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Esther Morais
Publicado em 23 de janeiro de 2026 às 09:33
A turista do Rio Grande do Sul presa por suspeita de injúria racial em Salvador teria solicitado atendimento exclusivo por um delegado de pele branca enquanto estava na delegacia. A mulher, identificada como Gisele Madrid Spencer Cesar, de 50 anos, foi presa na quarta-feira (21), após proferir ofensas racistas e cuspir em uma vendedora ambulante negra no Pelourinho, no Centro Histórico da capital baiana. >
Mesmo após ser conduzida à Delegacia Especializada de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa (Decrin), a suspeita continuou a adotar uma conduta discriminatória. Ainda na unidade policial, ela teria exigido ser atendida exclusivamente por um delegado branco.>
Turista gaúcha foi acusada de injúria racial em Salvador
O crime ocorreu na Praça das Artes, durante um evento gratuito realizado no local. Em entrevista à TV Bahia, a vítima, identificada como Hanna, relatou que trabalhava no bar do evento quando foi insultada pela turista.>
“Eu fiz uma venda e retirei o balde de um cliente. Quando passei, ela falou: ‘Vai mais um lixo’. Eu questionei, e ela reafirmou que eu era um lixo e ainda cuspiu em mim”, contou. Segundo a comerciante, a suspeita ainda a encarou e afirmou: “Eu sou branca”.>
Após o episódio, a turista tentou deixar o local, mas se envolveu em outras confusões e acabou sendo contida por seguranças até a chegada da polícia. A prisão foi realizada por equipes da Decrin, que conduzem as investigações.>
Antes do crime, Gisele publicou nas redes sociais registros de sua passagem por Salvador. Ela se apresenta como criadora de conteúdo voltado para viajantes e estava na cidade há cerca de sete dias. Durante a estadia, participou da Lavagem do Bonfim e compartilhou fotos ao lado de baianas e de integrantes do bloco afro Filhos de Gandhy, símbolos da cultura e da resistência negra na Bahia. Também publicou registros em shows de bandas como a Timbalada.>
Após o registro da ocorrência, foram realizadas oitivas pela equipe da Decrin. A suspeita permanece custodiada e à disposição da Justiça. O CORREIO tenta localizar a defesa de Gisele Madrid Spencer Cesar.>
A legislação brasileira equipara o crime de injúria racial ao de racismo, o que torna a conduta inafiançável e imprescritível.>