Crítica à lei Rounet e protesto contra assassinato de jovens negros marcam desfile do Olodum

Ao todo, segundo a assessoria de imprensa, 1.500 pessoas desfilaram até o Campo Grande

Publicado em 5 de fevereiro de 2016 às 20:27

- Atualizado há 10 meses

A tradicional abertura do bloco Olodum, na tarde desta sexta-feira, 5, no Pelourinho, em Salvador, foi marcada por gritos por mais igualdade, tolerância e incentivo à cultura. Com o batuque dos tambores e o tema “Brasil mostra tua cara! Sou Olodum, quem tu és?", a banda atraiu atenções de foliões de todos os cantos do mundo. Ao todo, segundo a assessoria de imprensa, 1.500 pessoas desfilaram até o Campo Grande.

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Foi o momento ideal para o presidente do Olodum, João Jorge, afirmar que o bloco tem dificuldades em obter patrocínios da iniciativa privada. Segundo ele, a lei Rouanet só atende o interesse das empresas e não procura incentivar a cultura. Para o presidente, a lei precisa ser revista com urgência. (Foto: Mateus Pereira/GOVBA)O desfile também trouxe à tona mensagens com os dados do Mapa da Violência, que, segundo estimativa, dos 30 mil jovens assassinados em 2012, 77% eram negros. Durante a passagem do bloco pelas ruas do circuito batatinha, bonecos gigantes do ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa e do atacante do Barcelona Neymar viraram holofotes.

Os estilistas Márcia Ganem e Wilson Silva explicam que a fantasia do bloco, durante todo o Carnaval, reflete a identidade do grupo percussivo. A estampa abusa das cores e remete à cultura popular e à indumentária indígena. O figurino aborda as discussões entre os jovens negros, as tribos urbanas e a miscigenação entre índios, negros e brancos.

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No domingo, 7, o Olodum abre o circuito Barra/Ondina. Na terça, 9, o bloco sai sem cordas, pela primeira vez, com o Projeto Olodum Pipoca, no Campo Grande.