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‘Começamos a ter vida própria’: Emerson Ferretti faz balanço e projeta independência do Bahia Associação

Confia o bate-papo exclusivo com o presidente do tricolor

  • Foto do(a) author(a) Alan Pinheiro
  • Alan Pinheiro

Publicado em 1 de janeiro de 2026 às 05:00

Emerson Ferretti fala sobre os planos do Bahia Associação para 2026
Emerson Ferretti fala sobre os planos do Bahia Associação para 2026 Crédito: Arisson Marinho/ CORREIO

O ano de 2025 foi o momento em que o Bahia Associação começou a ter vida própria para além do futebol gerido pelo Grupo City. Em seu segundo ano à frente da instituição, o presidente Emerson Ferretti fez um balanço da temporada, reforçou o peso político da entidade diante da SAF e projetou a estratégia do Esquadrão para 2026 em entrevista exclusiva ao CORREIO. Confira o papo:

Qual o balanço do seu segundo ano de trabalho?

Antes de falar de 2025, é necessário dizer que o primeiro ano, 2024, foi um ano de muito estudo. Primeiro, nós somos a primeira gestão após a chegada do City e a criação da SAF. E era tudo muito novo para todo mundo. Como seria esse novo Bahia? 2024, portanto, foi tatear, organizar. 2025, para nós, já foi um ano de implementação de alguns projetos que a gente entendeu como viáveis. Na verdade, eu costumo fazer uma analogia de que jogamos sementes para muitos lados para entender o que poderia germinar e a gente poder chegar nesse momento agora de finalização do segundo ano, filtrar e fazer uma avaliação e ver o que que é interessante para o Bahia dar sequência e o que que é melhor dar uma recuada. Então, foi um ano de iniciar vários projetos, principalmente esportivos, para saber quais a gente poderia seguir com mais força. Hoje a gente tem nove modalidades sendo desenvolvidas em vários estágios diferentes. Esse ano de 2025 foi justamente isso. Eu acho que foi a percepção em cima do trabalho da associação foi que iniciou-se um trabalho novo. Existe movimento, existe vida dentro deste Bahia sem o futebol e que agora precisa ser fortalecido. Mas foi o ano de começar a mostrar o nosso trabalho em relação a esses projetos esportivos novos.

Em 2024 foi o momento de montar a base da associação do Bahia. Hoje, já considera que a base está montada ou ainda está em construção?

Eu acho que é muito cedo para dizer que já tem uma base sólida. Mas em 2025 foram dados muitos avanços. 2024 foi ano de entendimento porque ainda tinha muita coisa. Ainda tem, mas cada vez menos. Mas 2024 ainda tinha muitas situações que eram ainda híbridas com Bahia Associação e o Bahia SAF. Questões de recebimento, de receitas, despesas, processos que ainda estavam no CNPJ do Bahia, mas que já eram assumidos pela SAF. É uma série de situações desse tipo que cada vez diminuem mais. E como eu falei, foi um ano de organização. 2025 é como se a gente começasse a ter vida própria. Talvez seja a melhor definição para o ano de 2025. 2024 foi o entendimento do cenário, do que seria esse Bahia. 2025 é o começo de uma vida própria, com os nossos próprios projetos. Então, eu acredito que em 2025, a gente já conseguiu mostrar um pouquinho do que a gente pretende.

Quais foram os desafios que vocês encontraram nesse ano de 2025?

Primeiro, a gente em 2025 inaugurou uma nova sede administrativa. Nós herdamos um espaço muito pequeno, com uma equipe de trabalho pequena. Então, a gente precisou ir para um outro espaço que desse uma condição de trabalho melhor, que pudesse ampliar a equipe de trabalho pra gente poder realmente colocar os projetos na rua. Os principais desafios nossos são vários. Primeiro, é a limitação financeira. O Bahia Associação não tem uma receita ainda que permita grandes investimentos. A gente tem que buscar receitas novas dentro de um cenário que ainda não tá todo favorável, por conta de certidões ainda e uma série de coisas. Um outro limitador nosso é o fato de o Bahia não ter nenhum equipamento esportivo próprio para outras modalidades. Então, a gente não tem um ginásio, uma piscina, uma pista, uma quadra, a gente não tem nada. Então, a gente precisa buscar sempre parcerias com outras instituições para poder executar os projetos esportivos. Um outro limitador também nosso é o pouco espaço que essas as outras modalidades esportivas têm na mídia. Por mais que a gente já produza muito conteúdo, mas ainda encontra uma dificuldade para furar essa bolha do futebol. A mídia esportiva normalmente só se preocupa com o futebol e Ba-Vi. Então, furar isso, criar esse espaço novo na mídia, é um dificultador também. E um outro é logicamente que os investimentos nessas outras modalidades de patrocínio também são muito menores. A gente encontra dificuldade até porque a visibilidade dessas modalidades também são menores. Então os recursos são menores. Tudo isso dificulta o nosso trabalho.

