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Copa do Mundo 2026: estudo alerta para risco de calor extremo em jogos

Pesquisadores apontam aumento significativo do risco de partidas disputadas sob temperaturas perigosas nos Estados Unidos, México e Canadá, com possíveis impactos na saúde de jogadores e torcedores

  • Foto do(a) author(a) Pedro Carreiro
  • Pedro Carreiro

Publicado em 14 de maio de 2026 às 18:33

O MetLife Stadium, em Nova York, será o palco da final da Copa do Mundo de 2026
O MetLife Stadium, em Nova York, será o palco da final da Copa do Mundo de 2026 Crédito: Shutterstock

A Copa do Mundo de 2026 pode ser disputada sob condições de calor extremo em diversas partidas, segundo um estudo divulgado pelo consórcio científico World Weather Attribution (WWA). A análise aponta que o aumento das temperaturas, intensificado pelas mudanças climáticas, elevou significativamente o risco de jogos serem realizados em condições perigosas para atletas e torcedores durante o torneio, que será sediado por Estados Unidos, México e Canadá entre 11 de junho e 19 de julho.

De acordo com os pesquisadores, cerca de 25% das 104 partidas previstas têm chance de ocorrer em níveis de calor acima do limite considerado seguro pela FIFPRO, sindicato mundial dos jogadores de futebol. O levantamento indica ainda que o risco é quase o dobro do registrado na Copa de 1994, a última realizada em território norte-americano.

O estudo utilizou o índice Wet Bulb Globe Temperature (WBGT), que combina fatores como temperatura, umidade, radiação solar e vento para medir a capacidade de resfriamento do corpo humano. A FIFPRO recomenda medidas especiais de resfriamento quando o índice ultrapassa 26°C e considera inseguras as partidas disputadas acima de 28°C de WBGT.

Mais edições disputadas - Messi e Cristiano Ronaldo já dividem o recorde de participações em Copas do Mundo, com cinco edições disputadas. Se estiverem em campo em 2026, os dois passarão a ser os únicos jogadores da história com presença em seis Mundiais. por Reprodução/Fifa

Entre os confrontos apontados como de maior risco estão Brasil x Escócia, marcado para 24 de junho, além da final da Copa do Mundo, prevista para 19 de julho no MetLife Stadium, em Nova Jersey. Também aparecem na lista França x Senegal, Argentina x Argélia e Tunísia x Holanda.

Segundo o WWA, ao menos cinco partidas podem ocorrer em condições consideradas perigosas, cenário em que o adiamento dos jogos seria recomendado. Mesmo com parte das arenas contando com sistemas de climatização, os cientistas alertam que mais de um terço dos jogos com maior risco será realizado em estádios sem ar-condicionado, em cidades como Miami, Kansas City, Nova York e Filadélfia.

O diretor médico da FIFPRO, Vincent Gouttebarge, afirmou que os resultados do estudo reforçam preocupações já levantadas anteriormente pela entidade. “Essas estimativas justificam a necessidade da implementação de uma série de estratégias de mitigação, para proteger a saúde e o desempenho dos jogadores quando expostos a condições quentes”, declarou.

Inglaterra 0 x 1 EUA (1950) - Os ingleses, considerados os inventores do futebol, sofreram uma derrota histórica para os Estados Unidos na Copa de 1950. Sem grande tradição no esporte na época, os americanos chocaram o mundo, embora nenhuma das duas seleções tenha avançado de fase. por Divulgação/FIFA

Os pesquisadores destacam que o calor extremo afeta diretamente a capacidade do corpo de dissipar temperatura. Em ambientes muito úmidos, o suor evapora com mais dificuldade, reduzindo o principal mecanismo natural de resfriamento do organismo. Acima dos limites considerados seguros, aumentam os riscos de hipertermia, exaustão e choque térmico.

O anestesista e pesquisador Chris Mullington, do Imperial College London, ressaltou que o problema não se resume apenas aos atletas. “Acima de 28°C de bulbo úmido, o risco de doenças graves relacionadas ao calor se torna mais preocupante. Não apenas para os jogadores, mas também para as centenas de milhares de torcedores nos estádios e festivais de fãs ao ar livre. O choque por calor é potencialmente fatal”, afirmou.

Além dos impactos na saúde, os cientistas acreditam que o calor pode alterar o próprio estilo das partidas. Mullington avalia que os jogadores tendem a reduzir intensidade e ritmo para suportar as condições climáticas. ”Veremos atletas dosando o ritmo. Essa regulação térmica comportamental é muito difícil de ser ignorada. Então, poderemos ter um futebol mais conservador”, disse.

A Fifa informou que já trabalha em um plano específico para enfrentar o calor durante a competição. Entre as medidas previstas estão pausas para hidratação, áreas de resfriamento para jogadores e torcedores, adaptações nas rotinas de trabalho e reforço das equipes médicas conforme as condições climáticas de cada partida.

A professora Friederike Otto, especialista em ciência climática do Imperial College London, afirmou que o estudo também reacende o debate sobre o calendário das futuras Copas do Mundo. “Do ponto de vista da saúde, seria aconselhável realizar essas Copas mais cedo ou mais tarde no ano, para que se tenha uma festa do futebol e não algo que represente um enorme risco à saúde para toda a cidade”, disse.

Os cientistas alertam ainda que a possibilidade de formação de um novo episódio de El Niño durante o período do torneio pode elevar as temperaturas além das projeções atuais do estudo.

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Copa do Mundo 2026