Empresária baiana Negralu denuncia episódio de discriminação em shopping de Salvador

Portadora de vitiligo, empresária escutou que “não deveria estar na rua”

Publicado em 8 de dezembro de 2023 às 19:58

Negralu denuncia episódio de discriminação racial
Negralu denuncia episódio de discriminação racial Crédito: Arquivo pessoal

A empresária baiana Luciana Costa, mais conhecida como Negralu, denunciou uma mulher, ainda não identificada, por injúria racial, cometida no Salvador Shopping, na tarde da última terça-feira (05). Negra e portadora de vitiligo, Negralu escutou da mulher que “não deveria estar na rua” e “que poderia contaminar as pessoas”.

A empresária denunciou o episódio na última quarta-feira (06) e a Polícia Civil informou que o caso está sendo investigado pela 11ª Delegacia Territorial (DT) de Tancredo Neves. Segundo Negralu, ela estava tomando café no Quiosque Julietta Sanduíches e Massas, situado no shopping, quando a mulher se aproximou dela e começou a ofendê-la.

“Ela me disse que não era para eu estar na rua com a minha doença contaminando outras pessoas, tentando tocar em mim e foi insistente, dizendo que eu estava assustando as pessoas naquele lugar”, lamentou Negralu.

No boletim de ocorrência, ao qual a reportagem teve acesso, Negralu descreve a mulher como uma pessoa branca, de cabelos loiros, usando óculos e aparentando ter cerca de 70 anos. Ainda de acordo com Negralu, um funcionário do quiosque chegou a dizer que a mulher já costuma frequentar o estabelecimento e que seria “louca”.

No entanto, uma pessoa, que também demonstrava conhecer a mulher, rebateu dizendo que ela seria “maldosa mesmo”. Na denúncia, Negralu pediu para que o shopping fosse acionado judicialmente para ceder as imagens da câmera de segurança para identificar a mulher.

“Ela não era desorientada nem louca, já era idosa, sim, deveria ter mais de 70 anos, mas a minha mãe tem 70 anos, meu pai tem 80 anos, mas eles não andam falando essas coisas para as pessoas na rua”, destaca Negralu.

Questionado, o Salvador Shopping se mostrou disposto a ceder as imagens e informou que segue a determinação jurídica de disponibilizar as imagens somente sob determinação judicial, para evitar que seja feito um uso abusivo das imagens por terceiros.

Segundo Negralu, ela recebeu apoio do Shopping e da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi). Na última quarta-feira (06), a Secretaria convocou o Salvador Shopping para uma reunião na sede da pasta, auxiliou Negralu no registro do boletim de ocorrência e disponibilizou assistência psicológica para ela.

O Salvador Shopping disponibilizou a assistente social do centro de compras para prestar acolhimento a Negralu e disse que se mantém à disposição dela.

“O shopping lamenta o fato envolvendo duas clientes e reitera que repudia qualquer tipo de preconceito e desrespeito. A assistente social do empreendimento prestou acolhimento à cliente vítima do ato preconceituoso e segue à disposição, caso ela necessite. Com relação a disponibilização de imagens, por questões legais, estas só podem ser fornecidas mediante solicitação judicial”, afirmou o Salvador Shopping, em nota.

Negralu afirma que o último contato que teve com o Salvador Shopping e com a Sepromi foi na quarta (06), e que não deseja identificação financeira, mas uma retratação da mulher e que o vitiligo seja normalizado, para que situações de preconceito não se repitam.

“Eu quero que as pessoas olhem para mim e não vejam o vitiligo, eu quero que elas olhem para mim e vejam Luciana, porque eu não sou o vitiligo, o vitiligo é uma condição. Eu quero que as pessoas saibam que todas as pessoas em condição de vitiligo são uma pessoa além disso”, disse Negralu, que também denunciou o episódio nas redes sociais dela.

A reportagem entrou em contato com a Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi) solicitando um pronunciamento, mas não houve retorno até a publicação desta matéria.

Com orientação da subchefe de reportagem Monique Lôbo