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Mesmo preso, ‘Val Bandeira’ ainda simboliza o poder do CV no Nordeste

Comando descentralizado mantém “chefões” e garante força da facção no complexo

  • Foto do(a) author(a) Bruno Wendel
  • Bruno Wendel

Publicado em 5 de maio de 2026 às 09:00

Josevaldo Bandeira, é conhecido como Val Bandeira
Josevaldo Bandeira, é conhecido como Val Bandeira Crédito: Divulgação

Embora adote uma estrutura descentralizada, o Comando Vermelho no Complexo do Nordeste mantém seus “chefões”. Uma das figuras mais conhecidas dentro da organização é “Val Bandeira”, apontado como um dos fundadores do extinto Comando da Paz (CP), que posteriormente se aliou à facção carioca.

No grupo, Josevaldo Bandeira é considerado uma liderança simbólica. Apesar do respeito que mantém entre os integrantes, não teria hoje atuação direta nas operações, por estar custodiado no Presídio Federal de Porto Velho — onde, inclusive, foi alvo de um novo mandado de prisão em 2025, cumprido dentro da própria unidade durante a Operação Muralha.

‘Zói de Gato’, 'Falcão' e ‘Chokito’: quem sustenta o domínio do CV no Nordeste por Reprodução

Atualmente, “Pai Pequeno” é apontado como o “número 1” da organização no complexo, embora mantenha fidelidade a “Val Bandeira”. Ele chegou a ser preso pela Polícia Civil em 2014 por diversos homicídios e, à época, já era monitorado por sua forte atuação ao lado de “Val”. Em 2021, voltou a ser preso, desta vez em Pernambuco, após ter mandado de prisão expedido por rompimento de tornozeleira eletrônica durante o cumprimento de pena em regime de progressão e liberdade assistida.

Outros nomes ligados ao topo da estrutura do CV no complexo atuam fora do território, mas seguem conectados à dinâmica local. Esse modelo descentralizado ajuda a explicar como o Comando Vermelho conseguiu transformar o Complexo do Nordeste em uma espécie de “quartel-general” em Salvador. A distribuição de funções reduz a dependência de uma única liderança e dificulta a desarticulação completa do grupo por parte das forças de segurança.

Ao mesmo tempo, a estrutura favorece a manutenção de outras atividades ilícitas além do tráfico de drogas, como a cobrança de taxas de comerciantes e o controle de serviços em comunidades. A atuação coordenada entre lideranças locais garante não apenas a permanência territorial, mas também a expansão da influência do grupo em áreas vizinhas.

Para especialistas em segurança pública, esse tipo de organização, baseada em células e com forte conexão interestadual, exige estratégias que vão além do confronto direto. A identificação e o enfraquecimento dessas lideranças são considerados pontos-chave para reduzir o poder da facção em regiões densamente povoadas como o complexo.

“No Nordeste de Amaralina, assim como em outras localidades, o crime é difícil de ser combatido não porque seja mais inteligente do que o Estado, mas porque vence quando o Estado é mais lento. Quebrar esse ciclo exige que a segurança pública também se torne um sistema adaptativo complexo — que aprenda, se reorganize e explore, também, a previsibilidade do crime”, afirma o professor de Direito da Estácio-Fib, coronel Antônio Jorge.