Invicto no Vitória, Muriel deixa decisão de titularidade para Condé: 'Feliz em ajudar'

Goleiro assumiu a meta rubro-negra após a lesão de Lucas Arcanjo e soma três vitórias e três empates

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Publicado em 27 de fevereiro de 2024 às 20:32

O goleiro Muriel em coletiva do Vitória
O goleiro Muriel em coletiva do Vitória Crédito: Victor Ferreira/EC Vitória

Muriel foi contratado pelo Vitória para, em tese, ser o reserva de Lucas Arcanjo, titular incontestável do time do técnico Léo Condé. Mas, diante da lesão sofrida pelo goleiro revelado na base do Leão, o recém-contratado teve chance de mostrar serviço. E vem cumprindo muito bem a missão.

Até aqui, o veterano não sabe o que é perder com a camisa vermelha e preta. São seis jogos defendendo a meta rubro-negra, com três vitórias e três empates, além de apenas cinco gols sofridos. A única derrota desde a lesão de Arcanjo aconteceu para a Juazeirense, por 2x0, mas o titular naquele duelo foi Maycon Cleiton.

A sequência como titular, porém, pode estar perto do fim. Recuperado, Arcanjo deve ser relacionado para enfrentar o Itabuna, neste domingo, pela última rodada da fase de grupos do Campeonato Baiano. Muriel falou sobre a disputa pela posição, mas deixou a decisão nas mãos de Condé.

“Todos estão fazendo grande trabalho. Lucas foi importante na temporada passada e está sendo importante esse ano. Fico feliz que ele já está retornando, não foi nada muito grave. Acho que a gente tem que pensar em ajudar o Vitória, todo jogador trabalha e dá o seu máximo para jogar. Comigo não é diferente”, garantiu, em entrevista coletiva nesta terça-feira (27).

“Antes de chegar aqui estava muito feliz de vestir essa camisa. Chegando aqui me senti mais feliz, revigorado. Dia a dia dou o meu máximo. Tenho que estar sempre pronto, cada treinador decide quem jogar. A gente está em um caminho. Desde o ano passado o Vitória vem bem dentro de casa, a gente manteve isso. Tomamos poucos gols. Está sendo uma adaptação para mim. Fico feliz em ajudar e vou trabalhar para ter mais oportunidades”, completou o goleiro.

Com as seis partidas disputadas na temporada - as vitórias sobre ABC (3x1), Bahia (3x2) e Atlético de Alagoinhas (3x0) e empate com Altos (0x0), Jacobina (0x0) e Náutico (1x1) -, Muriel já tem mais minutagem em 2024 que Arcanjo. São 540 minutos em campo, contra 450 minutos do prata da casa.

“Eu acho que essa decisão cabe ao treinador. Quanto a mim, eu tenho que entregar o meu máximo. Todos os jogos eu entrei para ajudar o Vitória com muita felicidade. Tenho 37 anos, já mais experiente, mas sempre agradeço quando tenho oportunidade de jogar um jogo. Me sinto como um menino. Eu vou seguir trabalhando, dando meu máximo, seguindo uma evolução que é importante. Todos nós estamos em início de temporada, a gente sabe que são muitos jogos pela frente, muitas decisões. A gente sabe que é importante todo mundo estar bem para ajudar o Vitória a conquistar os objetivos”, afirmou.

Com Muriel ou Lucas Arcanjo, o rubro-negro enfrentará o Itabuna neste domingo (3), às 16h, no estádio Mário Pessoa, em Ilhéus, pela última rodada da primeira fase do Campeonato Baiano. O Vitória tem a classificação para a semifinal bem encaminhada. O time é o 2º colocado com 16 pontos, mesma pontuação do líder Bahia e do Barcelona de Ilhéus, na 3ª posição. A Juazeirense fecha o G4, com 14 pontos.

