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Publicado em 25 de janeiro de 2026 às 20:21
O tom da abertura do segundo e último dia do Festival de Verão 2026, neste domingo (25), foi ditado pelo trap. O estilo musical, que vem crescendo na última década, foi representado por Teto e Wiu, dois dos mais proeminentes nomes do ritmo que arrasta uma legião de jovens. Nordestinos, ambos reafirmaram, na estética do show, o pertencimento à cena nacional. >
Logo que subiu no palco, por volta das 17h40, a dupla não demorou para atrair fãs e curiosos. Com público majoritariamente adolescente, o coro foi afiado durante a apresentação da música Problemas de Um Milionário, que traz uma reflexão sobre as dificuldades da fama.>
Teto e Wiu no Festival de Verão 26
Das batidas até a estética no telão de fundo, que trazia a bandeira e os dizeres 'Aqui é Brasil', Teto e Wiu deixaram claro que não estavam apenas apresentando um show, mas afirmando o posicionamento de um fazer artístico próprio e legítimo. Em primeiro momento, cantaram músicas que remetem à ostentação e aos desafios da busca pelo sucesso financeiro, como Yes or No (Teto) e Tenho Que Me Decidir (Wiu).>
Quem pensa que o trap se limita a apenas um tema, no entanto, se engana. Para o assistente bibliotecário Heitor Danta Gonçalves, 20, o ritmo é uma ferramenta de conscientização. "O Teto, que tem uma lírica que eu gosto, não foca em normalizar o crime, como alguns artistas da cena fazem. Ele traz a revolta do povo preto, brada contra o racismo velado. É um trap que incentiva a busca pelo conhecimento", afirma. >
As músicas de Teto e Wiu falam de assuntos sérios de uma forma simples a ponto de conquistar os ouvidos mais novos. É o caso da jovem Malu Brandão, de apenas 14 anos, que já entende a mensagem passada pelos artistas. "Além da música, gosto deles por eles serem artistas inovadores. Eles são daqui do Nordeste, sendo que Teto é da Bahia, e acredito que os dois fazem com que a região seja conhecida na cena do trap no Brasil, que é um ritmo tão bonito, desde as batidas até o lema de respeito com todos nas letras", exalta. >
Primeiro dia de Festival de Verão
Já para o supervisor de logística Luís Lima, 32 anos, o que o levou ao show da dupla foi a oportunidade de ouvir, ao vivo, as rimas que embalam seu retorno para casa depois do trabalho. "Para mim, o trap é uma ferramenta para desopilar. Gosto da batida, das letras. É um estilo que deve ser mais conhecido, porque eles estão dominando o Brasil falando para pessoas da favela sobre realidades dos negros e dos pobres desse país", diz.>
Compromissados em, acima de tudo, animar o público, os artistas mantiveram o astral no alto durante toda a apresentação. De todos os ângulos, era possível ver a plateia envolvida, fosse balançando a cabeça ou balançando as mãos ao final de cada rima. Um sinal claro de que, no Festival de Verão, eles conquistaram mais um espaço.>