Em 2025 ocorreu um Ba-Vi disputado no basquete depois de 20 anos. Quais são os planos para essa modalidade em 2026?

Antes de falar especificamente do basquete, eu acho que é interessante salientar o seguinte: a entrada do Bahia nessas outras modalidades eu acho que motiva o nosso rival também a criar suas modalidades. E tendo o Ba-Vi em outras modalidades, é talvez o gancho para que a imprensa olhe com mais carinho e também a torcida dos dois clubes também acompanhe mais as outras modalidades. Já tivemos Ba-Vi no futsal, futevôlei, tivemos Ba-Vi no basquete 3x3. No início do ano, o Vitória ganhou, mas depois nós ganhamos e fomos campeões na Copa Nordeste. Basquete é uma modalidade que chama muito atenção e tem um interesse maior. Tivemos dois Ba-Vis, o primeiro o Vitória ganhou pelo baiano, pela primeira fase do baiano e agora na final da Copa Intermunicipal nós ganhamos e fomos campeões. A gente quer muito desenvolver o basquete do Bahia, quer que o basquete do Bahia cresça muito. Logicamente que a gente vai precisar de investimento, de apoio, de patrocínio, para que a gente possa desenvolver o basquete, começar a furar essa bolha de competições locais para começar a disputar competições nacionais. E, dessa forma, ter uma outra modalidade forte. Não uma, mas uma modalidade coletiva também forte. Que o basquete, junto do vôlei, que nós também temos, são as duas modalidades que mais atraem interesse das pessoas. Então, a gente tendo essas modalidades fortes, eu acho que vai conseguir engajar o torcedor tricolor também mais.

São nove modalidades, existem planos para mais em 2026?

Não. A gente está em um momento de avaliação dessas nove frentes de trabalho abertas. Então, não tem a perspectiva de criar mais uma modalidade, a não ser que seja uma grande oportunidade. A ideia é, primeiro, ver quais são as mais viáveis, fortalecer elas e trabalhar em cima delas para que a gente possa ser forte, ser referência em algumas modalidades. Se a gente pulverizar muito, a gente pode perder força em todas elas. Então, é avaliar, ver quais são as mais viáveis e poder botar a energia para ser referência.

Há possibilidade de alguma dessas nove que existem hoje deixarem de existir em 2026?

Possibilidade, sim. De acordo com o trabalho, com a avaliação, há sim a possibilidade de que deixem de existir. Não, a princípio não, mas pode ser que sim. Para a gente poder botar energia e desenvolver outras e, como eu falei, virar referência. Não adianta fazer um trabalho que não traga resultados esportivos, que isso vai acabar gerando insatisfação da torcida. Então, onde o Bahia entrar, ele precisa estar sempre buscando orgulhar sua torcida. Então, é esse o objetivo aí desse filtro, dessa peneira que a gente tá fazendo agora no final de ano em relação a esse ano esportivo nosso.

Em dezembro de 2024 ocorre a primeira Corrida do Bahia. Um ano depois, qual a avaliação da gestão sobre o evento e quais os planos para 2026?

A corrida é o nosso principal produto do Bahia Associação hoje. Ela cresceu muito em 1 ano apenas, três edições, mas ela saiu de 3 mil inscritos na primeira para 5,5 mil na segunda para 11 mil na terceira. E assim, a terceira foi um conceito diferente. A gente já prevendo também esse aumento, fechamos uma parceria com a OK Entretenimento, isso nos deu uma tranquilidade maior para poder produzir o evento. Foi uma corrida Sunset, no pôr-do-sol, com largada às 17h30, num sábado, num circuito também diferente, que foi na orla de Piatã e com dois grandes shows fechados. Então foi um outro conceito de evento esportivo e de entretenimento que deu muito certo nessa edição. A gente tem aí uma avaliação muito positiva sobre o evento e um retorno das pessoas também muito positivo. A nossa ideia é sempre fazer duas edições por ano. A próxima já está sendo trabalhada, provavelmente vai ser em maio ou início de junho na Fonte Nova, que é a nossa casa. Pela primeira vez a corrida vai ser na Fonte Nova. A ideia é ampliar, inclusive, o número de inscritos, devido ao sucesso da terceira. Então, é ampliar e fazer uma nova entrega. Essa próxima em um domingo de manhã, sendo a segunda, que deve ser em outubro, para pôr do sol novamente.

