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Novo filme de Peaky Blinders é bom? Veja o que esperar da volta de Tommy Shelby na Netflix

Drama de Steven Knight estrelado por Cillian Murphy é a continuação da série de sucesso

  • Foto do(a) author(a) Monique Lobo
  • Monique Lobo

Publicado em 20 de março de 2026 às 07:00

Peaky Blinders: O Homem Imortal
Peaky Blinders: O Homem Imortal Crédito: Divulgação/Netflix

Depois de quatro anos longe das ruas de Small Heath, em Birmingham, na Inglaterra, podemos respirar o ar pesado de fuligem novamente - ainda que figurativamente - com o novo filme da franquia Peaky Blinders: O Homem Imortal. A produção está disponível, a partir desta sexta-feira (20), na Netflix.

Seguindo o final da sexta temporada, exibida em 2022, a trama do filme dá um salto de seis anos e chega a 1940, durante a Segunda Guerra Mundial. Nesse cenário, encontramos um Thomas Shelby (Cillian Murphy - que também atua como produtor) exilado em sua própria residência e preso em seus traumas. Não bastassem as perdas que o gangster acumulou ao longo da série - o irmão, John (Joe Cole), a amada, Grace (Annabelle Wallis), a tia e braço direito, Polly (Helen McCrory), e a filha caçula, Ruby (Heaven-Leigh Clee) -, percebemos logo no início que uma ausência tem o efeito ainda mais devastador para o líder da família Shelby: a do irmão Arthur (Paul Anderson).

Peaky Blinders: O Homem Imortal por Divulgação/Netflix

O mais velho e mais irresponsável do clã era também a sombra de Tommy. Logo, essa sensação de vazio permeia as quase duas horas de filme. Sem, talvez, o personagem mais caricato do enredo, restam aos coadjuvantes a missão de reconectar a Birmingham que a gente conheceu em 36 episódios com essa de agora. A irmã Ada Thorne (Sophie Rundle) é a memória daquela família unida e completamente despedaçada. Já Johnny Dogs (Packy Lee) e a dupla Charlie (Ned Dennehy) e Curly (Ian Peck) representam a velha guarda do grupo de boinas e navalhas.

Para suprir a falta dos personagens lendários, Steven Knight, criador do drama, adicionou novos rostos. O mais importante deles, sem dúvida, é o filho de Tommy. Mas, calma, não estamos falando de Charles Shelby, fruto do relacionamento com Grace. Quem domina a trama do filme é Duke Shelby (Barry Keoghan), o filho cigano. O personagem foi introduzido na última temporada da série, mas sem muita importância. Nesta produção, Duke é o novo líder da gangue e aterroriza Small Heath sem pudor e com muita violência. Primogênito “ilegítimo” do grande Thomas Shelby, o jovem parece querer demonstrar valor através da força.

A relação de pai e filho, até então distante, se reconecta quando a tia de Duke, Kaulo Chirklo (Rebecca Ferguson), irmã gêmea de sua mãe, resolve intervir. Conhecida como a rainha das bruxas de uma família de ciganos, Kaulo aproveita a vulnerabilidade de Tommy e usa as memórias dele a seu favor. Mas, não se engane, ela não é a vilã dessa história.

Enquanto os Shelby resolvem seus pormenores, a Alemanha nazista bombardeia a Inglaterra em meio à guerra. Um episódio real foi incluído para trazer esse contexto histórico: o bombardeio da Fábrica Birmingham Small Arms Company, ou BSA, que produzia motocicletas e armas, em 19 de novembro de 1940, pela Luftwaffe, a força aérea nazista. O acontecimento, que marcou a história de Birmingham, dá peso ao grande inimigo da vez: o avanço do facismo no Reino Unido.

Quem dá cara a esse movimento é John Beckett (Tim Roth), um ex-soldado britânico que virou aliado do governo alemão e quer ajudar Hitler a destruir o inimigo por dentro. O homem não é nenhum Chester Campbell (Sam Neill) que abusou de Polly e quase matou Tommy nas primeiras temporadas, tampouco um Luca Changretta (Adrien Brody) ou um Oswald Mosley (Sam Claflin), que fizeram estragos na família Shelby nas últimas partes da história. Mas, cabe a ele carregar o fardo de tentar peitar o “homem imortal”.

Não temos as batalhas mais sangrentas, nem as reviravoltas mais arrebatadoras neste filme. Nem mesmo a dor é tão impactante para quem já acompanhou Thomas Shelby perder praticamente todos ao seu redor. Talvez, optar por não dar espaço para o fim trágico de Arthur tenha tirado uma boa oportunidade de nos fazer sucumbir diante do personagem mais “fucking” afetivo do público. No entanto, não pense que vai passar batido, as lágrimas vão rolar, se prepare.

Peaky Blinders: O Homem Imortal, dirigido por Tom Harper, é um fan service. Ele dá uma sobrevida a um personagem de sucesso, porém não consegue se igualar a obra original. Nem por isso merece ser deixado de lado, porque só assim você vai saber se Tommy é mesmo essa força irrefreável ou se vem mais um “In the Bleak Midwinter”.

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