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Publicado em 10 de fevereiro de 2026 às 07:30
As imagens falam por si. No Carnaval de Salvador, um único artista, sobre um único trio elétrico, é capaz de mobilizar um público estimado em 500 mil pessoas em um único deslocamento urbano — um fenômeno sem paralelo entre os grandes eventos de rua do planeta. >
O que se vê não é apenas festa. É uma demonstração concreta do poder da economia da experiência em escala máxima. Um trio elétrico se transforma em plataforma de mobilização coletiva, atraindo multidões comparáveis aos maiores eventos esportivos e musicais do mundo — com uma diferença central: aqui, isso acontece na rua, de forma democrática, popular e gratuita, com participação massiva.>
Mas o mais impressionante é que nada disso ocorre de forma improvisada. Esse espetáculo só é possível porque Salvador opera, durante o Carnaval, sob um sistema de governança, planejamento e logística únicos, construído ao longo de décadas, integrando infraestrutura urbana, segurança, saúde, mobilidade, serviços públicos e inteligência operacional.>
Multidão atrás do trio
E este é apenas um recorte. Nos próximos dias, mais de 100 trios elétricos e estruturas móveis como essa estarão desfilando simultaneamente pelos oito circuitos oficiais do maior Carnaval de trio elétrico do mundo — uma operação cultural e urbana que transforma a cidade no maior palco a céu aberto do Brasil.>
O Carnaval de Salvador é mais do que uma celebração: é uma indústria criativa em movimento, uma potência turística e uma vitrine global de como cultura, gestão e cidade podem operar juntas em escala monumental.>
No fundo, o Carnaval de Salvador antecipa o futuro das grandes cidades: onde cultura não é acessório, mas infraestrutura; onde entretenimento não é gasto, mas investimento; e onde a rua se torna, ao mesmo tempo, palco, motor econômico e espaço de pertencimento. Salvador entrega ao mundo uma aula prática de como uma metrópole pode transformar identidade em desenvolvimento, festa em governança e alegria em potência coletiva. O que acontece aqui não é apenas tradição — é estratégia urbana em estado puro, um ativo global que posiciona a cidade entre os maiores fenômenos culturais e operacionais do século.>
Isaac Edington - Presidente da Saltur - Empresa Salvador Turismo. Faz parte da governança do carnaval de Salvador desde 2015.>