8 em cada 10 pessoas que deixaram de trabalhar na Bahia em 2020 eram informais

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10.03.2021, 10:09:00
Atualizado: 10.03.2021, 10:09:03
(Foto: Arisson Marinho / CORREIO)

8 em cada 10 pessoas que deixaram de trabalhar na Bahia em 2020 eram informais

Menor nível de informalidade significou aumento no salário médio dos baianos

8 em cada 10 pessoas que deixaram de trabalhar na Bahia, de 2019 para 2020, eram trablhadores informais. Esse grupo, que representava 54,7% dos trabalhadores baianos em 2019, se reduziu de 3,165 milhões para 2,651 milhões de pessoas em um ano. Isso representou menos 515 mil ocupados na informalidade entre 2019 e 2020, ou 82,2% de todas as 626 mil pessoas que deixaram de trabalhar na Bahia, nesse período.

Embora ainda representassem mais da metade da população ocupada no estado em 2020, os trabalhadores informais chegaram no ano passado ao seu menor número desde o início da serie histórica da Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílios Contínua (Pnad) para esse indicador, em 2016.

São considerados informais os empregados que não têm carteira assinada (inclusive trabalhadores domésticos e trabalhadores do setor público), os trabalhadores autônomos (por conta própria) ou empregadores sem CNPJ e as pessoas que trabalham como auxiliares em algum negócio familiar.

Desses, os que mais perderam trabalho, em números absolutos, foram os empregados no setor privado sem carteira assinada, que passaram de 1,077 milhão em 2019 para 834 mil em 2020. Em termos percentuais, porém, a maior queda ocorreu entre os trabalhadores domésticos, que passaram de 408 mil para 300 mil em um ano, diminuição de 26,5%. 

Mas o emprego com carteira assinada também recuou na Bahia, no ano passado, chegando a seu menor patamar desde 2012, com 1,327 milhão de empregados no setor privado nessa condição, 134 mil a menos do que em 2019, queda de 9,2%.  

De 2019 para 2020, apenas o setor público teve saldo positivo na ocupação, na Bahia, com o grupo dos servidores estatutários e militares crescendo 7,8% (de 465 mil para 501 mil pessoas) e os empregados sem carteira no setor público se ampliando 6,2% (de 229 mil para 243 mil pessoas).

Veja mais: Bahia tem a maior taxa de desemprego do Brasil, com 19,8% em 2020

Aumento no rendimento médio
Em média, no ano de 2020, o rendimento médio real (descontados os efeitos da inflação) mensal habitualmente recebido por todos os trabalhos na Bahia ficou em R$ 1.730. Foi o maior valor para o estado desde 2016, quando se iniciou a nova série histórica da PNAD Contínua para esse indicador, por unidade da Federação. Houve uma alta importante de 10,8% em relação a 2019, quando o valor havia sido de R$ 1.562.

O movimento de aumento na média se explica principalmente pela redução do número de trabalhadores fortemente concentrada entre os informais, que normalmente ganham menos. 

Apesar do avanço, o rendimento médio mensal dos trabalhadores baianos em 2020 ainda era o quarto menor do país, mais alto apenas que os de Maranhão (R$ 1.451), Piauí (R$ 1.518) e Alagoas (R$ 1.620). Ficava 32,0% abaixo do valor nacional (R$ 2.543) e era menos da metade do rendimento do Distrito Federal, o maior do país (R$ 4.229).

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