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Gabriela Araújo
Publicado em 29 de janeiro de 2026 às 05:00
Ao longo dos últimos anos, o debate educacional no Brasil tem se deslocado de um modelo centrado na memorização de conteúdo para propostas que valorizam autonomia, pensamento crítico e experiências significativas. A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e a ampliação das discussões sobre competências socioemocionais refletem esse movimento, que faz com que escolas e outros centros de ensino revisem práticas, currículos e até a arquitetura dos espaços educativos. >
Em Salvador, algumas instituições de ensino vêm se destacando pela adoção de metodologias alinhadas a esse contexto. Entre elas estão o Colégio Oficina, a Escola Rembrandt e a Aliança Francesa. Com propostas distintas, mas convergentes na centralidade do estudante, essas entidades ilustram como a educação tem buscado responder a transformações sociais, culturais e globais que extrapolam o conteúdo tradicional de sala de aula.>
Novas formas de aprender
Na Escola Rembrandt, a metodologia parte de uma concepção de formação integral, que articula desenvolvimento acadêmico, emocional e social. “A gente tem uma escola que trabalha com um projeto pedagógico de formação integral, com aprendizagem significativa e um forte vínculo na relação dialógica entre escola e família”, afirmou a diretora-geral Kátia Patrícia Vasconcelos.>
A proposta combina metodologias ativas, uso de tecnologia, educação bilíngue imersiva em inglês e espanhol e valores como ética, cooperação e perseverança. Outro aspecto é o investimento em acolhimento e bem-estar. A atenção à saúde emocional se soma a uma concepção de espaço escolar pensada a partir da neurociência, com ambientes abertos, iluminados e integrados à natureza.>
“Somos uma das poucas escolas que têm NAPP, que é um núcleo de acompanhamento pedagógico e psicológico para todos os nossos estudantes da educação infantil até a terceira série do ensino médio, com psicóloga, psicopedagoga, pedagogas e outros profissionais que dão suporte, para que a gente possa acolher todas as demandas trazidas por essas famílias e estudantes”, explicou Kátia.>
O protagonismo do aluno também está no centro da proposta do Colégio Oficina, que aposta em metodologias ativas e na aprendizagem baseada em projetos, inspirada pela pedagogia histórico-crítica.>
“Os pilares metodológicos do Colégio Oficina são baseados em metodologias ativas e na construção do conhecimento. Isso é feito através de uma metodologia de projetos, onde esse estudante possa atuar enquanto protagonista nesse processo de aprendizagem”, detalhou Claudia Cely Pessoa, coordenadora de projetos da instituição.>
Segundo ela, a interdisciplinaridade e a contextualização são fundamentais para conectar o conteúdo à realidade social. A autonomia do estudante, nesse modelo, é entendida como parte essencial do aprender, estimulando responsabilidade e engajamento com o próprio percurso formativo.>
“Consegui trabalhar aspectos para desenvolver habilidades mais humanas e coletivas, que muitas vezes são negligenciadas por bases educativas mais tradicionais, como o espírito de coletividade, a autonomia e a gestão de problemas cotidianos”, contou João Luiz Araújo, de 17 anos, ex-aluno do Colégio Oficina, que concluiu o ensino médio em 2025.>
No campo do ensino de idiomas, a Aliança Francesa tem ampliado o conceito de aprendizagem ao integrar língua e vivência cultural. Para a diretora-geral Sandrine dos Santos, atividades culturais e projetos especiais são centrais nesse processo.>
“As atividades culturais transformam a Aliança Francesa em um espaço de aprendizagem em situação real, onde o francês se torna uma prática viva”, destacou.>
Clubes do livro, ateliês de filosofia e a produção de conteúdo a partir do contato com autores francófonos fazem parte dessa abordagem. A experiência se estende para além da sala de aula, com a participação de alunos como voluntários em eventos internacionais realizados em Salvador.>
“A longo prazo, a vivência na Aliança Francesa impacta a formação do aluno ao prepará-lo para enfrentar situações, contextos e interlocutores diversos, desenvolvendo competências linguísticas e interculturais sólidas. O aluno aprende a circular entre culturas, interpretar códigos implícitos e a se adaptar a ambientes internacionais”, destacou Sandrine.>
Nesse contexto, o aprendizado do idioma se consolida como ferramenta de comunicação, reflexão e construção de trajetórias pessoais e profissionais. Para Jonh Brian Lemos, uma metodologia adequada e imersiva traz um sentimento maior de propósito para o aluno. Na Suíça, o estudante faz doutorado sanduíche, programa de estudos no qual parte do trabalho de pesquisa é realizado no exterior.>
“Essa foi uma das diferenças cruciais que percebi na Aliança Francesa. É como se não fosse apenas uma aula no sentido puro de transmitir conteúdo; todo o ambiente corrobora para uma imersão, ainda que temporária, na cultura francófona”, disse Jonh.>
O Projeto Volta às Aulas é uma realização do Jornal Correio com patrocínio da Aliança Francesa Salvador, Colégio Oficina e Escola Rembrandt.>