NA TOCA

Thiago Carpini é apresentado pelo Vitória: ‘Vamos resgatar alguns atletas’

Novo técnico iniciou o trabalho na Toca do Leão na tarde desta quinta-feira (16)

  • Foto do(a) author(a) Da Redação
  • Da Redação

Publicado em 16 de maio de 2024 às 15:16

Thiago Carpini concede primeira entrevista coletiva como técnico do Vitória
Thiago Carpini concede primeira entrevista coletiva como técnico do Vitória Crédito: VICTOR FERREIRA / ECV

O novo treinador do Vitória já está em Salvador e de prancheta na mão. Thiago Carpini chegou à capital baiana no final da manhã desta quinta-feira (16) e seguiu para a Toca do Leão. A uma semana da estreia à frente do rubro-negro, ele não perdeu tempo.

Carpini reuniu o elenco no gramado para um bate-papo e comandou o primeiro treino. Terá outros cinco até o primeiro compromisso do clube sob seu comando. Na quarta-feira (22), o Vitória decide a vaga nas oitavas de final da Copa do Brasil com o Botafogo. O jogo será às 19h, no Barradão. A equipe carioca venceu por 1x0 o confronto de ida, disputado no Engenhão.

Antes de assumir o apito no treinamento, ele ficou diante dos microfones para conceder a primeira entrevista coletiva com a camisa do Vitória e falou sobre o curto tempo de preparação até a decisão contra o Botafogo.

“Vou aproveitar ao máximo para tomar as melhores decisões. Muitas coisas boas aconteceram, não são mudança drásticas, mesmo porque as coisas têm que ser gradativas, requer um pouco de tempo, mas com certeza alguns comportamentos e ideias a gente vai propor”, afirmou Carpini, que não descarta a possibilidade de apresentar uma escalação diferente da que o torcedor vinha acostumado a ver em campo.

“Tudo está em aberto. Não tem como garantir que vai ser a base do mesmo time ou se vamos trocar parte da equipe. Vai depender do que vamos vivenciar nesse período. É o dia a dia que vai escalando. Os que têm menos oportunidades daqui a pouco vão ter mais oportunidades, os que têm mais, têm que continuar trabalhando para se sustentarem e elevar o nível de competitividade interna, para a gente escolher as melhores alternativas para cada jogo e a melhor para a nossa estreia de quarta-feira”, avisou.

Apesar da possibilidade de mudanças, Carpini elogiou o trabalho desenvolvido por Léo Condé e os objetivos alcançados por ele durante o período de um ano e quatro meses em que esteve à frente do time, como as conquistas do título da Série B do Brasileiro 2023 e do Campeonato Baiano 2024.

“Não começar do zero é o importante. Um grupo que já vem com uma mentalidade vitoriosa, um título inédito, um acesso e mais um título em 2024. Terão alguns comportamentos dentro daquilo do que eu acredito de amplitude e profundidade, um jogo que é a característica do Vitória. Um jogo mais vertical e mais ofensivo”, pontuou. “(...) Quando você pega um trabalho deixado por uma boa comissão, como foi a do Léo, as coisas tendem a acontecer mais positiva”, completou.

Léo Condé foi demitido na última terça-feira (14), dois dias depois da derrota por 2x1 para o Vasco, em São Januário, no último domingo (12). Pouco depois, Carpini foi anunciado como substituto.

“A negociação foi bem rápida. Quando as duas partes manifestam interesse, caminha mais rápido", contou. "A gente sabe o tamanho do Vitória e o trabalho de reconstrução nesses últimos anos. Já estive aqui em algumas oportunidades, jogando contra o Vitória no Barradão, e eu sei a força que tem. A situação hoje a gente sabe que passa a ser um campeonato de recuperação, mas o Vitória tem o que poucos clubes têm, que é o fator casa. O torcedor e a nação são fatores que contribuem para a ajuda nessa retomada. Fico muito feliz e lisonjeado com a oportunidade”, afirmou Carpini.

O técnico de 39 anos, ex-Juventude e São Paulo, assinou contrato até o final da temporada e tem duas missões imediatas. Classificar o Vitória na Copa do Brasil diante do Botafogo e reabilitar o time no Brasileirão. A situação rubro-negra no começo do torneio nacional de pontos corridos é delicada. Com apenas um ponto somado, o rubro-negro está na zona de rebaixamento, na 18ª colocação. Já são sete jogos sem ganhar na temporada, sendo quatro derrotas seguidas.

Para Carpini, o desafio inicial é recuperar a confiança dos jogadores para que eles produzam mais dentro das quatro linhas. “Tentar resgatar a confiança, a autoestima, relembrar um pouco da capacidade desses atletas, o que trouxeram eles até o Vitória, o que fizeram pelo Vitória, os que permaneceram, os que chegaram. O que fizeram para ter oportunidade, assim como eu, de hoje defender uma equipe desse tamanho. Toda mudança gera essa expectativa. Vou encorajá-los e estimulá-los no dia a dia”, prometeu.

Do elenco atual do Vitória, Thiago Carpini já treinou dois jogadores. “Trabalhei com Caio Vinícius e Luan. O resto do elenco conheço bem de enfrentar todos eles. O desafio de qualquer troca de comando é tentar resgatar alguns atletas que tiveram dificuldades. Temos que conhecer o que temos aqui antes de falar de reforços. Todos os elencos têm limitações, nós também temos. Mas nós confiamos no que nós temos. Isso pesou muito para aceitar esse desafio. Eu confio muito nesses atletas e nesse projeto”, projetou o treinador, que também falou sobre treinar atletas com idades próximas à dele, a exemplo de Osvaldo, Zapata e Luiz Adriano, que têm 37 anos.

“Independentemente do que viveram, da idade ou qualquer outra coisa, existe uma hierarquia, quem toma as decisões. Não estou aqui para agradar ninguém, estou aqui para a gente se ajudar e ajudar principalmente o Vitória. Trato o mais jovem e o mais velho, o Zapata, o Osvaldo, da mesma maneira, com respeito. Da mesma maneira que a gente dá a gente quer. Preciso que eles entendam aquilo que a gente pensa dentro dos comportamentos, das ideias, a gente começa com onze, é isso que nós precisamos que seja feito, se não for feito outro vai fazer. Você volta para o final da fila e respeita quem vai fazer. Quando você fala a verdade, olha no olho, a chance de errar é bem menor”, disse.

Essa é a segunda passagem de Carpini pelo futebol baiano. A outra foi como jogador. Quando ainda era volante, ele defendeu o rival Bahia em 2009 e 2010, mas não guarda boas recordações. “Morei em Salvador muito tempo atrás, povo acolhedor, cidade maravilhosa, fiz muitas amizades. Minha passagem não foi muito boa, mas espero que seja no Vitória e a gente seja muito feliz juntos”, vibrou.