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Maria Raquel Brito
Publicado em 9 de maio de 2026 às 05:00
A história de Célia Carneiro com a arte é antiga. Hoje com 65 anos, formou-se em Belas Artes aos 22 e trabalhou por três décadas na área de educação e arte. A proximidade fez com que nascesse um sonho: ser uma pessoa voltada exclusivamente para as artes. Fez isso assim que se aposentou, e hoje diz com segurança que se enxerga como uma artista ceramista. >
Especialista em peças que retratam orixás e elementos da cultura afro-baiana, Célia desenvolveu uma assinatura artística profundamente ligada à “cabeça”, símbolo de pensamento, guia e espiritualidade. Suas imagens, produzidas sob o rigor técnico da alta temperatura, são resultado de uma busca constante por identidade. Para ela, o artesanato não é apenas um produto, mas uma história individual que carrega o aprendizado e a fé que sustentam o povo baiano.>
O tempo não demorou a mostrar que a paixão de Célia pelo artesanato está no sangue. Vendo a mãe dominar a cerâmica, Tainan Carneiro cresceu livre para se arriscar no mundo da arte. Com Célia, aprendeu técnicas e processos, e ficou confiante o suficiente para buscar seu próprio estilo. Hoje, aos 36 anos, tem especialização no torno, enquanto a mãe mantém a tradição da modelagem manual. “Nossa amizade só melhorou. Ela me incentiva muito no mundo da arte… Não é toda mãe que tem essa coragem”, diz Tainan. >
Célia Carneiro e o filho Tainan
Célia Carneiro é uma das muitas mulheres que movem o artesanato na Bahia. De acordo com dados do Sistema de Informações Cadastrais do Artesanato Brasileiro (SICAB), a força feminina compõe mais de 75% da categoria no estado. Arte que é passada de mães para filhos, deixa uma herança cultural nas famílias e tem o poder de estreitar ainda mais as relações. É o que conta a artista. >
“Eu trabalho mais moldando, mão a mão. Isso tudo fez com que despertasse em nós dois essa relação mais carinhosa, mais afetiva, de conversar, trocar ideias, dele ver minhas dificuldades e meus erros e ir aprendendo”, diz. >
Além de ser, por si só, um trabalho fortemente familiar, a cerâmica está entre opções diferentes e únicas para presentes para o Dia das Mães, celebrado no próximo domingo (10). Coordenador de Fomento ao Artesanato da Bahia, Weslen Moreira afirma que valorizar as mulheres ceramistas e seu trabalho na data, aproveitando a data para presentear com itens artesanais, é valorizar a força da arte popular baiana, a cultura e a geração de renda para milhares de famílias. >
As possibilidades são muitas: vão de brincos e pulseiras a lamparinas e moringas decorativas, disponíveis on-line pela Loja Artesanato da Bahia e em pontos de venda espalhados pelo estado. >
“A política pública do artesanato da Bahia atua justamente nesse fortalecimento. Não para ensinar quem já carrega um saber ancestral, mas para contribuir com qualificação em áreas como vendas, precificação, marketing digital e ampliação de mercados, ajudando essas artesãs a venderem mais, seja nos pontos físicos ou também pela internet”, diz.>
Célia sabe bem disso. Para ela, empreender na área de artesanato envolve uma relação de muita dedicação, força de vontade, e, acima de tudo, identidade. “Essa identidade é que mostra que temos a nossa história para mostrar. Eu tento mostrar, com as minhas peças, um aprendizado meu: me conhecer como uma pessoa pertencente à cidade de Salvador”, define. >
Loja Casa do Artesanato da Bahia, Porto da Barra>
Funcionamento: Segunda a sexta, das 9h às 18h; Sábados, das 9h às 17h; e Domingos, das 9h às 14h>
Loja Morro de São Paulo>
Funcionamento: Todos os dias, das 10h às 22h>
Loja Conceito Muncab>
Funcionamento: Terça a domingo, das 10h às 18h>
Loja Conceito MAC>
Funcionamento: Terça a domingo, das 10h às 18h>
Veja cinco dicas de presentes para o Dia das Mães