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Aumento de temperatura levou 80% dos corais do planeta a sofreram branqueamento moderado ou severo

Episódio provocou mortalidade também moderada ou elevada em aproximadamente 35% das áreas monitoradas

  • Foto do(a) author(a) Perla Ribeiro
  • Perla Ribeiro

Publicado em 10 de fevereiro de 2026 às 14:49

Aumento de temperatura levou 80% dos corais do planeta a sofreram branqueamento moderado ou severo
Aumento de temperatura levou 80% dos corais do planeta a sofreram branqueamento moderado ou severo Crédito: Foto: The Ocean Agency/XL Catlin Seaview Survey via AP

Cerca de 80% dos recifes do planeta foram atingidos, em nível moderado ou severo, pelo terceiro evento global de branqueamento de corais, que ocorreu entre 2014 e 2017. O episódio provocou mortalidade também moderada ou elevada em aproximadamente 35% das áreas monitoradas. Isso é o que aponta um novo estudo internacional publicado na revista científica "Nature Communications". As informações são do G1.

A pesquisa reuniu dados de mais de 15 mil levantamentos realizados em diferentes oceanos e é considerada a análise mais abrangente já feita até então sobre esse episódio. De acordo com especialistas, o branqueamento acontece quando o aumento da temperatura do mar rompe a relação entre os corais e as microalgas que vivem em seus tecidos e fornecem energia.

Sem essas algas, os corais perdem a cor e passam a ter menos capacidade de crescer e se reproduzir. E dependendo se o estresse térmico for intenso ou prolongado, eles podem morrer. Para estimar a dimensão dos danos, os pesquisadores combinaram observações diretas em campo com dados de satélite sobre a temperatura da superfície do mar e o estresse térmico acumulado.

Esse cruzamento de dados permitiu estimar os impactos também em áreas que não tinham sido monitoradas diretamente. A análise indica que mais da metade dos recifes do mundo sofreu branqueamento significativo durante o evento. Os resultados indicam ainda que o episódio de 2014 a 2017 foi, naquele momento, o mais extenso já documentado, superando eventos anteriores registrados em 1998 e 2010. Além da escala, chamou atenção a duração: o fenômeno se estendeu por três anos, algo inédito em eventos globais desse tipo.

"Antes dos anos 2000, eventos de branqueamento aconteciam a cada 10 ou 15 anos, o que ainda permitia a recuperação; hoje eles se repetem em intervalos muito menores", explica ao G1 o pesquisador da UFRN e um dos autores brasileiros do estudo, Guilherme Longo. O pesquisador explicou que, entre 2010, o período de 2014 a 2017, 2020 e novamente em 2024, os recifes passaram por episódios sucessivos que foram enfraquecendo os corais e aumentando a mortalidade, sobretudo dos mais frágeis.

O estudo também mostra que o aquecimento dos oceanos tem aumentado a frequência e a intensidade dessas ondas de calor marinhas, reduzindo o intervalo necessário para que os recifes se recuperem entre um episódio e outro. Com menos tempo de recuperação, os ecossistemas tornam-se mais frágeis e sujeitos a perdas maiores nos eventos seguintes.

Esse efeito acumulativo já foi observado em diferentes regiões do planeta. Em alguns locais, recifes que sofreram danos entre 2014 e 2017 voltaram a enfrentar episódios severos poucos anos depois, o que levou a novas perdas e a mudanças na composição das espécies.

Em certos casos, a recuperação aparente, medida apenas pela cobertura de corais, pode mascarar uma redução na diversidade e nas funções ecológicas do ecossistema. No Brasil, os impactos do terceiro evento global foram considerados relativamente menores em comparação com outras regiões, possivelmente por características locais como maior turbidez da água em alguns recifes, que pode reduzir a incidência de radiação solar.

Ainda assim, os pesquisadores alertam que esses recifes sofreram perdas importantes em eventos posteriores. O resultado aponta inclusive que a vulnerabilidade aumentou ao longo do tempo. Fora isso, além do impacto ambiental, a degradação dos recifes afeta atividades econômicas e sociais. Esses ecossistemas ajudam a proteger a costa contra a erosão, sustentam a pesca e o turismo e são fonte de alimento e renda para milhões de pessoas em todo o mundo.