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Entre selfies e saudade: fãs celebram Moraes Moreira em bronze no coração do Carnaval

Estátua em bronze do músico e poeta baiano na Praça Castro Alves se transforma em ponto de encontro e homenagem à sua trajetória no trio elétrico

  • Foto do(a) author(a) Bruno Wendel
  • Bruno Wendel

Publicado em 14 de março de 2026 às 15:51

Selfies e saudade: fãs celebram Moraes Moreira em bronze
Selfies e saudade: fãs celebram Moraes Moreira em bronze Crédito: Bruno Wendel/CORREIO

Entre passos apressados, muitos pararam na Praça Castro Alves para um momento especial: um clique ao lado de Moraes Moreira. Em bronze, o músico, poeta baiano e primeiro cantor de trio elétrico do país continua onde sempre pertenceu — no histórico coração do Carnaval. A cada foto, renascem memórias dos encontros de trio que ele ajudou a eternizar.

“O encontro era às 4h, e a gente ficava na balaustrada esperando ele, Baby, Pepeu, Armandinho e outros artistas. Aos poucos, ia formando uma multidão na madrugada, para ver os melhores do Carnaval”, recorda o agente de limpeza Edvaldo dos Santos, de 56 anos, na manhã deste sábado (14), após tirar uma selfie defronte à estátua, localizada em frente ao Hotel Fasano, inaugurada nesta quinta-feira (12).

Selfies e saudade: fãs celebram Moraes Moreira em bronze por Bruno Wendel/CORREIO

Edvaldo conta que, no final dos anos 70, tempos áureos do Carnaval, Moraes chegou à praça com Caetano Veloso no “Saborosa”, nome de uma cachaça que patrocinava o trio. “A estrutura toda era em formato de uma garrafa. Lembro que todo mundo ficou admirando aquilo tudo”, declara.

Quem também parou para tirar uma foto foi a autônoma Mag Lima, 56. “Pulei muito ao som dele. Eu vinha do Campo Grande até aqui, no momento em que ele parava o trio, e o coro comia”, revive ela, fazendo referência ao frevo, ritmo pernambucano que Moraes adaptou ao trio e misturou com outras batidas da Bahia, como samba-reggae e axé.

E foi no embalo dessa batida frenética que o pizzaiolo Wilson Temóteo, 60, chegou cantarolando um dos grandes sucessos do ídolo: “‘Varre, varre, varre vassourinhas / Varreu um dia as ruas da Bahia’. Chega a arrepiar só de lembrar. Essa imagem é uma homenagem justa a ele, que fez muito pelo nosso Carnaval”, diz, enquanto registrava o momento com o celular.

Nascido em Ituaçu, na Chapada Diamantina, Moraes mudou-se para Salvador, onde conheceu Tom Zé e, posteriormente, Baby Consuelo (hoje Baby do Brasil), Pepeu Gomes, Paulinho Boca de Cantor e Luiz Galvão. “Não vivi esta época, mas amo os Novos Baianos, e ele é referência máxima para nós”, comenta a nutricionista Camila Rodrigues, 35, ao lado do filho, Martim Rodrigues, de oito anos.

Para muitos, o reconhecimento a Moraes Moreira é mais do que devido. “É uma obrigação. Ele deixou um legado. Àquela época, era a festa de verdade. Quando começava, não queria parar. Ele amava fazer a alegria do povo”, recorda o técnico em segurança do trabalho Márcio Oliveira, 53. A opinião é a mesma do poeta Claúdio Dórea de Simões Filho, 70. “Era fera na música e um poeta nato”, diz.

Há quem ache que o artista merecia um destaque maior. “Pela grandeza dele, pelo legado, poderia ter uma visibilidade maior. Ele é tão poeta quanto”, opina o engenheiro João Ramos, 56, ao comparar a estátua de bronze, com pouco mais de 1,80 m de altura, com a de Castro Alves, que possui, incluindo o pedestal, 11 metros.