Documentos da prefeitura desmentem Rui Costa sobre creches em Salvador

Diferentemente do que disse o ministro da Casa Civil, a prefeitura inscreveu seis propostas de construção de unidade escolar na capital baiana, mas governo federal recusou os projetos

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  • Rodrigo Daniel Silva

Publicado em 13 de março de 2024 às 13:33

Atual ministro da Casa Civil, Rui Costa era governador da Bahia na época do contrato
Rui Costa Crédito: Wagner Lopes/CC

Seis documentos obtidos pelo CORREIO mostram que o governo federal recusou seis propostas apresentadas pela prefeitura de Salvador para a implantação de escolas pelo novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Os textos desmentem a declaração do ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), que na última segunda-feira (11) afirmou que a gestão municipal não fez nenhum pedido para construir creches na capital baiana.

As propostas feitas no ano passado foram registradas com os seguintes números - 26298010765/2023; 26298010803/2023; 26298010789/2023; 26298009709/2023; 26298010815/2023 e 26298010777/2023. Os documentos – inscritos no PAC – pedem entre R$ 4,3 milhões e R$ 13,7 milhões ao governo federal para a construção de creches, escolas infantis e escolas em tempo integral.

Documento sobre pedido cheche em Salvador
Documento sobre pedido cheche em Salvador Crédito: Divulgação

No total, se as propostas fossem aprovadas, seriam destinados à administração soteropolitana aproximadamente R$ 54 milhões. Entretanto, todas as solicitações estão “não habilitada” pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Documento sobre pedido de creche em Salvador
Documento sobre pedido de creche em Salvador Crédito: Divulgação

Na última segunda-feira, Rui Costa, que é responsável pelo PAC, esteve em Salvador para lançar o programa federal “Pé-de-Meia” com o ministro da Educação, Camilo Santana (PT). No evento, ele disse que a capital baiana não foi contemplada com projetos para erguer creches, porque a prefeitura não inscreveu no programa. A fala do petista é desmentida agora com os documentos da gestão municipal.

"Nós não podemos atender agora Salvador com uma creche. Não porque não foi selecionada, mas porque o município de Salvador não inscreveu nenhuma proposta para creche no PAC", afirmou Rui Costa, na ocasião. No mesmo evento, o ministro da Casa Civil admitiu que propostas feitas por prefeituras para construir unidades educacionais foram recusadas pelo governo federal por falta de recursos.

O prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), rebateu a fala do ministro. "Se tem algo que a diferença é gritante, é a comparação entre a educação do município de Salvador e a do estado. Aqui, como a gente realiza um trabalho sério, a gente não precisa aprovar aluno por decreto, por portaria", declarou, ao enumerar obras feitas pela sua administração.

"Não tem crianças de 4 e 5 anos fora das alternativas oferecidas pela cidade, que vão desde unidades próprias, o programa Pé na Escola, e creches parceiras. Hoje, de 2 a 3 anos, as crianças que estão fora (da escola) é por uma decisão dos pais", acrescentou.