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Maysa Polcri
Publicado em 6 de abril de 2026 às 19:12
O deputado estadual Binho Galinha, preso desde outubro do ano passado, se filiou ao Avante para disputar a reeleição neste ano. As informações foram confirmadas pelo CORREIO. Antes, o parlamentar era filiado ao PRD, que o suspendeu após a prisão. >
Kleber Cristian Escolano de Almeida, o Binho Galinha, é acusado de comandar uma milícia com atuação especialmente em Feira de Santana, na Bahia. O parlamentar se entregou dois dias após ser alvo da operação Estado Anômico e foi trazido para Salvador, no ano passado. A defesa nega que ele tenha cometido crimes e diz que o deputado colabora com as investigações.>
Como mostrou reportagem do CORREIO, Binho Galinha não pode perder o mandado mesmo faltando às sessões da Assembleia Legislativa da Bahia (Alba) enquanto estiver preso. Enquanto não houver julgamento e a prisão ser preventiva, as faltas na Casa não são computadas.>
Binho Galinha
Segundo o juiz federal Dirley da Cunha Júnior, pós-doutor em Direito Constitucional, em caso de condenação em regime fechado (quando a pena começa a ser cumprida na prisão), a perda do mandato é automática, segundo entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF). Isso porque o parlamentar não teria como frequentar as sessões. >
"Por mais que o deputado passe um, dois anos, sem frequentar às sessões, ele não perde o mandato porque não há condenação em trânsito e julgado, por enquanto", detalha. O cenário muda em caso de condenação em regime aberto ou semiaberto. "Nesse caso, mesmo cumprindo medidas cautelares, o deputado pode participar das sessões", acrescenta Dirley da Cunha Júnior. Os deputados estaduais podem decidir sobre a perda do mandato. >
Binho Galinha é apontado como líder de organização criminosa com atuação principalmente na região de Feira de Santana. Segundo investigações das operações 'El Patrón' e 'Estado Anômico', o grupo é responsável por delitos como lavagem de dinheiro, obstrução da justiça, jogo do bicho, agiotagem, receptação qualificada, comércio ilegal de armas, usurpação de função pública, embaraço a investigações e tráfico de drogas.>
A defesa de Binho Galinha afirma que ele não cometeu crimes. "O parlamentar reforça que tem colaborado com as autoridades desde o início das investigações e reafirma sua confiança na Justiça, destacando que todos os fatos serão devidamente esclarecidos ao longo do processo", disse, em nota.>
Em fevereiro deste ano, o deputado estadual Binho Galinha teve uma arma apontada para a cabeça durante uma inspeção no Centro de Observação Penal (COP), no Complexo Penitenciário da Mata Escura. Além dele, dois advogados que estavam na cela também foram ameaçados. >
A denúncia foi feita pelo advogado Alexsandro Souza Cerqueira durante audiência virtual na 1ª Turma da 1ª Câmara Criminal, realizada em 10 de fevereiro. Ele afirmou que policiais penais do Grupamento Especializado em Operações Prisionais (Geop) utilizaram uma espingarda calibre 12 durante a revista.>