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Ex-Bope que inspirou Capitão Nascimento chama de 'tragédia' domínio de facções na Bahia

Em vídeo publicado nas redes sociais, Rodrigo Pimentel falou sobre a disputa pelo tráfico de drogas no estado

  • Foto do(a) author(a) Maysa Polcri
  • Maysa Polcri

Publicado em 22 de maio de 2026 às 20:08

Autor do livro 'Tropa de Elite' falou sobre a situação da violência na Bahia
Autor do livro 'Tropa de Elite' falou sobre a situação da violência na Bahia Crédito: Reprodução/Redes sociais

O ex-capitão do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) do Rio de Janeiro e especialista em segurança pública, Rodrigo Pimentel, publicou nesta sexta-feira (22) um vídeo nas redes sociais em que alerta sobre o avanço do domínio territorial de facções criminosas na Bahia.

Ao comentar episódios recentes de violência, inclusive a invasão a um cemitério e tiros contra uma caixão, Pimentel classificou o cenário como uma “tragédia humanitária” e afirmou que as organizações criminosas atuam com sensação de controle sobre regiões do estado.

No vídeo, o especialista, que inspirou o personagem Capitão Nascimento do filme Tropa de Elite, utiliza como exemplo imagens de um ataque ocorrido durante o velório de um adolescente ligado a uma facção, quando criminosos de uma facção rival invadiram um cemitério e dispararam contra o caixão, provocando correria e pânico entre os presentes.

“Você quer entender exatamente o que é domínio territorial? Veja essas imagens da Bahia, em plena luz do dia, durante um velório de um traficante menor de idade. Facção rival ataca o cemitério e metralha o caixão, causando um pânico generalizado na cidade”, contextualizou. 

Segundo Rodrigo Pimentel, a ação demonstra que os grupos criminosos acreditam ter controle pleno do território. “Certamente, essa facção só vai operar dessa forma, com tamanha ousadia, se ela entender que domina plenamente o território e que nada vai acontecer durante essa ação. Esse é um sintoma clássico do domínio territorial. Isso é muito grave”, afirmou.

O ex-capitão do Bope também citou o crime em que um casal e um bebê foram mortos em meio a uma disputa envolvendo facções. “Um casal é assassinado pela facção rival em função de uma dívida na cidade de Alagoinhas. Esse casal é assassinado e um bebê recém-nascido também paga pelos pais. Essa é a situação atual da Bahia”, disse.

Pimentel questionou ainda a capacidade de mudança do cenário a curto prazo e fez críticas à política de segurança pública no estado e no país. Ele afirma que a Bahia possui, proporcionalmente, uma das menores populações carcerárias do Brasil e defende ações simultâneas e mais duras para retomada dos territórios dominados pelo crime organizado.

Ele também criticou o Plano Nacional de Segurança Pública apresentado recentemente pelo governo federal, afirmando que o projeto não prevê medidas concretas para recuperação de áreas dominadas por facções criminosas.