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Pombo Correio
Publicado em 27 de janeiro de 2026 às 20:32
Não há mais fogo, tampouco fumaça. Mas o incêndio que tirou um dos maiores patrimônios culturais da Bahia parece perdurar. Este mês, mais precisamente no último dia 25 de janeiro, o acidente no Teatro Castro Alves (TCA) completou três anos e desde então as grandes atrações culturais se desdobram para atender o público da capital. O prazo para a conclusão das obras permanece indefinido. Em visita ao canteiro nesta terça-feira (27), a ministra da Cultura, Margareth Menezes, afirmou que a entrega está prevista para o primeiro semestre, sem indicar mês ou data específicos. >
“A data específica está a cargo do governo estadual. Eu posso dizer que a Bahia vai ganhar um presente de valor internacional, um palco que merece todo esse grau de importância”, disse Margareth, que visitou o canteiro de obras junto com outras autoridades. Para a ministra, será uma verdadeira obra de arte. Ela também ressaltou o valor simbólico e histórico do TCA para a cultura brasileira e defendeu o cuidado coletivo com o espaço. >
“É uma obra de arte e está sendo entregue para a Bahia. Cada um de nós precisa se tornar um zelador desse patrimônio, porque o Teatro Castro Alves é um patrimônio”, declarou. Em tom pessoal, ela destacou a emoção de acompanhar a reforma. “Eu estou feliz como artista, como cidadã e como ministra de estar presenciando essa ação tão importante para nós. Afinal de contas, esse teatro tem a história da música popular brasileira, então eu fico muito feliz por isso”, completou.>
Para acelerar a entrega, a comitiva disse que a obra não será paralisada durante o Carnaval. O secretário de Cultura da Bahia, Bruno Monteiro, acompanhou Margareth, mas não falou sobre o motivo da demora da obra, tampouco sobre a carência e como serão reorganizadas as apresentações culturais depois do TCA pronto. Contudo, assegurou que o teatro será de todos os portes artísticos, mas sem detalhar como será este processo.>
“Uma das premissas dessa obra do TCA é a acessibilidade e a democratização do acesso ao Teatro Castro Alves. Isso é algo que nos motivou desde o primeiro momento. Voltaremos, inclusive, com o Projeto Domingo no TCA, porque nós não queremos só um teatro pensando em grandes espetáculos para poucas pessoas na sala principal. Nós queremos realmente um espaço cada vez mais aberto aos fazeres culturais e à população como um todo”, disse.>
Desde o acidente, o teatro permanece fechado para reformas estruturais, com sucessivos anúncios de prazos que não se concretizaram integralmente. Inicialmente, a previsão oficial era de reabertura parcial em 2024, o que não ocorreu, empurrando o cronograma para 2025 e, agora, para o primeiro semestre deste ano. O gasto para requalificação já gira em torno de R$ 260 milhões. >
Todas as especificações e o que será mudado no TCA ainda é uma incógnita. O que se enxerga nas obras são grandes mudanças estruturais, mas mantendo o lado histórico do lugar. Nenhum lugar do TCA está sem a presença de alguém da reforma. O presidente da Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia (Conder), José Trindade, deu algumas pistas sobre algumas mudanças significativas. >
“Nós temos aqui um prédio anexo que vai ser ligado à estrutura principal por meio de uma passarela. O Teatro Castro Alves é tombado, então o desafio é juntar o tombamento, a história e a modernidade”, afirmou. Ele também destacou melhorias na infraestrutura interna. “O foyer, por exemplo, que antes não tinha ar-condicionado, agora será totalmente climatizado. Na sala principal, estamos fazendo uma elevação do forro que vai melhorar significativamente a acústica, tanto para os músicos quanto para o público. São vários aspectos de modernidade para entregar o melhor equipamento possível à sociedade”, disse.>
Três anos após o incêndio, o fechamento prolongado do TCA segue impactando a agenda cultural de Salvador. Espetáculos de grande porte migraram para outros espaços ou deixaram de ser realizados na capital, enquanto grupos locais enfrentam a redução de opções de palco.>
O equipamento, que historicamente concentra grandes produções e eventos institucionais, permanece fora de operação plena, se contentando apenas com a Concha Acústica.>
Inaugurado em 1967, o Teatro Castro Alves foi concebido como um complexo cultural moderno para os padrões da época, reunindo sala principal, salas experimentais e áreas técnicas voltadas à produção artística. Tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o equipamento é reconhecido como patrimônio cultural e arquitetônico e, ao longo das décadas, consolidou-se como um dos principais palcos do país, recebendo produções nacionais e internacionais e integrando o circuito cultural brasileiro.>