Acesse sua conta
Ainda não é assinante?
Ao continuar, você concorda com a nossa Política de Privacidade
ou
Entre com o Google
Alterar senha
Preencha os campos abaixo, e clique em "Confirma alteração" para confirmar a mudança.
Recuperar senha
Preencha o campo abaixo com seu email.

Já tem uma conta? Entre
Alterar senha
Preencha os campos abaixo, e clique em "Confirma alteração" para confirmar a mudança.
Dados não encontrados!
Você ainda não é nosso assinante!
Mas é facil resolver isso, clique abaixo e veja como fazer parte da comunidade Correio *
ASSINE

Da sala de aula ao mundo real: veja como escolas de Salvador estão formando alunos mais autônomos

Aliança Francesa, Colégio Oficina e Escola Rembrandt investem em cultura, intercâmbio, projetos e desenvolvimento socioemocional para transformar o aprendizado

  • Foto do(a) author(a) Estúdio Correio
  • G
  • Estúdio Correio

  • Gabriela Araújo

Publicado em 22 de janeiro de 2026 às 05:00

Colégio Oficina
Colégio Oficina, em Salvador Crédito: Maína Diniz

Com um cenário educacional cada vez mais marcado por transformações aceleradas e pela necessidade de formar pessoas capazes de atuar em contextos complexos e globalizados, muitas instituições de ensino têm ampliado o entendimento sobre o papel da escola.

Mais do que transmitir conteúdos, cresce a percepção de que educar também envolve criar experiências, ampliar repertórios culturais e oferecer ferramentas para que os estudantes construam trajetórias acadêmicas, profissionais e pessoais consistentes.

Ateliê com Hugo Canuto, promovido pela Aliança Francesa por Divulgação

É nesse contexto que se destacam iniciativas desenvolvidas por entidades de Salvador, como Aliança Francesa, Colégio Oficina e Escola Rembrandt, instituições que apostam em uma formação que vai além da sala de aula tradicional.

Interculturalidade

Na Aliança Francesa, o ensino do idioma é concebido como um processo indissociável da cultura e da interculturalidade. Para a coordenadora pedagógica da entidade, Stéphanie Contat, aprender francês implica também vivenciar os contextos sociais, artísticos e acadêmicos do mundo francófono. “Quando você quer aprender e ‘viver’ uma língua estrangeira, é impossível separar língua e interculturalidade”, afirmou.

Cinema, música, literatura, encontros culturais e eventos francófonos são incorporados à rotina dos alunos como extensões do aprendizado formal. Essas experiências, segundo Stéphanie, ajudam a conectar a teoria trabalhada em sala com a prática comunicativa, dentro e fora da instituição, favorecendo uma vivência mais imersiva da língua francesa, especialmente para estudantes que buscam trajetórias acadêmicas ou profissionais no exterior.

“A formação na Aliança foi fundamental na minha confiança para me comunicar na língua francesa em contextos acadêmicos, para participar de debates, fazer perguntas e interagir em seminários. O curso também me ofereceu um conhecimento aprofundado da cultura universitária francesa, incluindo normas de convivência acadêmica, métodos de ensino e expectativas dos professores, facilitando minha adaptação à vida acadêmica na França”, contou a estudante Beatriz Albuquerque, que está cursando mestrado no país.

Essa integração entre ensino e cultura é um dos pilares da proposta institucional. A diretora-geral da Aliança Francesa, Sandrine dos Santos, explicou que essa articulação funciona como um prolongamento do espaço didático, com referências culturais contextualizadas e contatos diretos com pensadores e artistas franceses ou da comunidade francófona.

“Exemplo disso será a reativação do cine-clube, no qual os filmes dialogam diretamente com os conteúdos linguísticos e temáticos trabalhados em sala. Essa abordagem favorece o desenvolvimento da compreensão oral, da análise crítica e da expressão argumentativa, ao mesmo tempo em que expõe os alunos a realidades culturais e sociais do mundo francófono”, explicou.

