Contra preconceito do consumidor, indústria realiza a Mostra Bahia Cosmético

Estado tem produção consistente de itens voltados para beleza e cuidados pessoais que são vendidos em todo o país. Porém, os produtos só são comprados por 1% dos consumidores locais

Publicado em 13 de setembro de 2017 às 18:06

- Atualizado há 10 meses

A Bahia tem uma produção consistente de cosméticos, porém, as 72 indústrias baianas do setor ocupam apenas 1% de participação no mercado local. Para Raul Menezes, presidente do Sindicato das Indústrias de Cosméticos da Bahia (Sindcosmetic-BA), esta realidade é fruto de dois aspectos. O primeiro é o preconceito do consumidor em relação aos produtos fabricados aqui, e o segundo é a dificuldade das empresas para inovar e entender o desejo do consumidor. E é para atacar estes dois problemas que a entidade vai promover a Mostra Bahia Cosméticos, no próximo dia 19, na sede da Federação das Indústrias da Bahia (Fieb), no bairro do Stiep. 

“A indústria baiana de cosméticos teve um lucro alto com umidificantes (produtos usado em cabelos alisados), cerca de 60% do faturamento das empresas vinha deste tipo de produto, mas o cacheado virou moda, virou tendência e o faturamento caiu. Nosso setor se move muito por tendências”, disse Menezes. Ele acrescentou, contudo, que o sindicato que dirige está preocupado com este lado e por isso tem procurado incentivar a inovação e a troca de experiências entre as empresas, além da participação em eventos do setor, como a Beauty Fair, realizada recentemente em São Paulo. “Fiquei muito feliz em ver que na maior feira de beleza do país, a Beauty Fair, uma empresa lançou um linha nova para cabelos lisos”, falou sorrindo. Ele garantiu que após sofrer o impacto nas vendas, as indústrias baianas ampliaram o portfólio de produtos e hoje, inclusive, trabalha em  produtos de maior valor agregado. “As indústrias baianas estão bem mais antenadas aos novos anseios dos consumidores”, garantiu.

Segundo ele, um dos objetivos da Mostra Bahia Cosméticos é capacitar mais a indústria baiana para entender o comportamento dos consumidores e as tendências de mercado por meio de palestras e seminários. O outro é o de valorizar a produção local, uma forma de vencer o preconceito. Dez empresas do setor vão expor seus produtos na mostra em estandes cuja visitação estará aberta ao público. “Temos produtos de qualidade que precisam ser mostrados. Estamos lutando muito para ter produtos inovadores e de qualidade”, afirmou, citando o exemplo de sua própria empresa, que fabrica produtos para cuidados para os pés. “Minha empresa está presente em 3 mi pontos de vendas em 16 estados”. 

A Mostra Bahia Cosméticos foi lançada hoje (13/9) em um almoço para convidados. Presente ao evento, o presidente da Fieb, Ricardo Alban, afirmou que a federação apoia integralmente a mostra e as ações do Sindicosmetic, uma vez que este é um dos poucos setores que reúne indústrias voltadas para o consumidor final na Bahia. “Temos a obrigação de crescer na produção de produtos finais. A Bahia é o maior mercado consumidor do Nordeste”, disse, citando que, embora com parques industriais menores, Ceará e Pernambuco têm número de indústrias voltadas ao consumidor final maior que o da Bahia. “Este tipo de indústria agrega mais valor, agrega mais salário”, disse.

 Alban aproveitou para se mostrar otimista em relação ao setor industrial no estado. Ele reconheceu que a performance do setor nos primeiros sete meses do ano (janeiro a julho) foi a pior do Brasil, mas garantiu que o números de julho já apontavam para um melhor horizonte que deve se confirmar nos últimos meses do ano por causa, entre outros fatores, do aumento de produção da Ford – que passou a operar em tempo integral -, pela recuperação do preço da celulose, pela nova política de preços de combustíveis da Petrobras e pela retomada dos leilões de energia renovável pelo governo federal. “Com a nova política da Petrobras não vai se gastar tanto com a importação de combustíveis. Os novos leilões de energia renovável vão movimentar a indústria de equipamentos eólicos”, justificou. Alban, contudo, advertiu que o bom momento pode ser interrompido caso o governo cumpra a ameaça de aumentar a carga tributária do país. “A industria não tem como segurar o imposto, que acaba sendo repassado ao produto e à sociedade”, falou