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Wendel de Novais
Publicado em 11 de março de 2026 às 11:47
O governo do Irã anunciou que não pretende participar da próxima Copa do Mundo da Fifa após a escalada do conflito com os Estados Unidos. A decisão foi divulgada nesta quarta-feira (11) pelo ministro do Esporte iraniano, Ahmad Donyamali, em entrevista à televisão estatal do país. Segundo a agência Reuters, o posicionamento ocorre após a morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, em um ataque realizado por forças dos Estados Unidos em conjunto com Israel no fim de fevereiro.>
Ao justificar a decisão, o ministro afirmou que o país não pode disputar uma competição sediada, em parte, no território norte-americano. “Considerando que este regime corrupto (os EUA) assassinou nosso líder, sob nenhuma circunstância poderemos participar da Copa do Mundo”, disse o ministro à televisão estatal.>
A próxima edição da Copa do Mundo da Fifa está programada para ocorrer entre os dias 11 de junho e 19 de julho, com partidas distribuídas entre Estados Unidos, México e Canadá. De acordo com o ministro iraniano, o atual cenário de guerra e insegurança inviabiliza a presença da delegação no torneio. “Nossas crianças não estão seguras e, fundamentalmente, não existem condições para participação”, declarou Ahmad Donyamali.>
Conflito no Oriente Médio - Estados Unidos X Irã
O ministro também afirmou que a escalada militar e os ataques recentes contra o país tornaram impossível qualquer participação esportiva em território ligado aos Estados Unidos. “Diante das ações maliciosas que realizaram contra o Irã, eles nos impuseram duas guerras em oito ou nove meses e mataram e martirizaram milhares de nosso povo. Portanto, certamente não podemos ter esse tipo de presença.”>
No sorteio realizado em dezembro, a seleção iraniana havia sido colocada no Grupo G da competição, ao lado de Bélgica, Egito e Nova Zelândia. As três partidas previstas para a equipe estavam programadas para acontecer nos Estados Unidos — duas em Los Angeles e uma em Seattle.>
O país já havia dado sinais de tensão com a organização do torneio ao não enviar representantes para uma reunião de planejamento da Fifa com as seleções classificadas, realizada na semana passada em Atlanta. Procurada pela Reuters, a Fifa ainda não se pronunciou oficialmente sobre a possível ausência do Irã na competição.>
A decisão acontece em meio à crise provocada pela morte de Ali Khamenei, ocorrida em 28 de fevereiro durante um ataque militar. O episódio desencadeou um conflito armado que já dura mais de dez dias e tem provocado impactos na economia global, especialmente pela incerteza sobre a produção e o fluxo de petróleo no mundo.>