Veja outros trechos da entrevista coletiva de Muriel:

Violência no futebol

Eu lamento muito esse ocorrido. Infelizmente não é um fato isolado. Mais vezes isso já ocorreu no futebol brasileiro. Isso tem que acabar. Eu acredito que precisa ter punições, porque isso se trata de um crime. Graças a Deus não aconteceu o pior. Eu até mandei uma mensagem para o Tite, que é um grande amigo meu. Desejo força e boa recuperação para todos os jogadores. Espero que isso venha a mudar. Todos nós que fazemos parte do futebol precisamos nos posicionar. Acredito que não é o torcedor do time A ou B. Todos que amam o futebol precisam combater esse tipo de coisa para que não venha a se repetir.

Experiência aos 37 anos

Acho que de positivo tem a experiência né?! Sempre tento ajudar dando meu máximo. Mas a nossa campanha não é individual, ela é coletiva. A gente tem criado uma identidade. O Vitória tem feito fazer valer o jogar dentro de casa, temos que manter isso. Sabemos que os adversários vão querer quebrar isso. Então a gente tem que fortalecer, evoluir, saber que estamos em início de trabalho. Eu estava jogando um ano e meio fora do país, acho que para mim o que muda bastante é que no Brasil a gente tem muito mais viagens. Lá era no máximo uma hora de ônibus. Aqui tem o fator também do clima e do campo, jogar fora de casa muda muito. Jogamos em campo irregulares, com iluminação ruim, então tudo isso são desafios que acabam dificultando um pouco. Mas jogador de futebol não tem que dar desculpas, tem que trabalhar para evoluir. Estou aqui há pouco mais de um mês e já me sinto em casa. A luta é grande, mas tenho certeza que estamos no caminho certo.

Maratona de jogos, nível físico e o irmão, Alisson Becker

Bom vou começar já com a segunda pergunta. Desde quando eu fechei com o Vitória, o Alisson ficou muito feliz. Eu tive a oportunidade de estar com eles antes de vir pra cá. Ele sabe da grandeza do clube, e onde eu vou o Alisson sempre acompanha, vê os jogos e a gente troca ideia depois das partidas. Antes mesmo de eu chegar, ele já tinha noção que eu estava vindo para um time grande e ficou muito feliz por mim. E eu também fico feliz por ele. a gente sempre tem essas trocas, essas conversas e acho que isso é muito importante para nossa carreira, sempre foi assim. Quanto à primeira pergunta, acho que estamos no caminho, acho que tem que ser passo a passo. Sabemos que no Brasileiro vamos ter esses desafios de calendário, mas é o início de uma longa jornada. Esse nível físico ideal só vamos ganhar no Brasileirão, no decorrer do ano. Isso fica evidente nos últimos jogos. Alguns atletas que não vinham jogando entraram e foram decisivos, como o Daniel Jr., o Rodrigo Andrade, que fez gol na última partida. Vamos precisar de todos os jogadores, todos têm essa ciência. Então, em relação a mim, ao goleiro que vai jogar, temos que pensar no Vitória. O clube é a prioridade para todos, temos que dar o nosso máximo, estar prontos e seguir com a boa mentalidade para cumprir nossos objetivos.

Preparação para o Ba-Vi

Da minha parte, foi o primeiro Ba-Vi que eu joguei. Já tinha disputado outros clássicos, como Gre-Nal, clássicos cariocas e fora do país. O clássico é sempre especial, para nós foi muito especial jogar com apoio da nossa torcida, tanto que a gente conseguiu reverter um placar adverso. Acho que vencemos com autoridade, jogando bem do início ao fim do jogo e é importante frisar que a gente sempre acreditou no nosso potencial e no nosso valor. Foi muito bom, mas passou. Temos muitas coisas pela frente ainda. Temos que tirar o ponto positivo, que é saber que podemos disputar qualquer partida de igual para igual, mas vão ter mais clássicos pela frente, já que as outras competições abrem brechas para mais jogos como este. Sabemos da dificuldade que é, temos que pensar jogo a jogo e acreditar no nosso potencial. Temos que ter responsabilidade de entrar sempre para vencer, honrar o nome do clube e sempre buscar mais.