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Entenda as tretas que marcaram a eleição inédita para a Reitoria da Ufba

João Carlos Salles e Jamile Borges foram eleitos reitor e vice-reitora nesta sexta-feira (22)

  • Foto do(a) author(a) Maysa Polcri
  • Maysa Polcri

Publicado em 22 de maio de 2026 às 19:55

Universidade Federal da Bahia (Ufba)
Veja os detalhes da disputa inédita  Crédito: Marina Silva/Arquivo CORREIO

disputa pela Reitoria da Universidade Federal da Bahia (Ufba) terminou com a vitória do professor João Carlos Salles, mas a campanha ficou longe de ser tranquila. Ao longo das últimas semanas, a eleição foi marcada por ações na Justiça, troca de acusações entre candidatos, debates tensos, denúncias de irregularidades e até pedido de impugnação do pleito.

Ao lado da professora Jamile Borges, Salles retorna ao comando da universidade para o terceiro mandato em uma disputa inédita marcada pelo voto direto. Após a divulgação do resultado oficial, a chapa liderada pelo professor Fernando Conceição informou que pediu a impugnação da eleição. Antes disso, muitos desentendimentos já haviam sido registrados. Relembre abaixo. 

Atrasos e denúncias sobre urnas marcaram a votação

O primeiro dia de votação foi marcado por denúncias de desorganização e atrasos na entrega de urnas. Relatos indicam que em Salvador e em outros campi, não receberam as urnas no horário previsto para o início da votação, às 8h. Em alguns locais, de acordo com as chapas, os equipamentos só chegaram após as 11h, provocando atrasos e filas entre estudantes, professores e servidores.

Os candidatos Fernando Conceição e Salete Maria divulgaram uma nota conjunta criticando a condução do pleito e afirmando que houve “flagrante descumprimento” das regras estabelecidas pelo Conselho Universitário. Fiscais ligados às chapas participantes também relataram supostas irregularidades na condução do transporte dos equipamentos utilizados na eleição.

Candidato da chapa 1 divulgou imagens de unidades como a Escola de Belas Artes. Eleição para reitoria da Ufba começa com falta de urnas nesta quarta-feira (20) por Reprodução

Disputa sobre boca de urna foi parar na Justiça

Outro motivo de tensão envolveu a boca de urna durante os dias de votação. A prática consiste na atuação de cabos eleitorais junto aos locais de votação para promover candidatos. A Justiça Federal determinou que a Ufba proibisse qualquer tipo de abordagem eleitoral direta a eleitores em toda a extensão do campus universitário durante o pleito.

A decisão suspendeu um trecho da norma complementar da Comissão Eleitoral que limitava a proibição apenas às imediações das mesas de votação. A medida, no entanto, sofreu uma reviravolta pouco depois, quando um desembargador federal acolheu recurso apresentado pela Ufba e suspendeu os efeitos da liminar. 

Ele considerou que houve ingerência indevida do Judiciário em matéria ligada à autonomia universitária. O entendimento foi de que a Justiça acabou substituindo critérios técnicos definidos pela Comissão Eleitoral por uma interpretação administrativa própria, criando uma regra territorial que não existia originalmente no regulamento do processo eleitoral.

Debates foram marcados por tensão e ataques

Os debates entre os candidatos também tiveram momentos de tensão. No primeiro encontro, o professor Fernando Conceição criticou a relação política entre João Carlos Salles e Penildon Silva Filho, afirmando que ambos representavam o mesmo grupo dentro da universidade. Durante o debate, houve troca de acusações e críticas pessoais. Penildon pediu direito de resposta e defendeu que a disputa fosse conduzida com civilidade. O episódio acabou se tornando um dos momentos mais tensos da campanha eleitoral.

Penildon Silva Filho por Paula Froes

Justiça mandou retirar nota da Ufba contra candidato

Um dos primeiros embates judiciais ocorreu no início de maio, quando a Justiça Federal determinou a retirada imediata de uma nota institucional publicada pela Ufba em seus canais oficiais. A decisão liminar foi proferida após ação movida pelo vice-reitor e então candidato Penildon Silva Filho. Segundo a decisão, o texto fazia menção direta ao candidato e atribuía a ele condutas consideradas eticamente reprováveis, o que motivou a determinação para retirada do conteúdo dos canais institucionais da universidade.

Pedido de impugnação 

Nem o anúncio da vitória encerrou a turbulenta disputa. Pouco antes da divulgação oficial do resultado que confirmou a eleição do professor João Carlos Salles, uma das chapas derrotadas entrou com um pedido de impugnação do pleito, ampliando ainda mais a crise que marcou a campanha. O recurso foi apresentado pela chapa liderada pelo professor Fernando Conceição, que apontou supostas irregularidades durante os dias de votação, como atrasos no início do processo eleitoral e problemas na distribuição de urnas em diferentes unidades da universidade.