20 kg de óleo já foram retirados de praias de Salvador; veja video

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11.10.2019, 14:00:00
Atualizado: 11.10.2019, 19:42:46
(Foto: Marina Silva/CORREIO)

20 kg de óleo já foram retirados de praias de Salvador; veja video

De acordo com a Limpurb, 75 homens monitoram toda orla da capital; seis praias já têm óleo

Cerca de 20 quilos de petróleo cru foram retirados de seis praias de Salvador, na manhã desta sexta-feira (11). A substância, que desceu do Litoral Norte, chegou à capital na noite de ontem, pela Praia do Flamengo. Em trechos das praias do Jardim dos Namorados, Jardim de Alah, Placaford, Buracão e Piatã. Na Praia do Forte (ver mais abaixo), na Região Metropolitana (RMS) o volume do óleo se intensificou hoje. 

Segundo o presidente da Empresa de Limpeza Urbana de Salvador (Limpurb), Marcus Passos, o óleo visto na capital é considerado “pouco”, em relação aos fragmentos do óleo encontrados em outras praias do Nordeste. 

“Montamos uma operação de emergência e detectamos, ontem à noite. O resíduo visto aqui é muito pouco, considerando outros locais onde apareceu”, explica, ao firmar que o material já recolhido do mar será levado para um aterro isolado, longe do alcance de pessoas.

Marcus comentou que, embora não haja risco de contaminação, é importante que as pessoas não manuseiem a substância. “Porque pode espalhar e aí poluir ainda mais”. O ideal, segundo Marcus, é que as pessoas entrem em contato com a Limpurb pelo 156.

Procedimento
“As equipes estão rodando as praias para monitorar e também retirar. Há a informação de que uma outra mancha pode chegar amanhã. É aproximadamente 2 mil quilômetros de praias afetadas no Brasil, toda a prefeitura está toda envolvida na ação”. 

Para a retirada do material, as equipes seguem o protocolo determinado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), sendo o resíduo coletado com um equipamento chamado ancinho, uma espécie de vassoura metálica.

Em seguida, o material é colocado em recipiente plástico para armazenamento temporário, com impermeabilização de solo, e posterior encaminhamento para unidade de análise e tratamento do material, de responsabilidade do Instituto.

Salvador
De acordo com Sérgio Guanabara, a prefeitura prepara um plano de emergência em conjunto com o Ibama para a proteção e limpeza das praias. Ele disse que o óleo já teria chegado nas praias de Vilas do Atlântico, em Lauro de Freitas, por isso, o município estará aguardando a chegada dos resíduos de prontidão.

“A emergência é para retirar porque não tem como evitar. O óleo está na água e a dificuldade de conter é imensa. A nossa ação é só de limpeza, mas é um trabalho difícil e vamos enfrentar em conjunto com o Ibama”, pontuou o secretário. Ainda não se sabe qual o destino do material que pode ser recolhido.

A limpeza das áreas afetadas é necessária para que seja possível reduzir os impactos nas praias oleosas, segundo o professor Francisco Kelmo, diretor do Instituto de Biologia da Universidade Federal da Bahia (Ufba).

“A mancha já está se partindo. O que não for retirado volta flutuando para o mar com a maré alta. Quando se concentra, os pedaços colam um nos outros. Por mais rápido que a equipe trabalhe, a quantidade é muito grande e é difícil fazer a limpeza”, pontuou o diretor.

RMS
Coordenadora de Licenciamento e Fiscalização Ambiental da prefeitura de Mata de São João, na Região Metropolitana, Yuja Fujiki disse que o caso é "muito preocupante".

"As investigações perpassam as nossa condições. A gente tem uma banco de corais na praia, tem as tartarugas em momento próximo de desova. Alguns ninhos estão aqui, 

precisa haver uma metodologia, fazer uma avaliação com uma especialista em corais para saber como retirar o óleo dos corais de melhora forma". 

De acordo com ela, a "a mancha muda de características rapidamente pela exposição ao sol". Yuka explica que as condições do sol têm influência na textura da substância. "Os impactos ainda estão sendo avaliados pelos pesquisadores da Ufba, o ibama está com cinco pesquisadores fazendo o acompanhamento", conclui.

A situação em Praia do Forte, onde a situação se agravou hoje, também preocupa. O oceanógrafo Carlos Valério, da Oceanauta, explica.

"Infelizmente, hoje, com os ventos fortes, o óleo atingiu com mais força essa região. Estamos aqui para tentar remediar essa situação, limpar o que for possível, o ficar atento no monitoramento da biota [flora e fauna do local], ver que tipo de impacto esse óleo vai causar aqui nesse ambiente".

(Foto: Marina Silva/CORREIO)
(Foto: Marina Silva/CORREIO)
(Foto: Marina Silva/CORREIO)


Venezuela
Um terceiro laudo divulgado nesta quinta-feira (10), produzido pela Universidade Federal da Bahia (Ufba), indicou mais uma vez que o óleo encontrado no Nordeste é proveniente de bacia petrolífera da Venezuela. Anteriormente, a Marinha do Brasil e a Petrobras haviam chegado à mesma conclusão.

O novo documento foi produzido com a justificativa de ser independente e mais um instrumento de colaboração com as investigações. Também nesta quinta, a Marinha informou que a mancha avançou pelo litoral e já chegou a Arembepe, em Camaçari, na RMS.

Por ter viscosidade alta, os cientistas não descartam a chance de ser bunker, combustível usado em navios. Conforme a nota técnica, a análise dos biomarcadores e da presença de carbono apontaram que o material contaminante tem semelhança com um dos tipos de petróleo produzido na Venezuela. “Nenhum petróleo produzido no Brasil apresenta distribuição de biomarcadores similar aos resultados encontrados”, revelou a diretora.

“Existem alguns organismos que só viveram em determinado período da nossa era geológica, então quando identificamos esses organismos, chamados de biomarcadores, sabemos dizer quando ele viveu e comparamos com a idade das bacias petrolíferas”, esclareceu Olívia ao CORREIO. A esse processo é dado o nome de geoquímica forense.


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