Qual a importância do torcedor se associar pelo plano Bahêa Raiz para ajudar a associação?

O plano já existia, era uma categoria de sócio que o Sócio Esquadrão migrou para Bahia SAF, mas existia uma categoria de sócio que ficou com o Bahia Associação. Só que enquanto a gente não tinha ainda benefícios tão significativos, a gente nem divulgou tanto. A gente preparou um relançamento. Mudou o conceito do plano, mudou a identidade visual, deu um nome a esse plano de sócio, que é o Bahêa Raiz, para a gente poder trazer mais associados. Qual é a importância de ser associado do Bahia Associação? Primeiro, nós somos o Bahia que nasceu em 1931. Segundo, fortalecer todo esse trabalho que a gente tem feito de dar vida ao Bahia fora o futebol. Dar vida ao Bahia com eventos, dar vida ao Bahia com outras modalidades esportivas. Sendo sócio, você fortalece isso. Terceiro, nós temos um papel institucional no futebol importantíssimo, porque nós somos sócios do Bahia SAF, minoritários, mas contratualmente nós temos direitos que garantem que o nosso sócio, seja o City ou qualquer outro que venha a ser sócio no futuro, não tome decisões que mexam com a história e com os símbolos do clube. Então nós, Bahia Associação, temos o direito e a obrigação de fiscalizar o trabalho do Bahia SAF, mas também o poder de vetar qualquer decisão que atinja nossos símbolos. Por exemplo, mudar as cores do clube, ou mudar o escudo, ou mudar o hino. Tudo isso o Bahia Associação pode vetar. Então, nós somos os guardiões de toda a história do clube até então, de todos os símbolos, de tudo daquilo que o torcedor aprendeu a amar. Por isso que nós precisamos estar fortalecidos, vivos para poder fazer esse papel institucional muito bem feito. É até bom esse espaço para explicar o torcedor tricolor que acha que a associação não tem importância ou relevância. Tem muito sim, porque se a associação sumir, o clube, se por algum motivo ele se desfazer, o futebol do Bahia será entregue para um dono 100%. Então, nós somos a garantia que o Bahia e os seus símbolos serão preservados até o final do contrato que é um contrato de 90 anos. Então, nós somos essa garantia. Por isso a importância do Bahia Associação, que é o Bahia original, estar forte e as pessoas se associarem, fortalecerem esse trabalho. Tem um trabalho olímpico, dos esportes olímpicos e não olímpicos, mas também tem um papel institucional muito forte, muito importante, muito relevante, que precisa ser entendido e precisa ser abraçado pelo torcedor.

A relação entre SAF e Associação continua a mesma ou vocês interagiram mais neste segundo ano?

A relação é amistosa. Todas as vezes que é necessário sentar para conversar, para discutir, sejam problemas ou situações que apareçam, nós somos sempre muito bem-vindos, da mesma forma que eles também são sempre muito bem acolhidos para que a gente tenha sempre o diálogo como alternativa, primeira alternativa para resolução de tudo. Então, a relação, como eu falei, amistosa, ela segue sem grandes problemas, a gente segue fiscalizando. Todo o trabalho que está sendo feito, todos os compromissos assumidos dentro do contrato e sempre que há necessidade, sentamos e conversamos. Sempre que há necessidade também de se posicionar em relação a algumas situações que acontecem, a gente também faz isso, de uma forma entre quatro paredes, não via imprensa. Mas existe esse diálogo constante entre os dois sócios para que o trabalho siga sem grandes problemas.

Em 2025, o futebol se classifica para a Libertadores e ganha títulos no Baiano e na Copa do Nordeste. O sucesso da SAF impacta no trabalho da Associação? Como?

