua e distante do arquétipo da heroína dócil tradicional. A personagem se tornou um marco de representação feminina mais assertiva e calculista na televisão coreana recente. Após o sucesso da série, ampliou sua presença na TV com “Nosso Eterno Verão”, romance contemporâneo distribuído globalmente pela Netflix. A série mostrou uma faceta mais contida e emocionalmente vulnerável da atriz, reforçando sua capacidade de sustentar narrativas mais intimistas.>
Han So-hee>
Han So-hee se firmou como um dos nomes mais versáteis da nova geração ao transitar com segurança entre romance e ação intensa. Em “Apesar de Tudo, Amor”, explorou um registro mais intimista e emocionalmente ambíguo; já em “My Name”, assumiu protagonismo físico em uma narrativa de vingança, provando que o K-drama contemporâneo também reserva espaço para personagens femininas duras, estratégicas e movidas por conflito interno. Esse movimento ganhou escala internacional com “A Criatura de Gyeongseong”, produção da Netflix de duas temporadas, em que atua ao lado de Park Seo-joon. Fora da televisão, sua participação no videoclipe de “Seven”, single solo de Jungkook, expandiu ainda mais sua visibilidade internacional. >
Jung So-min>
Jung So-min construiu carreira sólida em dramas centrados em relações humanas, mas nos últimos anos ampliou seu alcance com produções de maior escala. Depois de se destacar em romances como “Porque Esta É Minha Primeira Vida”, assumiu papel central em “Alquimia das Almas”, fantasia histórica de grande orçamento exibida pela tvN e distribuída globalmente pela Netflix. Em 2023, voltou ao romance contemporâneo com “O Amor Mora ao Lado”, reforçando sua presença em histórias adultas e emocionalmente acessíveis. Já em 2024, estrelou “Mom’s Friend’s Son”, comédia romântica que dialoga diretamente com o público internacional do streaming e reafirma seu domínio do gênero.>