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Nauan Sacramento
Publicado em 29 de abril de 2026 às 20:33
Uma equipe internacional de pesquisadores, liderada pela Universidade de Glasgow, anunciou a recuperação de 42 páginas consideradas perdidas do Codex H, um dos manuscritos mais importantes do Novo Testamento. A descoberta, divulgada na última sexta-feira (24), foi possível graças ao uso de tecnologia de imagem multiespectral, que permitiu a leitura de textos invisíveis a olho nu. >
O Codex H era originalmente um livro completo, mas foi desmontado no século XIII no Mosteiro da Grande Lavra, na Grécia. Suas páginas foram reaproveitadas na encadernação de outras obras, uma prática comum no período medieval. Atualmente, os fragmentos conhecidos deste manuscrito estão dispersos por bibliotecas na Itália, Rússia, Grécia, Ucrânia e França.>
A recuperação digital foi liderada pelo professor Garrick Allen, que utilizou métodos avançados para identificar vestígios de tinta deixados no pergaminho. "Os produtos químicos da tinta original causaram deslocamentos nas páginas opostas, criando uma espécie de imagem espelhada do texto", explicou o pesquisador. Essas marcas, quase imperceptíveis, tornaram-se visíveis através da luz multiespectral.>
Para validar a descoberta, a equipe utilizou a datação por radiocarbono, que confirmou a origem do material no século VI. O estudo revelou elementos raros, como as listas de capítulos mais antigas de que se tem notícia das Epístolas de Paulo, além de anotações feitas por escribas que mostram como os textos eram corrigidos e organizados há 1.500 anos.>
Embora os trechos recuperados não tragam conteúdos inéditos das escrituras, a descoberta é considerada "monumental" para a compreensão da transmissão da Bíblia ao longo dos séculos. O material oferece novos indícios sobre as práticas de produção de manuscritos na Antiguidade e sobre como os textos religiosos eram preservados ou reutilizados após se deteriorarem.>
O projeto foi financiado pelo Templeton Religion Trust e pelo Arts and Humanities Research Council, do Reino Unido, contando com a colaboração direta do Mosteiro da Grande Lavra. Os achados agora integram o acervo digital de estudos sobre o Novo Testamento, auxiliando na reconstrução histórica da forma original das escrituras cristãs.>