Acho que a gente continua crescendo com avanços bastante relevantes. A gente hoje tem um cenário impensável há pouco tempo atrás, de estar entre os oito melhores da Série A e da Copa do Brasil dois anos seguidos e duas classificações da Libertadores, com dois atletas na Seleção Brasileira e com dois títulos no ano que fazia 24 anos que não acontecia. Então, é um cenário que a gente não vivia há muito tempo. Foi o melhor ano do século. Para nos deter de 2000 para cá. Foi o melhor ano. Se for puxar para trás é hoje. Então concordo com esse avanço. Todo esse sucesso, e aí tem muita gente insatisfeita e muita gente criticando também. Eu acho que a gente precisa, nessa avaliação, perceber que existe mais coisas boas para se orgulhar que coisas ruins para ficar insatisfeito. A gente sempre pode ajustar e pode melhorar, mas eu acho que existe muito mais coisa boa para aplaudir do que coisas ruins para criticar nesse ano de 2025. O sucesso do futebol, logicamente, que nos ajuda muito. É nítido quando o futebol joga e vence um jogo ou conquista um campeonato como o humor das pessoas muda. E quando perde, muda também para pior. E a boa vontade das pessoas em ajudar, de consumir nossos produtos, de apoiar, muda de acordo com o andamento do futebol. Então, é muito importante que o futebol esteja muito bem, porque as pessoas vão receber o basquete do Bahia com mais boa vontade, vão patrocinar nossas modalidades com mais boa vontade, vão querer correr na corrida do Bahia com mais vontade do que se o futebol não tiver tendo sucesso. Então, isso impacta sim. A marca do Bahia estando valorizada com os resultados do futebol acaba atraindo também, inclusive, parceiros. E valorizando. Então, a gente surfa nessa mesma onda.

Quais são os planos e metas do Bahia Associação para 2026?

Nossos projetos continuam sendo fortalecer o esporte, as modalidades olímpicas e não olímpicas, fazer novamente duas corridas de sucesso. Como eu falei, é o nosso principal produto, fortalecer nossos esportes. Trazer títulos. Começar a fazer com que o Bahia seja visto como uma referência em outras modalidades e com atletas e equipes competitivas, disputando as melhores competições nacionais. Então, precisa desse apoio. 2026 é o ano para a gente já avançar um pouquinho mais. Que essa função institucional junto a SAF siga dessa mesma forma, com uma boa relação com eles e sem grandes problemas para serem resolvidos. Que realmente a gente consiga esse espaço no coração e na atenção dos torcedores e também na imprensa. Nós somos o Bahia e esse entendimento da torcida abraçar, a imprensa abraçar isso e fortalecer isso, os empresários investirem nisso também, eu acho que é um grande sonho para 2026.

Como é para você, como ex-atleta do clube, estar sendo pioneiro no estabelecimento das bases do Bahia Associação?

É, assim, na minha vida acaba acontecendo o pioneirismo em muitas frentes. Eu sou o primeiro ex-atleta do clube a se tornar presidente. No momento em que também o presidente hoje não cuida diretamente do futebol. É um momento diferente. E eu sou oriundo do futebol. Para mim, quando eu imaginei ser presidente do Bahia, imaginava comandar o clube todo. Hoje a gente tem um parceiro forte que nos ajuda demais. Para mim é um orgulho, em primeiro lugar, poder voltar ao Bahia numa função tão relevante. É uma felicidade poder retribuir o que o Bahia me deu, porque o Bahia, por mais que eu já fosse um goleiro com uma trajetória no futebol brasileiro, campeão da Copa do Brasil, enfim, que não dependia do Bahia, porque tinha outros clubes, mas quando eu cheguei no Bahia, eu fui acolhido por um clube, por uma torcida e por um povo. E que me deu a sensação de estar em casa, tanto é que eu estou na Bahia até hoje, são 25 anos. E eu dou muito valor ao que o Bahia me proporcionou, ao que a torcida do Bahia me proporcionou e que o povo da Bahia me proporcionou. Essa sensação de acolhimento, de amor e de casa. Trabalhar para o Bahia novamente é poder retribuir tudo isso. Então eu vou para o Bahia com uma felicidade gigantesca de poder estar no clube que eu amo e poder trabalhar para o clube que eu amo, mas também poder fazer algo que orgulhe os torcedores que me acolheram com tanto carinho. Então, para mim significa isso, poder estar no Bahia novamente e principalmente numa posição, como eu falei, tão relevante.