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Gil Santos
Publicado em 22 de agosto de 2024 às 13:20
A população vai começar a diminuir na Bahia a partir de 2035. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), até 2070 o estado vai encolher 13,7%. Especialistas explicam que diversos fatores estão interferindo na queda na taxa de fecundidade e citaram também a migração de jovens para outros estados em busca de trabalho e de oportunidades de estudo como mais um complicador dessa equação. >
Segundo as Projeções das Populações do Brasil e das Unidades da Federação 2000-2070, divulgadas nesta quinta-feira (22), a população baiana deve chegar a seu ponto máximo em 2034, quanto terá 14.977.573 de habitantes, e reduzir discretamente no ano seguinte (para 14.977.058 pessoas, em 2035). Daí em diante, a previsão é que recuará ano a ano, até chegar a 12.823.350 pessoas em 2070. >
A supervisora do IBGE na Bahia, Mariana Viveiros, disse que o Censo Demográfico de 2022 apontou que o ritmo de crescimento da população baiana foi pequeno nos últimos dez anos, sendo o terceiro menor do Brasil. Ela citou a queda na taxa de fecundidade - número de filhos por mulheres - e a migração como fatores que influenciam na redução da população. >
"A gente tem uma previsão de queda de 45,2% no número de nascimentos na Bahia até 2070. A gente já vem registrado quedas sucessivas no número de nascimentos no estado desde 2010. Isso contribui para que a população se torne mais velha. Por outro lado, a Bahia é um dos estados que mais manda pessoas para fora, manda mais do que recebe, e geralmente quem migra são pessoas jovens", afirmou. >
Segundo os cálculos do IBGE, entre 2024 e 2070, o estado terá a 3ª maior diminuição absoluta no número de nascimentos, que passará de 166.780 para 91.387, com menos 75.393 crianças nascidas no período (45,2%). No Brasil como um todo, é projetada uma redução de 40,1%. Além disso, as mulheres terão filhos cada vez mais tarde. >
O doutor em Ciências Sociais e professor do Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Regional e Urbano (PPDRU) da Unifacs, Laumar Neves, explica que existem alguns fatores que interferem diretamente na taxa de fecundidade das mulheres baianas. Ele destacou o processo de urbanização e de migração do interior para grandes centros urbanos, o que facilitou o acesso das mulheres a educação e a serviços de saúde que oferecem, por exemplo, métodos contraceptivos. >
"Nos últimos anos tivemos um processo de emancipação feminina, o ingresso mais intenso das mulheres no mercado de trabalho e o aumento da escolaridade que fez com que elas postergassem, ou até mesmo desistissem, o sonho de ser mãe. Houve também a desvinculação do sexo da ideia de reprodução, já que através dos métodos contraceptivos é possível ter relações sem ter filhos", explicou. >
Outro fator apontado pelo especialista são as despesas com a educação e a saúde das crianças, que tem feito os casais repensarem o número de filhos, e um comportamento mais individualista que tem levado as pessoas a priorizarem outros sonhos, como viajar e conquistar bens, em detrimento da maternidade. >