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Larissa Almeida
Publicado em 11 de janeiro de 2026 às 16:49
Nem a chuva rápida, nem o sol forte foram capazes de impedir que centenas de pessoas fizessem do anfiteatro do Parque da Cidade, localizado no Itaigara, um esquenta à altura de um evento pré-carnavalesco. Ao som da percussão, vocais e teclados da Banda Eva, o segundo dia do Festival do Parque começou antes mesmo do meio-dia. Por volta das 9h, já havia público fazendo fila para garantir o local mais próximo do palco enquanto aguardavam o horário do show. A espera, que durou mais do que o previsto por conta da chuva, foi recompensada quando as canções de axé dominaram o ambiente. >
No aniversário de 45 anos da banda, os artistas do Eva prepararam um repertório com músicas que marcaram as diferentes gerações do grupo, desde ‘Bota Pra Ferver’ e ‘Sol em Salvador’ até ‘Leva Eu’ e Minha Pequena Eva’. A cada novo arranjo, era como se um lembrete da proximidade do Carnaval chegasse para cada um na plateia, que fazia questão de jogar os braços de um lado para o outro, pular a cada comando de ‘sai do chão’ e entoar o coro musical. >
Com Banda Eva, veja como foi o Festival do Parque
Segundo Felipe Pezzoni, vocalista da banda, toda a apresentação foi além das expectativas. “Estávamos felizes de tocar pela primeira vez no Parque da Cidade e foi incrível. Ficamos com medo por conta da chuva, mas depois abriu um sol escaldante e todo mundo se jogou, curtiu, pulou junto com a gente. Esperamos que esse encontro seja o primeiro de muitos em 2026 e que possamos estar cada vez mais conectados com nossa família baiana e público soteropolitano”, destacou pós-show. >
A empolgação do público, descrita por Pezzoni, foi vista de qualquer ângulo do anfiteatro e a estudante Beatriz Ferreira, 21 anos, que saiu cedo de Pernambués para estar no Parque da Cidade às 9h, fez parte disso. Acompanhada pela mãe, ela contou que estava em busca de diversão que só uma banda de axé poderia proporcionar. >
“Queríamos ver uma coisa diferente hoje e quando soubemos que era a Banda Eva que ia tocar, que é uma banda que acompanhamos no Carnaval, decidimos vir. Gosto muito das músicas, da alegria, do axé. É a Bahia em sua essência”, disse. >
Para a advogada Cíntia Assunção, 45, aproveitar a programação inteira do festival foi a meta estabelecida em comum acordo com o marido. Os dois, banhados pela chuva, não perderam o pique e mantiveram a empolgação para os shows. >
“Nós queríamos nos divertir ao ar livre e ficamos sabendo da apresentação da Banda Eva e de Jau aqui, de forma gratuita. Encaramos como um presente, por conta desse clima de Carnaval em pleno verão. Para a gente, é como um ensaio da folia. Vamos ficar aqui o dia inteiro, até Jau cantar a última música”, garantiu. >
Em meio a plateia, havia também os mais prevenidos às mudanças do tempo de Salvador. Foi o caso da cuidadora de idosos Meire Santos, 48 anos, que, ao ver a previsão de pancadas de chuva e o calorão de 27 ºC, saiu de casa logo com um sombreiro e um cooler. “Aqui faz muito sol, então eu já vim equipada para a chuva e para o calor. Sou veterana, todo verão eu estou aqui com meu sombreiro. Além disso, trouxe um cooler com água e cerveja, que devem durar o dia todo até o show de Jau, que é a atração que mais quero ver”, contou. >
Além do anfiteatro, houve apresentação no gramado do Parque da Cidade, comandada pela banda DiDengo, que também fez sua estreia no local. De acordo com Biel, vocalista do grupo musical, o sentimento geral da equipe era de felicidade. “Nada é melhor do que tocar em um espaço público, que reúne todo tipo de gente e cultura. Tocar em um evento de manhã faz toda diferença, porque as pessoas vêm com peito aberto e essa é uma grande oportunidade de ser feliz mais um dia fazendo música”, frisou. >
O Festival do Parque também foi uma oportunidade para artesões e empreendedores de diferentes áreas, que ficaram alocados na Praça Pau-Brasil, na parte central do parque. Segundo Elisângela Reis, 31, que participa do evento pelo segundo ano consecutivo vendendo laços, bandanas, leques e tecidos para turbantes, o movimento estava sendo acima da média. >
“Normalmente, o primeiro dia não tem tanta gente, mas ontem tinha e hoje também já houve saída. Estou vendendo mais turbantes abertos e faixas prontas, porque facilitam a amarração no cabelo. Para mim, o evento tem sido de uma importância muito grande pela visibilidade. Em um momento como esse, em que o ano está começando, estamos conseguindo lançar novos produtos e gerar um incremento na renda que, no final do mês, será 50% a mais em comparação aos demais meses”, afirmou. >
Ainda na feira artesanal, o brechó Baianinha Tropical (@brechobaianinhatropi) levou para o evento a ideia de economia circular com peças focadas nos looks de verão, com preços entre R$ 5 e R$ 50. “Nosso interesse não é vender peça de brechó cara, justamente porque queremos que seja um movimento rotativo. É uma forma de visibilizar a moda consciente”, defendeu Ana Beatriz Viana, uma das responsáveis pelo brechó. >