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Moyses Suzart
Publicado em 20 de março de 2026 às 11:59
Entre risos e provocações, o espetáculo “A Revolta dos Pinguins – Uma Comédia Mal-Educada” retorna aos palcos de Salvador para sua terceira temporada, apostando no humor como ferramenta para discutir um tema urgente: as fragilidades do sistema educacional. Em cartaz entre os dias 7 de março e 4 de abril, sempre aos sábados, às 20h, no Teatro Molière, a montagem dirigida por Diogo Watanabe e escrita por Luciana Comin transforma conflitos escolares em uma comédia ácida que provoca reflexão sem abrir mão do riso. Um dos destaques na peça é Iara Colina, que carrega também um legado artístico: ela é neta do renomado artista Carybé, referência nas artes visuais e profundamente ligado à cultura baiana. Sem dúvida, ela puxou a veia artística do vô. >
Inspirada na chamada “Revolta dos Pinguins”, movimento estudantil que tomou as ruas do Chile em 2006, e também nas ocupações de escolas públicas no Brasil entre 2015 e 2016, a peça parte de um contexto real para construir sua narrativa. O nome faz referência aos estudantes chilenos, apelidados de “pinguins” por conta dos uniformes, e serve como ponto de partida para uma história que, embora cômica, dialoga diretamente com tensões contemporâneas da educação.>
Na trama, professores se reúnem em uma sala que deveria ser dedicada às artes, mas acabou transformada em depósito, para discutir um episódio grave ocorrido na escola. Entre rumores de ocupações estudantis, confronto com a direção, presença da polícia e até sangue, os personagens se veem diante de um dilema que atravessa a profissão: afinal, de que lado estão os professores em meio ao colapso do sistema? São alvos da revolta dos alunos ou aliados naturais nessa luta? A peça conduz o público por esse debate com leveza e ironia, explorando situações reconhecíveis para quem já vivenciou o ambiente escolar.>
O espetáculo é fruto do Coletivo-Coletivo, núcleo de pesquisa do Grupo TECA Teatro, que há mais de duas décadas atua na produção cultural, formação artística e investigação de linguagens cênicas na Bahia. A montagem integra o projeto “1,2,3 Salve Todos”, iniciativa desenvolvida em 2025 com foco na educação como eixo temático, que também deu origem a outras produções do grupo.>
Primeira direção cênica de Diogo Watanabe, “A Revolta dos Pinguins” nasce de um processo colaborativo, característica central do coletivo, que aposta na horizontalidade criativa como método. O resultado é um espetáculo que mistura diferentes vozes e experiências, refletindo a complexidade do tema abordado.>
No elenco, nomes como Iara Colina, Igor Epifânio, Luciana Comin, Mano Leone, Myriam Galvão e Vanja Veridiano dão vida aos personagens que transitam entre o cômico e o crítico. >
“A peça surgiu a partir de um projeto do grupo Teca Teatro, que mantém um coletivo responsável pela gestão do Teatro Molière. Foi um trabalho construído sem recursos, baseado em pesquisa sobre juventude e educação realizada no ano passado. O resultado foi muito positivo e me deixa muito feliz, tanto que chegamos a esta terceira temporada”, disse Iara. >
A montagem aposta em elementos simples de cena para potencializar a atuação e o texto, com trilha sonora de Ilma Nascimento, iluminação de Cecília Vasconcelos e cenografia assinada por Gabriel Nascimento e Marconi Arap. O espaço único, a sala dos professores, funciona como microcosmo das tensões educacionais, permitindo que o público se reconheça nas situações apresentadas.>
Com ingressos a R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia), disponíveis na plataforma Sympla, o espetáculo também oferece meia-entrada para professores mediante comprovação. >
“A Revolta dos Pinguins” volta a Salvador com humor e reflexão sobre o sistema educacional