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Carnaval de Salvador: Daniela leva diversidade e religião no desfile da Barra

Desde que adotou a saudação Laroyê, de Exu, os seguidores da rainha manifestaram o orgulho de ser da macumba

  • Foto do(a) author(a) Moyses Suzart
  • Moyses Suzart

Publicado em 13 de fevereiro de 2026 às 23:25

 Daniela leva diversidade e religião no desfile da Barra
Daniela leva diversidade e religião no desfile da Barra Crédito: Ana Beatriz Sousa/CORREIO

Mais que uma pipoca, o trio de Daniela Mercury é um terreiro que desfila no Carnaval, nesta sexta-feira (13), no Circuito Dodô (Barra-Ondina). Desde que adotou a saudação Laroyê, de Exu, os seguidores da rainha manifestaram, além da diversidade, o orgulho de ser da macumba. Tanto que sua música em referência ao orixá dos caminhos, é pura euforia que toma conta do público, seja adepto ou não.

Com guia de Exu e de Ogum e com a camiseta vermelha com o rosto de Daniela, Carlos Raimundo é de Santa Catarina, nunca foi num terreiro, mas aqui comprou dois guias no circuito e resolveu ser de Exu e Ogum. "Sou do interior de Santa Catarina, nem vou falar de onde. Se eu sair com isso na rua, capaz de me prenderem. Aqui eu sou livre para beijar na boca de homem e cultuar os orixás. Meu deus, aqui é o paraíso", disse, prometendo ir no terreiro quando acabar o Carnaval.

Daniela leva diversidade e religião no desfile da Barra por Ana Beatriz Sousa/CORREIO

A referência às religiões de matriz africana está por todo lado. "Quer liberdade maior que isso? Daniela foi a primeira a abraçar nossa comunidade LGBT e ainda leva o respeito ao candomblé, num momento do país de total intolerância religiosa. A rainha incomoda, por isso é rainha", conta Espetinho, um baixinho de 1,60 com seu namorado, de quase 2 metros. "Bota meu nome verdadeiro não porque ninguém sabe que estou aqui. Bote meu apelido", disse. O próprio nome do trio da rainha má já diz tudo: trio do axé.

Paulo Goetze, soteropolitano de 41 anos, acompanha Daniela desde os 8. E desde os 18 acompanha o Carnaval da rainha. Em dia de atrações badalados, como Cláudia Leitte e Anitta, ele não arredou o pé da frente do trio. O Carnaval dele é com ela.

"Ela foge do padrão. Num país homofóbico, misógino, racista, preconceituoso, Daniela é a voz certa. Então eu acho que tudo que vai de encontro ao que é determinado como padrão, incomoda" conta o fã, na concentração do bloco. "E Daniela é uma pessoa que incomoda porque, para além de todas as questões artísticas, de todo o pioneirismo dela, de ter transformado o Carnaval de Salvador a abrir um novo circuito, o da Barra, ela sempre está à frente nas questões que precisam de reflexão", completa.

Com quase três horas de atraso, Daniela iniciou com maimbe, com a chuva querendo cair, mas sem espantar se público, que fez o coro no refrão. A rainha estava o seu terreiro, a Barra.

O projeto Correio Folia é uma realização do Jornal Correio com apoio institucional da Prefeitura Municipal de Salvador.

Tags:

Carnaval Carnaval 2026 Daniela Mercury Barra