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Sobe para 13 o número de pessoas que perderam a visão após mutirão em clínica de Salvador

A clínica segue interditada após denúncias de pacientes

  • Foto do(a) author(a) Maysa Polcri
  • Maysa Polcri

Publicado em 30 de março de 2026 às 15:05

Clivan permanece interditada e com o contrato suspenso enquanto os desdobramentos seguem sendo acompanhados pelas autoridades sanitárias
Clivan permanece interditada e com o contrato suspenso enquanto os desdobramentos seguem sendo acompanhados pelas autoridades sanitárias Crédito: Arisson Marinho

Ao menos 13 pacientes perderam a visão de um dos olhos após participarem de um mutirão de cirurgias de catarata em uma clínica oftalmológica de Salvador. A Clivan, localizada na Avenida Garibaldi, segue interditada desde o dia 2 de março. As informações foram confirmadas pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS).

A pasta informou que segue acompanhando os pacientes submetidos à cirurgia realizada no dia 26 de fevereiro deste ano. Ainda segundo a secretaria, 26 pessoas permanecem em acompanhamento pela rede pública de saúde, sem previsão de alta. A próxima etapa do processo prevê o encaminhamento desses pacientes para reabilitação com uma equipe multiprofissional, como mostrou reportagem do CORREIO

Apenas um escritório de advocacia de Salvador afirma ter recebido mais de 150 relatos de pacientes que tiveram complicações após procedimentos realizados na clínica, entre 2022 e este ano. Entre os problemas citados estão perda do globo ocular e da visão, manchas na visão, secreções e visão embaçada.

A rotina de dezenas de famílias baianas mudou drasticamente após o mutirão de cirurgias de catarata realizado pela clínica Clivan, localizada na Avenida Garibaldi, no fim de fevereiro por Arisson Marinho

Interdição

A Clivan foi interditada após as denúncias de pacientes que perderam a visão. A clínica é particular, mas oferece mutirões em convênio com o SUS. Após o ocorrido, a Prefeitura suspendeu o contrato com a unidade.

A Secretaria Municipal de Saúde confirmou a interdição do estabelecimento e disse que a clínica está "devidamente licenciada junto à Vigilância Sanitária Municipal, com alvará sanitário vigente". A pasta ainda afirmou que o mutirão que contou com mais de 130 procedimentos não foi autorizado pela Prefeitura.

Sobre as denúncias, a Clivan afirma, em nota, que todos os protocolos clínicos, técnicos e de biossegurança foram seguidos desde a avaliação pré-operatória até o acompanhamento pós-cirúrgico dos pacientes.

"A clínica realiza mais de oito mil cirurgias por ano, mantendo um histórico sólido de segurança, qualidade e excelência, o que reforça o caráter pontual do episódio", acrescenta.

O Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (Cremeb) informou que após fiscalizações realizadas na clínica, instaurou uma sindicância para apurar o ocorrido. Havendo indícios suficientes, o caso pode resultar na abertura de um processo ético-profissional.

"O Conselho ressalta que todos os processos éticos tramitam sob sigilo, assegurando-se o amplo direito à defesa e ao contraditório. Eventuais sanções públicas, após o trânsito em julgado, serão devidamente divulgadas para conhecimento da sociedade", diz.