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Pedro Carreiro
Publicado em 12 de maio de 2026 às 18:38
A ex-jogadora do Slovacko, equipe da primeira divisão feminina da República Tcheca, Kristyna Janku revelou detalhes do escândalo envolvendo o técnico Petr Vlachovsky, condenado por gravar atletas escondido no chuveiro durante quatro anos. Em entrevista ao jornal checo Seznam Zpravy, a atleta contou como descobriu a existência dos vídeos e descreveu o impacto emocional causado pelo caso, além de defender punições mais rígidas para evitar situações semelhantes no esporte. >
Segundo Kristyna, as jogadoras só souberam das gravações após serem chamadas para depor à polícia. Durante a investigação, elas precisaram assistir aos vídeos para confirmar quem aparecia nas imagens. “Não vimos a câmera que ele estava usando. Tivemos que assistir às gravações para nos identificar. Fiquei em choque. Você não acredita que isso realmente está acontecendo”, afirmou.>
De acordo com a ex-atleta, o treinador também compartilhava os conteúdos com outro homem pela internet. Ela revelou ainda ter sido alertada por um policial sobre a frequência com que era citada nas conversas analisadas durante a investigação. “O policial me disse: ‘Você é a pessoa mais comentada nessas conversas’. Foram coisas realmente repugnantes”, relatou.>
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Kristyna atuou por mais de uma década no Slovacko e afirmou que nunca suspeitou do comportamento do treinador enquanto trabalharam juntos no clube. “Éramos como uma grande família. Durante todo aquele tempo, era como se ele fosse outra pessoa. Ele tinha uma segunda personalidade”, declarou.>
Petr Vlachovsky foi condenado pelo crime, além de responder por posse de material de abuso sexual infantil. Apesar disso, a Justiça determinou apenas a suspensão da pena de prisão e proibiu o treinador de atuar no futebol da República Tcheca por cinco anos.>
A decisão gerou críticas da Associação Tcheca de Jogadores de Futebol, que cobra uma punição permanente e válida internacionalmente para impedir que o técnico continue trabalhando em outros países.>
Representante da entidade, Marketa Vochoska Haindlova afirmou que existe preocupação com a possibilidade de o treinador seguir atuando fora do país.“Não deveria ser possível que alguém simplesmente mudasse de continente e continuasse fazendo o que quiser”, disse.>
Ao tornar o caso público, Kristyna afirmou que espera ajudar outras atletas e ampliar o debate sobre segurança e proteção dentro do ambiente esportivo. “Transformar algo negativo em positivo tem me ajudado. Quero que isso sirva para gerar mudanças e impedir que outras meninas ou mulheres passem por algo parecido no futebol ou em qualquer outro esporte”, concluiu.>