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Maysa Polcri
Publicado em 24 de março de 2026 às 16:35
A Associação Casa das Mulheres, que teve a presidente presa por tortura contra vítimas de violência doméstica, recebeu o Selo Lilás, do Governo do Estado, em junho do ano passado. A certificação reconhece empresas e entidades que possuem políticas de igualdade de gênero e atuam na defesa das mulheres. >
Entre 2024 e 2025, o Estado reconheceu 199 empresas com o Selo Lilás. A certificação possui duração de dois anos e tem, entre seus objetivos, apoiar às instituições e entidades de defesa da mulher e promoção da igualdade de gênero, segundo o edital. O processo de avaliação dos interessados ocorre em etapa única, que consiste na análise documental da empresa. >
A instituição de acolhimento para mulheres vítimas de violência doméstica, que fica localizada, em Jequié, foi alvo de uma operação na manhã de segunda-feira (23) por suspeita de torturas. A polícia investiga também os crimes de peculato, estelionato e lavagem de capitais.
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Veja onde denunciar casos de violência contra a mulher
Procurada, a Secretaria das Mulheres do Estado (SPM) informou que convocou uma reunião da Comissão avaliadora do Selo Lilás para julgar a suspensão do direito de uso da certificação. "A avaliação toma como base o artigo 14 do edital, que prevê a suspensão do uso da marca caso seja comprovado o envolvimento ou tolerância da empresa com práticas ilegais ou graves falhas éticas", justifica. >
Em julho de 2021, integrantes da associação estiveram na sede da secretaria estadual para uma reunião de alinhamento de visita técnica e capacitação dos agentes que atuam nos serviços especializados de atenção às mulheres no município. A presidente, Elma Britto, que está presa, participou da ação. >
A associação foi alvo de uma operação da Polícia Civil na segunda-feira (23). Elma Britto, a presidente, e Diná Valdelice Carvalho, que trabalha na instituição, foram presas. Elas aparecem em um vídeo praticando agressões físicas e psicológicas contra mulheres acolhidas, entre elas uma adolescente de 17 anos. A reportagem não conseguiu contatar as defesas das investigadas. >
Além das denúncias de violência, a polícia identificou indícios de irregularidades financeiras envolvendo a entidade, incluindo possível desvio de recursos públicos e movimentações consideradas suspeitas.>
A Justiça autorizou o afastamento cautelar da diretoria da entidade investigada e determinou a nomeação de um interventor judicial para a administração provisória do local. A decisão também prevê o encaminhamento das possíveis vítimas à rede de proteção social, com acompanhamento especializado.
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