Ações conjuntas

Além do aprendizado do idioma, a instituição acompanha o estudante em um percurso mais amplo, que envolve escolhas acadêmicas, profissionais e pessoais. Nesse processo, atua como espaço de orientação e mediação, oferecendo suporte à construção de projetos universitários, à preparação para exames de proficiência e à mobilidade internacional, em articulação com a Campus France.

“A parceria se concretiza por meio de ações conjuntas de orientação, eventos informativos, palestras e atendimentos especializados, facilitando o acesso a informações confiáveis e atualizadas. O estudante encontra na Aliança Francesa a base linguística e cultural necessária e, na Campus France, o suporte institucional para transformar esse aprendizado em um projeto concreto de estudos na França”, detalhou Juliana Monteiro, responsável pelo Espaço Campus France em Recife.

Protagonismo estudantil

Essa lógica de formação integral também orienta o trabalho do Colégio Oficina, cuja proposta educacional tem como base a cidadania, os direitos humanos e o desenvolvimento de competências socioemocionais. De acordo com a coordenadora de projetos Claudia Cely Pessoa, a instituição estabelece parcerias com organizações da sociedade civil e instituições públicas para ampliar o olhar dos estudantes sobre a realidade social.

Atividades culturais, esportivas e artísticas, como teatro, capoeira, vôlei e futsal, fazem parte dessa proposta e são compreendidas como extensões do currículo. Para Claudia, não há separação entre atividades extracurriculares e pedagógicas. “Existe uma complementariedade entre essas atividades extracurriculares com o currículo em curso desse estudante. Através de uma aprendizagem significativa, alinhando essa com a teoria e com a prática”, pontuou.

João Luiz Araújo, de 17 anos, ex-aluno do Colégio Oficina, concluiu o ensino médio em 2025. Ele destacou que, desde o ensino fundamental, participou de projetos voltados à gestão estudantil e ao trabalho coletivo, promovidos pela escola. Para ele, essas iniciativas ajudaram a desenvolver habilidades humanas, como autonomia, espírito de coletividade e gestão de problemas cotidianos.

“Tais intervenções, além de contribuírem para uma formação mais leve e única, ajudaram-me a ganhar uma bagagem histórica e cultural de legados nacionais que normalmente são pouco discutidos em sala de aula”, destacou.

Atividades extracurriculares

A Escola Rembrandt, por sua vez, aposta em uma proposta baseada na pedagogia de projetos e em metodologias ativas, com foco no protagonismo do estudante e na alta performance acadêmica. Segundo a diretora-geral da instituição, Kátia Patrícia Vasconcelos, o objetivo é formar alunos capazes de pensar criticamente, atuar de forma autônoma e aplicar o conhecimento em situações reais.

“[Essa metodologia] vai dar a ele o resultado de ser protagonista da sua própria história, desenvolvendo essas habilidades para a vida real. Ou seja, mediador e orientador das suas próprias descobertas à luz da orientação dos nossos docentes”, disse.

As atividades extracurriculares fazem parte dessa estratégia e estão diretamente vinculadas ao projeto pedagógico. Viagens de estudo, visitas culturais, práticas esportivas e atividades artísticas dialogam com os conteúdos trabalhados em sala.

Entre os pilares da metodologia adotada pela Rembrandt estão a excelência acadêmica, o programa bilíngue, o incentivo ao esporte, à arte e à música, além do desenvolvimento socioemocional.

Para a diretora, a pedagogia de projetos aliada à alta performance prepara o aluno para processos seletivos exigentes sem abrir mão da formação crítica. “A gente entende que é inspirando os nossos alunos, instigando os nossos alunos, que a gente consegue fazer a transformação acontecer”, acrescenta.

O Projeto Volta às Aulas é uma realização do Jornal Correio com patrocínio da Aliança Francesa Salvador, Colégio Oficina e Escola Rembrandt.