Aluno cria abaixo-assinado para remover quadro da Escola de Belas-Artes: “Perspectiva racista”

Professor Wilson Gomes se manifestou contra a ação

Publicado em 29 de outubro de 2023 às 10:14

Alegoria da Lei Áurea
Alegoria da Lei Áurea Crédito: Reprodução

Um abaixo-assinado virtual para remover uma pintura centenária da antessala do Salão Nobre do prédio da Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia (Ufba) foi criado por um aluno da instituição. Até o momento, 146 assinaturas foram coletadas - a meta é atingir 200.

Segundo ele, a imagem tem uma “perspectiva racista” e “causa diariamente espanto, desconforto e violência entre alunos brancos e, sobretudo, negros da Escola de Belas-Artes nos cursos de graduação e pós-graduação”.

O quadro em questão é a “Alegoria da Lei Áurea", de Miguel Navarro y Cañizares, pintado em 1888.A obra faz parte do acervo da faculdade.

O manifesto pede que o quadro seja retirado do espaço de imediato e solicita que a unirsidade se retrate publicamente com alunos e ex-alunos da Escola de Belas Artes. A coleta de assinaturas visa, ainda, mudar o nome da Galeria Cañizares para Galeria Yêdamaria, como forma de reparação simbólica e histórica.

O estudante destaca também, no abaixo-assinado, que a faculdade pode ser processada caso não atenda ao pleito. “Ao optar pela não adoção das medidas, a Escola de Belas-Artes compactua com a perspectiva racista denunciada por intelectuais negros (ao longo da luta negra neste país), bem como discentes e ex-discentes. Sob a mesma recusa, o documento será encaminhado às devidas instâncias da universidade e da sociedade civil”, descreve o manifesto.

O jornalista e professor da Faculdade de Comunicação da Ufba, Wilson Gomes, usou as redes sociais para repudiar a ação.

“Há quem destrua estátuas de civilizações antigas porque os deuses retratados são falsos, há quem queime bibliotecas porque os livros continham doutrinas erradas e há os alunos de Belas Artes da UFBA que querem retirar da faculdade um quadro que retrata um passado de que eles não gostam. Assinem o manifesto e mandem entregar a obra banida lá em casa. A gente não tem problema com 'arte degenerada', não”, escreveu.

A reportagem aguarda posicionamento da Ufba.