Saiba como as mulheres fazem a diferença no empreendedorismo

Trajetória de empreendedoras bem sucedidas é marcada pela busca pela liberdade e equidade de gênero; conheça histórias

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  • Larissa Almeida

Publicado em 5 de março de 2024 às 05:30

Luiza Helena Trajano participa de celebração de acordo entre o Grupo Mulheres do Brasil e Banco Master Crédito: Ana Lucia Albuquerque/CORREIO

Um dos caminhos para a autonomia financeira, o empreendedorismo é o meio de sustento de inúmeras pessoas que buscam ter seu próprio negócio. Para as mulheres, no entanto, escolher tal vocação para a vida sempre envolveu o enfrentamento de obstáculos como o patriarcado e o estigma de gênero. Mesmo para a empreendedora mais bem sucedida do Brasil, eleita como uma das mulheres mais influentes do mundo pela revista britânica ‘Financial Times’ em 2021, o caminho não deixou de ser árduo.

Luiza Helena Trajano, presidente do Conselho do Magazine Luiza e fundadora do Grupo Mulheres do Brasil, contou durante um evento em Salvador, nesta segunda-feira (3), que a sua marca no setor empreendedor só pôde ser impressa porque, para além do apoio da família, ela teve capacidade de perseguir seus objetivos.

“Uma coisa sempre me moveu desde os 12 anos de idade: eu tinha o propósito de tocar na banda, eu não queria só ver a banda passar. [...] Fiz um pacto de não perder a minha essência e, quando eu estava em uma mesa e os homens não me davam confiança, eu levantava a mão e dizia ‘eu acho que vocês deviam me ouvir, eu tenho uma ideia ótima’. O que me ajudou muito foi a minha autoestima, eu me acho uma espetáculo”, frisou.

Outro diferencial que contribuiu para a sua trajetória, segundo Luiza, foi a habilidade de ‘somar QIs’. “Eu aprendi a ser inteira em tudo que estou fazendo. Se estou conversando com a pessoa mais simples, ela é a mais importante. Se eu estou conversando com outra pessoa, ela é a mais importante. Aprendi a escutar todo mundo, é isso que chamo de somar QIs”, esclareceu.

Foi movida por esse aprendizado que ela decidiu lançar na pandemia, por meio do Magazine Luiza, o primeiro programa de trainee exclusivo para pessoas negras. O programa, que foi alvo de diversas críticas, tinha como intuito garantir a presença de negros na empresa – com possibilidade de alcançar cargos de liderança internamente. A ação se deu porque havia poucas pessoas negras nessas posições de poder.

Essa, no entanto, não foi a primeira vez que Luiza Helena Trajano decidiu inovar durante sua carreira como empreendedora. Logo que passou a dirigir o Magazine Luiza, em 1991, ela criou uma loja virtual de eletrodomésticos em um período em que a internet ainda tinha pouca adesão. Dessa forma, os clientes podiam ir até uma loja física e adquirir um produto que não constava no estoque.

Luiza implementou também a organização de um mega saldão em janeiro, iniciando o funcionamento das lojas às 5h da manhã. Contra todas as expectativas, inclusive de sua própria tia, que duvidava do sucesso da iniciativa, havia uma fila de pessoas aguardando para entrar antes mesmo da abertura na primeira edição da liquidação. Os clientes buscavam aproveitar descontos que chegavam a 70%. A estratégia audaciosa permitiu que a loja arrecadasse R$100 milhões em apenas cinco horas, estabelecendo um precedente para as principais redes de varejo do Brasil, que adotaram a mesma tática tempos depois.

Quando perguntada sobre a receita para conseguir ter sucesso nos negócios, ela foi simplista. “A minha dica é ter muita coragem, fé e muito trabalho. Eu dei a sorte de vir de uma família que não tinha medo de trabalhar e eu também não tive”, afirmou.

Em razão da sua trajetória no empreendedorismo, Luiza Helena Trajano fundou o Grupo Mulheres do Brasil em 2013, após uma reunião com 40 mulheres que tinham o objetivo de engajar a sociedade na conquista de melhorias para o país. Atualmente, o grupo conta com mais de 120 mil integrantes do Brasil e do exterior, que estão em 22 países ao redor do mundo, atuando através do protagonismo feminino para influenciar políticas públicas na construção de soluções concretas para os diversos problemas enfrentados pela sociedade.

Líder do grupo em Salvador, a psicoterapeuta Izabel Guimarães segue os passos de Luiza. Atuando com empreendedorismo e economia solidária, ela destaca a importância do grupo para as mulheres empreendedoras. “Somos uma rede de mulheres que nos unimos para fazer uma rede de sustentação uma com as outras neste difícil campo que é o empreendedorismo e a autossuficiência feminina. Nossa causa é a transformação social do Brasil através do protagonismo feminino. Junto com a nossa líder Luiza Trajano, estamos dando apoio a várias causas, e o empreendedorismo é uma delas porque ele é libertador para muitas mulheres”, disse.

Izabel Guimarães (ao centro) Crédito: Ana Lucia Albuquerque/CORREIO

Voluntária do Grupo Mulheres do Brasil e empreendedora no ramo de bijouterias e varejo, Rosileide Silva, 43 anos, também vê o empreendedorismo como sinônimo de liberdade. Ela, que teve pais empreendedores e donos de uma bomboniere, sempre quis seguir os passos deles, mas foi conduzida a procurar os estudos formais. Já formada na área de Recursos Humanos, ela conta que decidiu seguir sua vocação na vocação

Rosileide Silva Crédito: Ana Lucia Albuquerque/CORREIO

“Quando eu saí da minha última empresa, em 2019, eu vi como meu chamado. Decidi empreender, assisti uma palestra da Luiza Trajano e escutei ela falando do grupo. Até então, não tem nada que me faça querer sair do empreendedorismo. Nós, mulheres, conseguimos nossa liberdade emocional, financeira e de conquistar o que queremos ser. Então, vejo o empreendedorismo como meio”, pontuou.

*Com orientação da chefe de reportagem Perla Ribeiro