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Esther Morais
Publicado em 23 de março de 2026 às 11:12
Uma mulher de 51 anos, diretora de uma instituição de acolhimento feminino, foi presa temporariamente nesta segunda-feira (23), por suspeita dos crimes de tortura, peculato, estelionato e lavagem de capitais. A prisão ocorreu durante a Operação Elas por Elas, deflagrada pela Polícia Civil da Bahia no município de Jequié. >
As apurações apontam que a investigada, na condição de presidente da associação voltada à proteção de mulheres vítimas de violência doméstica, teria praticado agressões físicas e psicológicas contra acolhidas da instituição, incluindo uma adolescente de 17 anos.>
Também foram identificados indícios de irregularidades financeiras, com possível desvio de recursos públicos e movimentações suspeitas, além da instalação de câmeras de monitoramento em ambientes privados, o que configura violação à intimidade das acolhidas.>
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Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão, foram apreendidos aparelhos celulares, computadores, documentos e um veículo modelo Corolla Cross, materiais que serão analisados para subsidiar o aprofundamento das investigações.>
De acordo com o diretor da Diretoria Regional de Polícia do Interior (Dirpin/Sudoeste), delegado Roberto Júnior, as investigações policiais se iniciaram a partir da obtenção de informações testemunhais de que a suspeita, presidenta da associação, praticava, com habitualidade, atos de violência física e psicológica em detrimento de acolhidas. >
"Em confirmação às imputações, tivemos acesso a uma mídia extraída diretamente do sistema de gravações da entidade, em que é possível constatar, com clareza, a mulher praticando atos de tortura em face de assistida que, à época, possuía apenas 17 (dezessete) anos de idade. O ato durou mais de sete minutos, contando com puxões de cabelo, arrastamento, imobilização, tapas, chacoalhões e emprego de corrente ao redor dos pulsos da vítima”, contou.>
A Justiça também determinou o afastamento cautelar da diretoria da entidade investigada, a nomeação de interventor judicial para administração provisória da instituição e o acesso a dados armazenados em dispositivos eletrônicos apreendidos durante a operação. A decisão prevê ainda o encaminhamento das possíveis vítimas à rede de proteção social, com acompanhamento especializado.>
As diligências foram conduzidas pela Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam/Jequié), com o apoio da 9ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (Coorpin/Jequié), da Deam de Vitória da Conquista, da Delegacia de Tóxicos e Entorpecentes (DTE), do Departamento de Polícia Técnica (DPT), das Delegacias Territoriais de Jequié, Jaguaquara e Ipiaú, além da Diretoria Regional de Polícia do Interior (Dirpin/Sudoeste).>