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Pedro Carreiro
Publicado em 8 de maio de 2026 às 14:57
O Vitória foi punido pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) nesta sexta-feira após julgamento realizado pela 5ª Comissão Disciplinar. O clube recebeu multa de R$ 20 mil em razão de uma faixa exibida por torcedores no Barradão antes da partida contra o Coritiba, válida pela 14ª rodada do Campeonato Brasileiro. A decisão ainda permite recurso por parte do Rubro-Negro baiano. >
A manifestação levada às arquibancadas mostrava a imagem de um árbitro com os olhos cobertos pelas mãos, além de escudos da CBF com rachaduras e a frase “respeite o Vitória!”. O protesto aconteceu no primeiro compromisso do time em Salvador após as reclamações envolvendo a arbitragem nos confrontos diante de Flamengo, pela Copa do Brasil, e Athletico-PR, pelo Brasileirão.>
Campanha do Vitória na Série A
O STJD enquadrou o clube no artigo 191, inciso III, do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), referente ao descumprimento ou dificuldade no cumprimento de regulamentos.>
Durante o julgamento, o subprocurador-geral Dr. Ronald Siqueira Barbosa Filho argumentou que a manifestação ultrapassou os limites da liberdade de expressão ao atingir a credibilidade da CBF e da própria competição nacional.>
Segundo ele, embora o direito à manifestação seja amplo, não é absoluto. Na avaliação da procuradoria, a utilização de elementos como o escudo da entidade rachado e a representação do árbitro “sem enxergar” sugerem um ataque à lisura do campeonato.>
Campanha do Vitória na Copa do Nordeste
Na defesa apresentada ao tribunal, o Vitória sustentou que a faixa foi produzida exclusivamente por torcedores e citou princípios constitucionais ligados à liberdade de expressão e à vedação da censura prévia. O clube também argumentou que o protesto ocorreu em meio à insatisfação da torcida com erros de arbitragem em partidas recentes e ressaltou que não houve qualquer episódio de violência ou manifestação discriminatória.>
As reclamações da torcida começaram após o duelo contra o Flamengo, pela ida da quinta fase da Copa do Brasil. Os rubro-negros questionaram a ausência de expulsões de jogadores da equipe carioca, especialmente nos lances envolvendo Luiz Araújo, Saúl e Arrascaeta.>
No jogo seguinte, diante do Athletico-PR, pelo Brasileirão, as críticas aumentaram. Jogadores, dirigentes, comissão técnica e torcedores do Vitória contestaram a marcação de um pênalti cometido por Cacá sobre Viveros ainda no primeiro tempo. O clube também reclamou da não expulsão do volante Luiz Gustavo após lance em Zé Vitor e de um segundo cartão amarelo que poderia ter resultado em expulsão por simulação e toque de mão na bola.>
Outro lance bastante criticado pelo Vitória foi a entrada do zagueiro Arthur Dias em Renê, na etapa final da partida. O defensor recebeu apenas cartão amarelo do árbitro Bruno Arleu de Araújo, decisão que gerou novas reclamações por parte do clube baiano.>
Após o confronto, o atacante Erick afirmou em entrevista que o Vitória havia sido “roubado de novo”, em referência também ao jogo contra o Flamengo. O jogador acabou denunciado pelo STJD e recebeu inicialmente suspensão de dois jogos, reduzida posteriormente para uma partida após recurso do clube.>
O presidente Fábio Mota também foi alvo de punição após declarações dadas na sequência da partida. O dirigente utilizou o termo “escândalo” ao comentar a arbitragem e acabou suspenso por 30 dias. Mais tarde, a pena foi reduzida para 15 dias.>