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Pedro Carreiro
Publicado em 5 de fevereiro de 2026 às 18:01
A aprovação de um projeto que restringe de forma ampla a publicidade de apostas esportivas no Brasil acendeu um alerta no futebol nacional — e clubes baianos estão entre os possíveis afetados. Bahia e Vitória, que mantêm histórico recente de parcerias com empresas do setor, podem enfrentar mudanças relevantes caso a proposta avance no Congresso. >
O texto foi aprovado nesta quarta-feira (4) pela Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado e altera a legislação das apostas de quota fixa. A proposta proíbe ações de comunicação ligadas a jogos on-line, veta patrocínios esportivos e ainda impede a exploração comercial de apostas relacionadas a eleições. A versão analisada pelos senadores é um substitutivo apresentado pela relatora, Damares Alves (Republicanos-DF), que reuniu pontos de diferentes projetos sobre o tema.>
De acordo com a senadora, a iniciativa busca responder ao crescimento acelerado das apostas no país e aos impactos sociais associados ao fenômeno. “Ao impor limites claros à atuação comercial das casas de apostas e impedir a exploração do ambiente eleitoral por esse tipo de atividade, a proposição oferece resposta legislativa proporcional à gravidade do problema diagnosticado pelo Senado Federal”, afirmou.>
Jogadores patrocinados por casa de apostas
A eventual proibição de publicidade e patrocínio atinge diretamente um dos principais fluxos de receita do futebol brasileiro nos últimos anos. O Bahia, que procura um novo patrocinador máster e já contou com marcas do segmento em seu uniforme, perderia uma alternativa importante de mercado. >
No Vitória, a ligação com casas de apostas também é recente. O clube mantém acordo firmado em 2025 com uma empresa do setor e já teve outros contratos semelhantes anteriormente. Fora da capital, equipes como o Jacuipense igualmente dependem desse tipo de parceria, o que amplia o alcance do possível impacto na estrutura financeira do futebol baiano.>
O cenário nacional mostra a dimensão do tema: 12 dos 20 clubes da Série A são patrocinados por bets, muitos deles com contratos milionários que representam parte significativa do orçamento anual.>
Apesar da aprovação inicial, a medida ainda está longe de entrar em vigor. O texto precisa passar pela Comissão de Constituição e Justiça, ser votado no plenário do Senado, seguir para análise da Câmara dos Deputados e, somente depois, retornar ao Senado antes de eventual sanção presidencial. >
Durante a discussão, parlamentares mencionaram preocupações de clubes esportivos e levantaram a possibilidade de ajustes ao longo da tramitação, o que indica que o conteúdo ainda pode sofrer mudanças.>